Entrevista especial do Presidente Nicolás Maduro a Rafael Correa.
O presidente venezuelano acusa Washington de enviar navios de guerra e mísseis para perto do Caribe com o objectivo de derrubar o governo e controlar os recursos naturais do país.
No âmbito de uma entrevista transmitida a 9 de setembro, com o ex-presidente equatoriano Rafael Correa e transmitida pela cadeia RT em espanhol, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, alertou sobre o crescente destacamento militar dos Estados Unidos nas águas do Caribe e as suas possíveis implicações geopolíticas. Segundo ele, a presença de oito navios de guerra, um submarino nuclear e mais de mil mísseis na região responde a um plano para promover uma mudança política na Venezuela.
O chefe de Estado também criticou a postura de Porto Rico neste contexto, depois de a governadora Jenniffer González indicou que a ilha caribenha seria usada como base para operações militares contra a Venezuela. Maduro relacionou esta declaração com um plano mais amplo de agressão liderado pelo Pentágono, com apoio político da extrema direita local.
O presidente venezuelano alertou sobre o uso de relatos da imprensa por parte de Washington para deslegitimar seu governo. Ele denunciou que a abordagem dos Estados Unidos busca impor uma narrativa “hollywoodiana” que sirva de justificativa para uma intervenção armada, em linha com sua tradicional política de dominação global.

Maduro destacou ainda a consolidação de um cenário internacional multipolar, com potências como China, Rússia e Índia desafiando a ordem unipolar promovida pelos Estados Unidos. Ele observou que essas nações contam com apoio na América Latina, África e Ásia, e afirmou que o mundo exige uma paz baseada na soberania, na justiça social e na identidade nacional.
O presidente também se referiu ao caso colombiano, que classificou como um exemplo de uma “oligarquia narcotraficante” surgida após décadas de influência directa dos Estados Unidos por meio do Plano Colômbia. Em sua opinião, essa política não só falhou em conter o narcotráfico, como o consolidou como um fenómeno regional, afetando até mesmo países vizinhos como o Equador.
Diante desse cenário, Maduro fez um apelo para o alistamento de cidadãos na Milícia Bolivariana, no que definiu como uma estratégia de defesa nacional diante de uma possível agressão. Ele enfatizou que as forças armadas venezuelanas estão orientadas exclusivamente para a proteção do território e não para ações ofensivas.
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