Intelectuais e deputados brasileiros pedem a Lula que rompa relações com Israel
Uma carta pública enviada na quarta-feira ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e assinada por cerca de 200 personalidades, entre deputados, intelectuais e artistas, exige que o governo brasileiro rompa relações diplomáticas e comerciais com Israel por causa do que descrevem como "genocídio" em Gaza.
O documento, promovido pelo chamado movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), sublinha a urgência de impor sanções face à escalada de violência na Palestina.
A carta pede um embargo bilateral militar e energético, além da revogação do acordo de livre comércio com Israel.
“É fundamental que o Brasil se junte às nações que sancionaram o regime israelense”, afirmam os signatários, que acusam Israel de violar resoluções da Corte Internacional de Justiça e de desobedecer ao Conselho de Segurança e à Assembleia Geral da ONU.
Entre os signatários estão o cantor e compositor Chico Buarque, a deputada transexual Erika Hilton, o escritor Milton Hatoum, o filósofo Emir Sader, a jurista Carol Proner, a ex-deputada Manuela D’Ávila e o deputado Guilherme Boulos, presidente do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e importante aliado de Lula.
A carta também foi assinada por grupos políticos como o PSOL, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e o Partido da Causa Operária (PCO), além de entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Central Sindical e Popular (Conlutas).
O texto, que está aberto a novas assinaturas, elogia os pronunciamentos de Lula, como a proposta de cessar-fogo, e pede que ele dê o exemplo mundial durante a presidência brasileira do grupo de trabalho da ONU sobre direito internacional, em junho.
O documento argumenta que as sanções são um “mecanismo essencial” para acabar com a “carnificina” e garantir os direitos dos palestinianos, propondo que o Brasil promova a criação de um Estado palestiniano independente.
Após a divulgação da carta, a Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) expressou em nota sua “profunda preocupação” com o documento, que classificou como “inadmissível” por não mencionar os ataques do Hamas ou a situação dos reféns em Gaza.
A carta surge poucos dias depois de Lula, em duro pronunciamento, ter voltado a acusar o governo israelense de perpetrar genocídio em Gaza e afirmado que a ofensiva na Palestina não tem mais relação com o direito de autodefesa ou com o combate ao terrorismo do Hamas, mas faz parte de uma tentativa de limpeza étnica.
“O que vemos hoje em Gaza é uma vingança. O único objetivo da atual fase deste genocídio é privar os palestinianos de condições mínimas de vida para os expulsar do seu território legítimo”, afirmou.
As relações diplomáticas entre o Brasil e Israel estão em baixa desde que Lula comparou a ofensiva militar ao Holocausto nazi e foi declarado persona non grata pelo executivo do Estado judaico.
Após a saída abrupta do embaixador brasileiro em Tel Aviv, em fevereiro do ano passado, Brasília ainda não nomeou o seu sucessor.
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