Artigos de OpiniãoPaulo Da Silva

Lei da Selva e Fascismo Cotidiano: O Cerco Genocida de Trump a Cuba e a Vergonha do Silêncio

Não adianta vir com eufemismos. O que a administração Trump está a fazer contra Cuba, neste exacto momento, tem um nome: genocídio em câmara lenta. A ordem executiva de janeiro de 2026, que estrangula o fornecimento de combustível à ilha, não é um mero “recrudescimento” do bloqueio. É uma política deliberada de asfixia, desenhada para provocar “fome e desespero” ao povo cubano. É a punição colectiva, um crime de lesa humanidade travestido de medida administrativa, e quem não o denomina pelo nome exacto é cúmplice.

Este artigo é um murro na mesa para expor as razões deste ódio, desmascarar a narrativa podre que o justifica e convocar à acção. O que está em jogo não é apenas o futuro de Cuba, mas a alma de qualquer um que ainda acredite na humanidade.

O Pecado Original de Cuba: Ser um Exemplo Vivo

Vamos ao cerne da questão: por que tanta sanha contra uma pequena ilha do Caribe, pobre em recursos naturais? A resposta é simples e, para os imperialistas, aterradora: Cuba é um mau exemplo. Enquanto os EUA transformaram a América Latina num quintal de “repúblicas bananeras”, saqueando riquezas e impondo ditaduras, Cuba ousou ser livre. Ousou nacionalizar as empresas gringas em 1960 e construir, a 90 milhas do império, um país baseado na justiça social e não no lucro 

E mais: espalhou essa “peste” pelo mundo. Enquanto Washington financiava o apartheid, Cuba enviava tropas para derrotá-lo em Angola e Namíbia. Enquanto o império formava elites, Cuba formava, gratuitamente, dezenas de milhares de médicos e professores, envia brigadas médicas para vários países do Mundo. Esse internacionalismo, essa dignidade, é o que eles não nos perdoam. Trump, esse troglodita a soldo do sionismo e da extrema-direita, sabe que não pode competir com a força do exemplo. Por isso, tenta destruí-lo pela força bruta. O ódio de classe e de império à Revolução Cubana é a chave para entender esta perseguição de 67 anos.

O Método da Besta: Gazificação da Vida e Cumplicidade Mediática

O método escolhido é a “gazificação” da vida. É cortar o petróleo para paralisar o país, provocar apagões, faltar água, comida, medicamentos. É criar um sofrimento quotidiano tão insuportável que o povo, em desespero, se volte contra o seu próprio governo. É a táctica do “quanto pior, melhor” elevada a política de Estado.

E quem são os principais aliados desta besta? Os grandes media, esses “merdia” financiados pelo império e seus lacaios. Eles documentam as filas, os apagões, a angústia, mas fazem-no com a “objectividade” de quem descreve uma catástrofe natural. O sujeito da acção – o bloqueio dos EUA – é apagado do discurso. Apresentam o resultado do crime, mas ocultam o criminoso. Esta é a mesma lógica sórdida usada para normalizar o genocídio na Palestina: as cifras de mortos são apenas números, e a resistência dos povos é demonizada. Normalizar o horror é a função do jornalismo vendido, e contra isso temos de lutar com cada palavra que escrevemos.

Fascismo Sim, e com Todas as Letras

Há quem ainda se arrepie com a palavra “fascismo”. Pois que se deixem de pieguices. Como bem lembra Umberto Eco, o fascismo é uma estrutura mental que não precisa de voltar de camisa parda para existir. E ela está toda lá, no governo Trump e nos seus correligionários:

  • culto à tradição imperial, à força, à “América Primeiro”.

  • intolerância à dissidência, com a perseguição a opositores e a militarização da fronteira.

  • medo da diferença, alimentando o racismo e a xenofobia que pintam Obama como um macaco e imigrantes como criminosos.

  • apelação às classes médias frustradas, enganadas com bodes expiatórios (Cuba, Venezuela, China, Rússia, Irão) para a sua miséria.

  • obsessão com a conspiração, onde qualquer crítica é “comunismo internacional”.
    Ao decretar que “este hemisfério é nosso”, Trump está a cuspir na cara da América Latina e a restaurar, com juros, a pior tradição da Doutrina Monroe. Está a impor a lei da selva, onde o mais forte tem o direito divino de esmagar o mais fraco. Chamar-lhe fascista é ser educado.

