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Colômbia: Petro rejeita acusações dos EUA e defende soberania na luta contra as drogas

O presidente colombiano denunciou a hipocrisia na descertificação do país pelos Estados Unidos, lembrando que isso «não vai reduzir o consumo de cocaína e fentanilo no país norte-americano».

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, acusou a política norte-americana de estar nas mãos de “amigos de políticos aliados ao paramilitarismo”, em resposta às recentes declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que apontou o mandatário colombiano como responsável pela recente descertificação do seu país na luta contra o narcotráfico.

“Ele afirma que não fui um bom parceiro na luta, quando arrisquei a minha vida pessoal e familiar na luta contra as relações entre o paramilitarismo narcotraficante e o poder político”, declarou Petro na sua resposta numa publicação nas redes sociais, relembrando o seu histórico como político da oposição e defensor dos direitos humanos.

O presidente colombiano foi além ao questionar a eficácia das políticas antidrogas historicamente apoiadas por Washington: “Não calculei que o poder político nos EUA ficaria nas mãos de amigos de políticos aliados ao paramilitarismo”.

Na mesma linha, Petro apontou a hipocrisia da decisão, afirmando que os Estados Unidos “estão desacreditados por não reduzirem o consumo de cocaína e fentanil na sua sociedade”, que ele considera a principal causa do narcotráfico.

Nas suas declarações mais contundentes, Petro alertou sobre as intenções da nova administração norte-americana: “Não vou ajoelhar a nação e permitir que os camponeses sejam agredidos. Não somos cipaios, não somos súbditos”, afirmou o líder colombiano.

Noutra publicação, o chefe de Estado da Colômbia afirmou que os Estados Unidos procuram um “presidente fantoche” para a Colômbia, mas deixou claro que ele não será esse presidente. Na mesma linha, escreveu: “O povo colombiano responderá se quer um presidente fantoche como aquele que vendeu o Panamá, ou se quer uma nação livre e soberana”.

Petro também refutou o relatório norte-americano que alega um aumento no cultivo de folhas de coca sob o seu governo. O presidente explicou que o crescimento desses cultivos é uma tendência global que ocorre desde 2013, impulsionada pelo aumento do consumo, principalmente na Europa, “enquanto os níveis de consumo nos EUA se mantêm estáveis”.

Para Gustavo Petro, a “certificação” não passa de um “instrumento de dominação e poder” que falhou no seu objectivo. Com este argumento, Petro instou a comunidade internacional a uma mudança fundamental na política antidrogas.

A posição do presidente colombiano foi apoiada pelo Ministério das Relações Exteriores daquele país, que em um comunicado oficial recente classificou a descertificação como um acto “meramente político”. Por sua vez, a chanceler Yolanda Villavicencio afirmou que essa medida “corrói a confiança, enfraquece a cooperação e abre espaço para os criminosos”, destacando as conquistas das autoridades colombianas em apreensões recordes e operações conjuntas.

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