“Ameaça assimétrica eficaz”: que perigo representa o Irão para a Marinha dos EUA?
"Se centenas forem lançados num curto período de tempo, é quase certo que alguns atingirão o objectivo", explicou o chefe da Draganfly.
Os enxames de drones iranianos representam um grave perigo para os activos navais americanos que se dirigem ao Médio Oriente, declarou no domingo à Fox News Digital Cameron Chell, director executivo e cofundador da empresa de desenvolvimento de veículos não tripulados Draganfly.
“As capacidades do Irão em matéria de drones valem dezenas de milhões de dólares”, afirmou Chell. “Ao combinar ogivas de baixo custo com plataformas de lançamento económicas, essencialmente aeronaves pilotadas à distância, o Irão desenvolveu uma ameaça assimétrica eficaz contra sistemas militares altamente sofisticados”, explicou.
Neste contexto, o especialista explicou que Teerão pode lançar um grande número de drones relativamente pouco sofisticados directamente contra navios de guerra, o que gera ataques de saturação que poderiam sobrecarregar as defesas tradicionais.
“Se forem lançados centenas num curto período de tempo, é quase certo que alguns atingirão o objetivo”, afirmou.
Além disso, ele observou que os sistemas de defesa modernos não foram originalmente projectados para combater esse tipo de ataque de saturação. Para os navios de superfície americanos que operam perto do Irão, os navios de guerra são alvos prioritários. “Estes drones dão ao Irão uma forma muito credível de ameaçar os navios de superfície”, afirmou Chell.
"Os activos norte-americanos na região são grandes, lentos e facilmente identificáveis por radar, o que os torna alvos", acrescentou.
Segundo o especialista, a força do Irão reside “nestes sistemas de drones de baixo custo e grande volume, em particular os drones de ataque unidirecionais, concebidos para atingir um alvo e detoná-lo”.
Ele explicou ainda que o Irão obteve uma vantagem inicial nos sistemas de drones conhecidos como Categoria Um e Categoria Dois: plataformas de baixo custo que podem ser produzidas em grandes quantidades e utilizadas eficazmente em guerras assimétricas. “Os sistemas de Categoria Três são uma questão completamente diferente. […] Nesse aspecto, o Irão está décadas atrasado em relação aos Estados Unidos”, observou.
Por sua vez, um alto funcionário norte-americano confirmou ao meio de comunicação que o grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln ainda não tinha cruzado a zona de responsabilidade do Comando Central dos EUA (CENTCOM) no Oceano Índico. “Está perto, mas tecnicamente ainda não está no CENTCOM”, declarou. Isto indicaria que o grupo de combate do porta-aviões ainda não está em condições de atacar o Irão.
Assim que o porta-aviões entrar na zona de operações do CENTCOM, o que deverá ocorrer em breve, ainda levará vários dias até que o ataque possa ser concretizado, esclareceu o jornal.
Reforço militar dos EUA no Médio Oriente
As declarações surgem perante a chegada à região (do Mar da China Meridional ao Golfo Pérsico) do porta-aviões USS Abraham Lincoln e do seu grupo de ataque, composto por contratorpedeiros, caças F-35, outras aeronaves de combate e aviões de guerra eletrónica.
Em meados da semana passada, Donald Trump advertiu que uma «enorme frota» norte-americana se dirigia para a região. nbsp;”Temos uma grande força a caminho do Irão”, afirmou o inquilino da Casa Branca, acrescentando que “preferia que nada acontecesse, mas estamos a vigiá-los de perto“.
Entretanto, meios de comunicação israelitas informaram no sábado que o USS Abraham Lincoln já chegou ao Oriente Médio, nas proximidades da República Islâmica, e que a sua frota se encontra dentro do alcance de ataque do Irão. Até ao momento, não há indícios de acções militares americanas iminentes.
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