A Mentira Monumental: “Defender a Democracia”

A desfaçatez atinge o paroxismo quando tentam justificar o bloqueio. A lista de mentiras do império para justificar as suas aventuras criminosas é interminável: Pearl Harbor, Guatemala, Vietname, Iraque, Líbia… Foram sempre “defender a democracia”, “lutar contra o terrorismo” ou “missões humanitárias” enquanto bombardeavam populações civis e roubavam recursos.

Contra Cuba, a mentira atinge o nível do escárnio: dizem que a revolução é uma “ameaça inusual e extraordinária” para a segurança dos EUA. Uma ilha com um exército para sua defesa, que nunca atacou ninguém, é uma ameaça ao gigante com o maior arsenal bélico do planeta. É preciso ter um descaramento monumental para vomitar esta propaganda. A verdade é mais simples: o império não tolera exemplos de soberania.

O socialismo não fracassou em Cuba; ele está a ser assassinado metodicamente pelo bloqueio mais longo e cruel da história. E o verdadeiro fracasso, o fracasso maiúsculo, é o de um sistema que só sabe relacionar-se com o mundo através da mentira e da violência.

A Tua Luta é a Nossa Luta

Diante deste cenário, a resposta do governo cubano, com Díaz-Canel à cabeça, tem sido a defesa inabalável da soberania e a mão estendida para o diálogo – mas “sem pressões, sem pré condicionamentos, em posição de igualdade”. Porque diálogo sob chantagem não é diálogo, é rendição.

E nós, o que fazemos? Assistimos? Lamentamos? Publicamos comunicados piegas? Não, caro leitor. Fazemos o que muitos em Portugal tem feito há anos: agitamos, denunciamos, mobilizamos. Lutar contra o bloqueio a Cuba é lutar contra a lógica fascista que quer governar o mundo. É recusar que a lei da selva se torne a nossa lei. É entender que o cerco a Cuba é um ensaio para um mundo onde não haja lugar para a solidariedade, a justiça social e a dignidade dos povos.

Não é apenas por Cuba que lutamos. É pela humanidade. E a humanidade, hoje, tem nome e tem rosto: tem o rosto do povo cubano que resiste, que não se rende, e que nos ensina todos os dias que “Patria o Muerte, Venceremos” não é um slogan – é um juramento. Avante, que os ventos da história sopram connosco!

Palavras de Solidariedade e Luta: Homenagem ao Povo Cubano

E é aqui, camaradas, que precisamos parar e olhar com humildade para quem verdadeiramente sustenta a Revolução: o povo cubano.

Esse povo que, todos os dias, enfrenta filas, apagões, escassez, e ainda assim encontra forças para esboçar um sorriso. Esse povo que, em vez do desespero que o império tanto espera, oferece um abraço solidário ao vizinho, partilha o pouco que tem, e mantém viva a chama da unidade. É esse povo que nunca vira a cara à luta. Nunca vira a cara à sua Revolução.

Há 67 anos que tentam matar a Revolução Cubana. Há 67 anos que tentam vergar a dignidade desse povo. E há 67 anos que eles respondem com a mesma teimosia, o mesmo sorriso, a mesma solidariedade inabalável. Ensinam-nos, todos os dias, que a alegria é um acto de resistência e que a unidade é a nossa arma mais poderosa.

Por isso, desta trincheira em Portugal, com décadas de ativismo e admiração, vai a nossa homenagem mais sentida: que o vosso exemplo ilumine o mundo. Que a vossa resistência seja o nosso guia.

Não é apenas por Cuba que lutamos. É pela humanidade. E a humanidade, hoje, tem nome e tem rosto: tem o rosto do povo cubano que resiste, que não se rende, e que nos ensina todos os dias que a luta, a unidade e a solidariedade são o único caminho.

¡Patria o Muerte! ¡Venceremos!

Paulo Jorge da Silva | Um activista português que viu, cheirou e sentiu o bloqueio. Pela soberania de Cuba. Pelo fim do cerco. Pelos milhões que, em silêncio, já decidiram de que lado estão.

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Paulo Da Silva

Um activista português que viu, cheirou e sentiu o bloqueio. Pela soberania de Cuba. Pelo fim do cerco. Pelos milhões que, em silêncio, já decidiram de que lado estão. Porque os princípios, como Fidel ensinou, não se negoceiam.

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