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Fidel Castro: Arquitecto da Revolução cubana e líder mundial

Havana, 4 de agosto (Prensa Latina) O líder da Revolução cubana, Fidel Castro Ruz, continua sendo hoje uma das figuras mundiais mais influentes e debatidas dos séculos XX e XXI por seu legado político, educativo, cultural e humanista.

Por Lisván Lescaille

Além do seu papel como chefe de Estado cubano, Fidel Castro foi um pensador estratégico, um pedagogo revolucionário e um símbolo de resistência global que, quase no centenário do seu nascimento (1926-2026), continua a marcar o rumo de Cuba e a ressoar nos movimentos sociais latino-americanos e no mundo.

Desde os primeiros dias da vitória revolucionária na ilha caribenha, em janeiro de 1959, ele apostou na educação como ferramenta de transformação social. Assim, a Campanha de Alfabetização de 1961 foi uma de suas grandes conquistas, mobilizando milhares de jovens para ensinar a ler e escrever nos cantos mais remotos do país.

Em pouco mais de um ano, a nação antilhana não só erradicou o analfabetismo, facilitando o acesso universal a diferentes níveis de educação de forma gratuita, como também semeou uma cultura de compromisso e solidariedade que perdura até hoje.

No âmbito político, o estadista cubano foi o arquitecto do Partido Comunista de Cuba, fundado em 1965 como continuidade das organizações revolucionárias que o precederam. O seu método de selecção do militante exemplar, baseado na conduta, no compromisso e na ética, reflectia a sua visão de um partido profundamente ligado ao povo.

A formação ideológica foi fortalecida com a criação de escolas como a “Ñico López” e os núcleos de instrução revolucionária em centros de trabalho e estudantis.

Internacionalmente, Fidel Castro deixou uma marca profunda na história da América Latina e do mundo. Ele foi um símbolo da resistência anti-imperialista e um promotor da solidariedade internacional.

Nesse sentido, destaca-se o seu apoio aos movimentos de libertação em África, como em Angola e na Etiópia, e o seu apoio a causas justas na América Latina, como a Revolução Sandinista na Nicarágua, que o posicionaram como líder global do Sul.

Cuba enviou brigadas médicas a dezenas de países, um exemplo de diplomacia revolucionária que também faz parte desse legado solidário do Comandante em Chefe que transcende fronteiras. De acordo com dados da ilha, desde 1962 os seus médicos atenderam mais de 2300 milhões de pessoas, em quase todos os continentes, contabilizando-se ainda 17 milhões de intervenções cirúrgicas.

Nesse sentido, estima-se que cerca de 12 milhões de pessoas foram salvas graças ao seu trabalho, que causou mais admiração em episódios nefastos para o mundo, como a epidemia de Ébola na Serra Leoa, Guiné-Conacri e Libéria em 2014 e a de Covid-19 em 2020.

Um dos impactos mais duradouros da liderança de Fidel foi a transformação de Cuba no primeiro Estado socialista do hemisfério ocidental. Sob a sua direcção, a ilha rompeu com o modelo capitalista dependente e construiu um sistema baseado na propriedade colectiva, no planeamento centralizado e na justiça social.

Apesar do bloqueio económico imposto pelos Estados Unidos, que se prolonga há mais de seis décadas, a nação alcançou avanços significativos nas áreas da saúde, educação e cultura, tornando-se uma referência para muitos países do Sul global.

Intelectuais como Gabriel García Márquez, Ignacio Ramonet e Frei Betto destacaram a capacidade do líder histórico da Revolução de analisar, prever e agir com profundidade estratégica. Os seus discursos, extensos, mas repletos de conteúdo, eram verdadeiras aulas magistrais sobre economia, história, ética e política.

A partir de 2007, as suas “Reflexões” escritas tornaram-se uma nova forma de diálogo com o povo, abordando temas globais com perspicácia e sensibilidade.

Fidel Castro não concebia a política como uma técnica de poder, mas como uma pedagogia da justiça. Educou o povo em valores como a solidariedade, a dignidade, o internacionalismo e a defesa dos mais vulneráveis. Para ele, as ideias só valiam se fossem apoiadas por sentimentos nobres, por uma ética revolucionária que colocasse o ser humano no centro de todo projecto.

Um dos momentos mais emblemáticos de sua liderança foi a Batalha de Ideias, lançada na sequência do caso Elián González em 2000. Este episódio, que envolveu o sequestro mediático e político de uma criança cubana nos Estados Unidos, serviu como catalisador para uma mobilização nacional em defesa da soberania, da família e dos valores da Revolução.

Fidel transformou esse conflito numa plataforma para reafirmar a identidade socialista e fortalecer a consciência política do povo, especialmente entre os jovens.

A cultura também ocupou um lugar central no seu projecto emancipatório. Fidel Castro entendia que a verdadeira liberdade não poderia ser alcançada sem conhecimento, sem arte, sem pensamento crítico. Promoveu a criação de instituições culturais, editoras, escolas de arte e universidades, convencido de que o acesso ao conhecimento deveria ser um direito, não um privilégio. “Ser cultos para ser livres”, dizia José Martí, e Fidel transformou isso em política de Estado.

Miguel Barnet expressou isso com clareza: “O gestor da política cultural cubana é Fidel… Todas as opções culturais que temos hoje devemos a ele.” Sob a sua liderança, a cultura deixou de ser um privilégio das elites e tornou-se património do povo.

Apesar do bloqueio económico imposto pelos Estados Unidos e das dificuldades internas, Cuba manteve viva a obra do seu emblemático líder. O seu legado é percebido na alegria das crianças que frequentam a escola, na dedicação dos médicos que salvam vidas em locais remotos, na laboriosidade dos operários e camponeses e na vontade dos jovens que ainda acreditam num mundo mais justo e solidário.

Como disse o general do exército Raúl Castro em 2016: “Esse é o Fidel invicto que nos convoca com o seu exemplo e com a demonstração de que sim, foi possível, sim, é possível e sim, será possível!”. Fidel continua a ser o pai dos excluídos, o guia dos marginalizados e o símbolo de uma Revolução que, para além das suas contradições, marcou profundamente a história do continente.

O seu pensamento continua a iluminar o caminho daqueles que lutam pela dignidade humana, pela soberania dos povos e pela justiça social.

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