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México confirma continuidade dos envios de petróleo a Cuba, apesar do bloqueio dos EUA.

A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, precisou que a continuidade dos envios de petróleo a Cuba se baseia em acordos contratuais e num firme compromisso humanitário.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, confirmou nesta quarta-feira, 21 de janeiro, em conferência de imprensa, a continuidade dos envios de petróleo a Cuba, com o objectivo de mitigar os obstáculos impostos pelo cerco económico dos Estados Unidos, em vigor há mais de seis décadas.

Esta decisão reafirma a posição solidária do país latino-americano com o povo cubano, que enfrenta uma grave crise energética. «Se o México puder ajudar a criar melhores condições para Cuba, estaremos sempre presentes. É uma relação com o povo cubano em condições muito difíceis», declarou a chefe de Estado, que enfatizou que o fornecimento de petróleo é feito «tanto por contrato como por razões humanitárias».

A mandatária mexicana destacou a natureza e o impacto do bloqueio, instituído em 1962, que vem intensificando as sanções contra os países que apoiam Cuba. «Não é possível importar e exportar livremente, então as condições de desenvolvimento de um país são muito difíceis», afirmou Sheinbaum. Ela lembrou ainda que o México se opôs historicamente a essa medida coerciva, que é condenada pela grande maioria das nações na Assembleia Geral das Nações Unidas. «Quando há um bloqueio extremo, as pessoas passam por dificuldades, e o México sempre foi solidário», acrescentou a presidente.

Sheinbaum afirmou que a diplomacia mexicana é regida por princípios constitucionais rigorosos, que limitam a suspensão das relações com outro país apenas a situações de golpes de Estado ou afronta direta contra o México ou a sua população.

Apesar da informação divulgada em janeiro pelo jornal britânico Financial Times que apontava o México como o principal fornecedor de petróleo de Cuba em 2025 e das críticas emitidas por setores da direita que questionam esses envios, a presidente considerou que eles representam uma parcela reduzida da produção total de petróleo do México.

«É muito pouco o que se envia, mas é um apoio solidário a uma situação de penúria, de dificuldade que vive um povo», afirmou Sheinbaum.

As informações divulgadas pelo jornal britânico Financial Times, indicam que as exportações para Cuba registraram um aumento significativo, atingindo uma média de 12.300 barris por dia, de acordo com estimativas internacionais.

No entanto, em dezembro de 2025, a Petróleos Mexicanos (Pemex), a petrolífera estatal, informou à bolsa de valores dos Estados Unidos sobre envios de 17.200 barris diários de petróleo bruto e 2.000 barris adicionais de produtos petrolíferos para a ilha. De acordo com o mesmo jornal britânico, esses envios de petróleo mexicano para Cuba registaram um aumento de 56% em relação ao ano de 2024 e representaram cerca de 44% das importações cubanas de petróleo bruto.

A presidente enfatizou que o México é uma nação fraterna e que, assim como o país recebe solidariedade internacional em momentos de crise, tem o dever moral de retribuir. Sheinbaum destacou que a essência do povo mexicano é ser solidário com aqueles que passam por dificuldades, garantindo que o seu governo estará sempre disposto a criar melhores condições para Cuba.

Neste contexto, defendeu a exportação de petróleo bruto para a ilha como um ato de autodeterminação face às pressões externas.

De acordo com os dados mais recentes, o embargo de Washington a Cuba causou prejuízos estimados em 7.556,1 milhões de dólares entre março de 2024 e o mês de fevereiro de 2025, o que representa um aumento de 49% em comparação com o período anterior.

No âmbito da saúde, esta política provocou perdas próximas dos 300 milhões de dólares num único ano, apenas um ano, enquanto que no sector energético, , o impacto ascende a mais de 496 milhões devido às limitações na importação de combustíveis e peças sobressalentes.

No dia 29 de outubro, Cuba obteve uma nova vitória na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), ao conseguir 165 votos a favor da resolução que solicita o levantamento do embargo.

Fonte:

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