Artigos de OpiniãoPaulo Da Silva

Enquanto o Império Aperta o Cerco, Putin Abre as Portas do Kremlin: Rússia Reafirma Solidariedade Irmã com Cuba

O Chanceler cubano, Bruno Rodríguez foi recebido por Vladimir Putin em Moscovo num momento crítico do bloqueio energético, e Lavrov denuncia "bloqueio militar e marítimo" dos EUA

Há gestos que valem mais do que mil comunicados. E há quebras de protocolo que são, na verdade, afirmações políticas de alto calibre. Foi exactamente isso que aconteceu nesta quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026, no Kremlin: o presidente da Rússia, Vladimir Putin, recebeu pessoalmente o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodríguez .

Para quem conhece as regras não escritas da diplomacia, este encontro diz muito mais do que aparenta. Por norma, um chefe de Estado não recebe um ministro dos Negócios Estrangeiros. Quem o faz é o seu homólogo — no caso, o ministro russo Sergey Lavrov, com quem Rodríguez já se tinha reunido horas antes . Ao abrir as portas do Kremlin a um chanceler, Putin elevou o estatuto da visita e colocou Cuba num patamar de tratamento reservado a chefes de Estado. É a mais alta consideração que se pode dispensar a uma nação amiga.

A Verdade e Mentira em menos de 24 Horas 

No preciso dia de hoje 19 de fevereiro de 2026, um conceituado jornal português publica um artigo onde um investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa decretava a cartilha sem hesitação: “Cuba sempre precisou de aliados externos para sobreviver. Hoje não tem mais nenhum” .

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Capa do DN 19 de Fevereiro de 2026

"Enquanto em Portugal se escrevia que Cuba 'não tem mais nenhum aliado', o presidente da Rússia recebia o chanceler cubano no Kremlin, classificava o bloqueio dos EUA como 'inaceitável' e prometia ajuda material. As imagens não mentem. Os factos também não. Resta saber: quem mente afinal?"

A Excepção que Vale Mais que Mil Regras

Por norma, e por estrito protocolo diplomático, um ministro dos Negócios Estrangeiros é recebido pelo seu homólogo. É assim em todo o mundo. Lavrov recebe Rodríguez, Marcelo recebe Macron, e por aí adiante.

O que está por trás da quebra de protocolo

A decisão de Putin não é ingénua nem casual. Numa conjuntura em que Washington intensifica o bloqueio energético a Cuba, após a captura de Nicolás Maduro e a imposição de sanções a terceiros países que ousem vender petróleo a Havana , o Kremlin quis enviar uma mensagem inequívoca: Cuba tem um aliado poderoso, e esse aliado trata a ilha com a dignidade de um Estado soberano, não como um “país falido” — ao contrário do que Trump proclamou a partir do Air Force One há apenas três dias .

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, foi claro antes mesmo da reunião: “Prestamos ajuda aos nossos amigos” . E a palavra “amigos” não é usada levianamente na linguagem diplomática russa. Significa que há uma relação que transcende o mero interesse comercial ou tático — é uma aliança forjada em décadas de resistência comum às pressões ocidentais.

Lavrov e Linguagem da Guerra Fria

Antes do encontro com Putin, Bruno Rodríguez reunira-se com Sergey Lavrov. E o chefe da diplomacia russa usou uma linguagem que não se ouvia desde os tempos soviéticos para denunciar Washington: “Apelamos aos Estados Unidos para que actuem com bom senso e se abstenham do bloqueio militar e marítimo da Ilha da Liberdade” .

A expressão “bloqueio militar e marítimo” não é inocente. Lavrov estava a dizer, em linguagem diplomática, que os EUA não estão apenas a impor sanções económicas — estão a cercar Cuba como se cerca um inimigo em tempo de guerra. E ao chamar Cuba de “Ilha da Liberdade”, colocou-se no lado certo da história, ao lado de um povo que resiste há 67 anos à maior potência militar do planeta.

Putin: “Inaceitáveis”: A Palavra que Condena Washington

Quando finalmente recebeu Rodríguez, Putin foi breve mas substancial. Destacou o “vector positivo do desenvolvimento das relações bilaterais” e transmitiu “os seus melhores desejos” a Miguel Díaz-Canel e ao general Raúl Castro .

Durante o encontro, Putin não se limitou a sorrisos protocolares. Classificou as novas restrições impostas pelos EUA a Cuba como “inaceitáveis”

Do lado cubano, o agradecimento foi sentido e político. Rodríguez agradeceu “a solidariedade russa expressada por Putin e pelo Governo russo ante o endurecimento do bloqueio contra Cuba e o assedio energético, que causa sofrimento ao nosso povo” . E sublinhou: “Estamos prontos para um diálogo respeitoso em igualdade de condições com qualquer país” — uma resposta indirecta às pressões de Trump para um acordo de rendição .

O Significado Para o Futuro

A visita de Bruno Rodríguez a Moscovo não termina com os apertos de mão no Kremlin. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Ryabkov, já adiantou que “vamos ajudá-los, inclusive materialmente. Isso já está a acontecer” . E fontes da embaixada russa em Havana revelaram ao jornal Izvestia que Moscovo “prevê o fornecimento em breve” de petróleo e derivados “em qualidade de ajuda humanitária” .

