Não é a partir da Europa, é percorrendo Cuba a pé
"Cuba resiste com a verdade do seu lado. E hoje, mais uma vez, a verdade foi defendida em Genebra. Temos inúmeras razões para continuar a defendê-la."
Hoje, Genebra pronunciou-se, e foi muito clara. Na sede europeia das Nações Unidas, o Conselho dos Direitos Humanos ouviu o relatório mais contundente que já foi apresentado sobre o impacto do bloqueio contra Cuba, e nenhuma delegação se atreveu a defender a conduta dos Estados Unidos.
DANITA GONZÁLEZ: O relatório tem por ponto de partida a visita que a então relactora especial Alena Douhan realizou à ilha, em novembro passado. Ela reuniu-se com o presidente Díaz-Canel, com médicos, com representantes do sector privado, com o sector bancário, com jornalistas e com organizações da sociedade civil. Não se trata de um documento elaborado numa secretária na Europa, mas sim de um documento elaborado ao percorrer Cuba.
DANIEL: E o que descobriu não deixa margem para ambiguidades. O cerco energético que Washington impôs desde janeiro deste ano agravou uma crise que já era humanitária: mais de cem mil doentes cubanos à espera de cirurgias adiadas, doze mil dos quais crianças. Escassez de medicamentos. E um número que deveria pesar na consciência de qualquer pessoa: a mortalidade infantil em Cuba passou de 4,4 por cada mil nascidos vivos em 2018 para 9,9 em 2025.
DANITA: Não é a Cuba que diz isso de si própria. São as Nações Unidas que o dizem.
DANIEL: E hoje, na sessão, a nova relactora, Zaina Jallad, não foi nada branda: tal como a sua antecessora, exigiu o levantamento imediato das medidas coercivas. Formulou dez recomendações concretas aos Estados Unidos, entre as quais a retirada de Cuba de uma lista de países que apoiam o terrorismo, na qual Cuba nunca deveria ter sido incluída.
DANITA: Mas o mais revelador do dia não foi o relatório em si, mas sim a sala. O embaixador Rodolfo Benítez resumiu tudo com uma frase que já está a circular: os Estados Unidos dizem que não há bloqueio nem cerco energético, e este relatório desmascara o mentiroso.
DANIEL: E eis o dado que realmente importa para quem nos está a ler esta noite: o ministro dos Negócios Estrangeiros Bruno Rodríguez referiu que nenhuma delegação do Conselho defendeu a actitude de Washington. Nenhuma. Num organismo composto por 47 países, com visões políticas distintas e interesses diferentes, não houve uma única voz que se levantasse para defender o bloqueio.
DANITA: E isto acontece apenas dois dias depois de o próprio ministro dos Negócios Estrangeiros ter apresentado, em Havana, o relatório nacional atualizado: 8 083 milhões de dólares em prejuízos num único ano, o valor mais elevado de sempre. O total acumulado ao longo de mais de sessenta anos já ultrapassa os 178 mil milhões de dólares.
DANIEL: São números que, por vezes, são ditos rapidamente e passam despercebidos. Mas por trás de cada milhão há uma cirurgia que não foi realizada, um bebé que não chegou, uma fábrica que não conseguiu comprar a peça de que precisava.
DANITA: A mensagem é contundente e objetiva, Daniel: quando as Nações Unidas documentam, com dados irrefutáveis, o custo humano de setenta anos de cerco, e nem uma única nação o justificou, isso demonstrou o isolamento da política norte-americana em relação ao povo cubano.
DANIEL: Não estamos sozinhos. Foi esse o espírito que se viveu hoje em Genebra: delegações que não precisam de gostar de Cuba para reconhecer a injustiça documentada.
DANITA: E esse é o verdadeiro valor deste 9 de setembro: não é que o mundo tenha pena de nós, mas sim que o mundo, com provas em mãos, já não acredita naquele que cria a crise e depois pergunta por que é que dói.
DANIEL: Cuba resiste com a verdade do seu lado. E hoje, mais uma vez, a verdade foi defendida em Genebra. Temos inúmeras razões para continuar a defendê-la.
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