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Governo de Honduras mobiliza as Forças Armadas para impedir “golpe eleitoral”

A presidente Xiomara Castro ordena que os militares protejam as eleições de 30 de novembro após denúncias de um plano da oposição para alterar os resultados, evocando a fraude de 2017.

A presidente de Honduras, Xiomara Castro, ordenou nesta quinta-feira que as Forças Armadas (FFAA) se coloquem à disposição do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) para proteger o processo eleitoral de 30 de novembro e neutralizar uma conspiração para alterar os resultados.

Como Comandante-Geral, a presidente fundou a decisão em cumprimento da Constituição e da Lei Eleitoral para garantir a segurança do material, a transparência na transmissão de atas e, fundamentalmente, o respeito à vontade popular.

A medida responde à denúncia de um plano que a própria presidente chamou de tentativa de “golpe eleitoral”. A promotoria revelou a existência de áudios que evidenciam uma “conspiração criminosa em andamento para manipular o transporte eleitoral, interferir na transmissão de resultados e alterar a vontade popular”, segundo um comunicado oficial.

Perante essa ameaça, Castro enfatizou que “nenhum acto destinado a sabotar a transparência eleitoral, violar a soberania do Povo ou alterar a paz democrática será tolerado”.

A denúncia foi exposta publicamente pela candidata presidencial do partido governista Libertad y Refundación (Libre), Rixi Moncada. “Nós os vencemos porque descobrimos o seu plano perverso, a sua grande farsa para roubar as eleições novamente”, disse Moncada durante um evento em San Pedro Sula.

A candidata presidencial ligou a actual conspiração à fraude eleitoral de 2017, quando “reduziram o sistema de transmissão por mais de 72 horas e tiraram o resultado de 5.000 minutos”. Esse evento, que favoreceu a reeleição do então presidente Juan Orlando Hernández, provocou uma grave crise política no país.

Rixi Moncada acrescentou que nas próximas eleições enfrentam novamente a “cúpula podre do bipartidarismo de 130 anos”.

FFAA inicia pesquisa

Em resposta à denúncia, as Forças Armadas relataram o início de uma investigação para esclarecer os fatos e determinar responsabilidades. Em comunicado, a instituição militar reafirmou seu compromisso com o Estado de Direito e o respeito à vontade popular, garantindo que agirá com estrita adesão à Constituição.

Por sua vez, a presidente Castro garantiu um “processo eleitoral limpo, livre, transparente, seguro e verificável, onde o voto do Povo será respeitado e nenhuma estrutura fraudulenta ou operação de interferência criminal digital ou manipulação cibernética prosperará”.

A eleição presidencial está prevista para 30 de novembro. Segundo dados do CNE, o registo eleitoral equivale a 6.522.577 pessoas e os cargos disputados são o presidente e três nomeados presidenciais (vice-presidentes), os 128 deputados do congresso e as autoridades dos 298 municípios de Honduras.

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