Se cumprido, este será o segundo envio de crude russo para Cuba em pouco mais de um ano — o último foi em fevereiro de 2025, com 100 mil toneladas por ordem directa de Putin . Ou seja, a solidariedade russa não é apenas política; é material, energética e vital para um país que o império tenta asfixiar.

A mensagem de Putin

Ao receber um chanceler como se fosse um chefe de Estado, Putin fez mais do que um gesto de cortesia. Fez uma declaração geopolítica: Cuba não está isolada. Cuba não está sozinha. E quem pensa que pode tratar a ilha como um protectorado sem enfrentar consequências engana-se redondamente.

O Kremlin recebeu Bruno Rodríguez de braços abertos. E enquanto isso acontecia, Trump, do outro lado do Atlântico, chamava Cuba de “nação falida” . A diferença de tratamento não podia ser mais gritante: de um lado, o desprezo imperial; do outro, o respeito entre iguais.

Cuba sabe de que lado sopra o vento da história. E ontem, no Kremlin, o vento soprou forte a seu favor.

O Que Dizem Agora “Os Junta Letras?

Importa, pois, perguntar ao investigador Andrés Malamud: a reunião no Kremlin, com o presidente da Rússia a receber pessoalmente o chanceler cubano, é ou não é um sinal de aliança? Os 50 acordos de cooperação com o Vietname, que incluem a construção de quatro parques solares em Cuba, contam ou não como apoio externo? As 814 toneladas de alimentos enviadas pelo México em navios da sua marinha são ou não ajuda material? Os acordos com o Irão nas áreas de medicamentos, biotecnologia e desdolarização são ou não parcerias estratégicas?

Ou será que, para certos “especialistas”, aliado é apenas aquele que encaixa numa definição estreita e ultrapassada, convenientemente cega a tudo o que não confirme a tese do “fim do regime”?

Conclusão: A Solidariedade não é uma Opinião, é um Facto

A Rússia, o Vietname, o México, a China, o Irão, a Venezuela, a Nicarágua – todos estes países, de formas diferentes, têm estendido a mão a Cuba nas últimas semanas. Enquanto o império aperta o cerco, esta rede de solidariedade global vai-se tecendo, silenciosa mas firmemente.

A recepção de Bruno Rodríguez por Vladimir Putin no Kremlin não é um acto isolado. É o símbolo mais visível de uma realidade que a grande imprensa portuguesa insiste em ignorar: Cuba tem aliados, sim. Cuba não está só. E quem aposta na sua rendição está a olhar para o lado errado da história.

Porque, como lembrou o próprio Rodríguez em Moscovo: “Estamos prontos para um diálogo respeitoso em posição de igualdade com qualquer país” . Diálogo sim. Rendição, nunca.

Porque, como diz o povo cubano: “Para nos apagarem, teriam de apagar a terra primeiro.”

E a terra, camaradas, é de todos nós.

🕯️ Mensagem Final: “Do Tejo ao Malecón, a Mesma Chama”

E agora, para ti, povo de Cuba, que há mais de 60 anos ensinas o mundo a resistir. E para ti, povo de Portugal, que conheces a dor da ditadura e a alegria da liberdade conquistada.

Há um fio invisível que liga o Tejo ao Malecón. Uma mesma chama que ardeu nas lutas de abril e na Sierra Maestra. Uma mesma certeza de que a dignidade não se entrega, não se negocia, não se rende.

Povo cubano, tu que fizeste do bloqueio uma escola de solidariedade. Tu que, em cada apagão, acendeste uma vela e nela viste a luz da resistência. Tu que, em cada fila, encontraste tempo para um abraço, uma conversa, um sorriso. Tu que, em cada escassez, inventaste formas de partilhar o pouco, fazendo desse pouco um banquete de humanidade.

Mais de 60 anos. Mais de 60 anos a ouvir profecias de fim. Mais de 60 anos a ver impérios caírem enquanto tu, de pé, continuas. Mais de 60 anos a provar que um povo unido não se ajoelha.

Povo português, olha para Cuba e vê um espelho. Vê a tua própria história de resistência contra o fascismo. Vê a tua própria capacidade de dizer não. Vê, no sorriso cubano, o mesmo sorriso que abril trouxe de volta a Portugal.

Por isso, desta margem do Tejo, com a voz que aprendemos a ter nas lutas de cá, gritamos convosco:

“Cuba não está só! Portugal está contigo!”

E quando, no Malecón, uma lata de cerveja passar de mão em mão, saibam que há uma mão portuguesa a segurá-la também. Quando, num apagão, o xadrez se jogar à luz de velas, saibam que há um olhar português a acompanhar cada jogada. Quando, em cada amanhecer, o povo cubano se levantar para mais um dia de resistência, saibam que há um povo irmão, do outro lado do oceano, que se levanta convosco.

Pátria o Muerte, Venceremos! – não é só vosso o grito. É nosso também.

E que os ventos da história, que desde sempre sopraram entre Cuba e Portugal, levem esta mensagem: a luta continua, a chama não se apaga, e o abraço entre os nossos povos é para sempre.

Asta la victória, siempre, camaradas!

Paulo Jorge da Silva | Um activista português que viu, cheirou e sentiu o bloqueio. Pela soberania de Cuba. Pelo fim do cerco. Pelos milhões que, em silêncio, já decidiram de que lado estão.

"Para quem está cansado da narrativa única." 🕵️‍♂️

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