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Manifestações pela educação em toda a Argentina vão exigir um orçamento a Milei

O Conselho Interuniversitário Nacional (CIN), que reúne os reitores das universidades nacionais argentinas, afirmou que 70% dos salários dos professores e do pessoal não docente universitário se situam abaixo do limiar da pobreza.

O Conselho Interuniversitário Nacional (CIN) da Argentina convocou novamente uma manifestação universitária para a próxima terça-feira, 12 de maio, com o objectivo de exigir que o Governo de Javier Milei cumpra a lei de financiamento universitário que já foi aprovada pelo Congresso Nacional.

A Quarta Marcha Federal Universitária reunirá estudantes, professores, reitores e sindicatos de todo o país, num momento em que se intensifica o confronto entre o Executivo e as universidades públicas em torno do orçamento, dos salários e do financiamento.

O protesto terá eco em todas as províncias do país, onde mais de 60 universidades se mobilizarão para exigir alterações relativamente ao congelamento orçamental, à perda salarial e ao incumprimento da Lei de Financiamento Universitário.

Por seu lado, a secretária-geral da Federação Nacional de Docentes Universitários (Conadu), Clara Chevallier, referiu que «o Governo tem vindo a dar golpes de desespero, tentando bloquear judicialmente uma lei que foi votada e aprovada por duas vezes pelo Congresso Nacional.  Nós, sindicatos, temos sempre claro que o principal campo de batalha não é o judicial, mas sim a ação sindical. Por isso, para esta terça-feira esperamos uma marcha massiva que, além de defender a universidade, sirva para articular essas revoltas que estamos a viver de forma privada, de maneira isolada.  Tristezas que têm a sua origem no governo de Javier Milei». E acrescentou que «esperamos que o dia 12 de maio seja o início do fim deste governo».

Por seu lado, a secretária-geral da Federação Universitária de Mar del Plata, Abril Miranda, afirmou: «Reconhecemos que existe uma repercussão directa do ajuste nas universidades nacionais, que enfrentam enormes dificuldades para garantir o funcionamento básico. Nós, estudantes, vivemos numa situação de pluriemprego e, tal como os docentes, temos de manter dois ou mais empregos para conseguirmos sobreviver. Cada vez mais alunos abandonam as aulas, por não conseguirem suportar as despesas de transporte, materiais de estudo e outras».

Na semana passada, a Universidade de Buenos Aires (UBA) tinha alertado para possíveis encerramentos de hospitais universitários devido à falta de fundos. «Desde o início do ano, o Governo Nacional não enviou fundos para o funcionamento operacional dos hospitais», sublinhou.

A isto juntou-se a declaração do diretor do Hospital de Clínicas, Marcelo Melo, que sublinhou a «grave situação económica» que as instituições atravessam «devido ao facto de, nos últimos quatro meses, não termos recebido nem sequer um peso do orçamento de funcionamento hospitalar. O que é que isto significa? Que o hospital não pode comprar consumíveis, medicamentos nem pagar honorários«, afirmou.

Por seu lado, a plataforma El Destape web referiu que “desde que assumiu em dezembro de 2023, Javier Milei incluiu os salários dos trabalhadores universitários e o orçamento destinado às instituições de ensino superior no seu conjunto de vítimas do ajuste mais brutal que os argentinos sofreram — e continuam a sofrer — nos últimos anos”.

Além de destacar os salários indignos, o professor da Universidade Nacional de Luján e membro da direção da Conadu Histórica, Patricio Grande referiu que «para recuperar os salários que tínhamos no mês de dezembro de 2023, hoje teríamos de receber, tal como indica esta lei, um aumento superior a 50 por cento».

Isto vem somar-se a uma realidade em crise que o Tiempo argentino alerta: «Milhares e milhares de pessoas angustiadas, cansadas, resignadas, que cada vez mais evitam os transportes públicos porque estes se tornam cada vez mais complicados e caros; que agora fazem contas para ver como vão enfrentar o inverno com os aumentos do gás; alugueres de apartamentos de dois quartos que já se aproximam dos 800 000 pesos; e aqueles que têm carro veem que encher o depósito custa mais de 120 000».

Outros dados divulgados pela imprensa local indicam que, nestes 30 meses de governo do La Libertad Avanza, as universidades sofreram um corte superior a 45% e os salários no ensino superior registaram uma redução acumulada de 33,7%.

Entretanto, o Conselho Interuniversitário Nacional (CIN), que reúne os reitores das universidades nacionais argentinas, afirmou que 70% dos salários dos professores e do pessoal não docente universitário se situam abaixo do limiar da pobreza e que os fundos atribuídos pelo Estado não são suficientes para a manutenção mínima das infraestruturas universitárias.

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