Cuba

Cuba apresenta à ONU uma denúncia contra o bloqueio energético dos EUA

Havana, 7 de julho (Cuba Soberana) Cuba vai denunciar hoje perante a Assembleia Geral da ONU o cerco energético imposto pelos Estados Unidos, no meio de uma ofensiva diplomática de Washington para impedir que o organismo internacional aborde as consequências humanitárias do bloqueio.

O ministro dos Negócios Estrangeiros Bruno Rodríguez lidera a delegação cubana nesta sessão de carácter urgente, na qual Havana apresentará uma denúncia formal contra as acções agressivas dos Estados Unidos, incluindo o bloqueio energético que tem colocado em risco serviços essenciais como a saúde, a alimentação e os transportes.

O embaixador Jorge Luis Pedroso confirmou que a denúncia se insere no contexto da gravidade de uma agressão multidimensional que abrange as vertentes económica, política, comunicacional e até mesmo uma eventual agressão militar.

A denúncia cubana surge num contexto de intensas pressões diplomáticas por parte dos Estados Unidos para impedir que a ONU debata os efeitos do bloqueio.

Um telegrama do Departamento de Estado, assinado pelo secretário Marco Rubio e divulgado pela revista The Nation, insta os embaixadores norte-americanos em todo o mundo a «impedir que as Nações Unidas abordem, esta terça-feira, os efeitos da política económica agressiva sobre o povo cubano».

O documento, revelado pelos jornalistas Peter Kornbluh e Ken Klippenstein, procura silenciar o debate internacional sobre o bloqueio ou, na sua falta, atribuir ao governo cubano a responsabilidade pela grave crise económica que o país atravessa, agravada em 2026 pelo cerco energético que impede o fornecimento de combustíveis.

«O telegrama confirma o que Cuba tem vindo a denunciar: Washington não só mantém o bloqueio, o cerco energético e as sanções financeiras, como também tenta silenciar o debate internacional sobre as suas consequências humanitárias», afirmam os autores no artigo publicado pela revista The Nation.

Além disso, adverte os países que tradicionalmente têm apoiado Cuba nas Nações Unidas para que sejam «extremamente cautelosos» nas suas intervenções e evitem comentários favoráveis a Havana, sob a ameaça expressa de que tais declarações possam gerar «atritos» nas relações bilaterais com os Estados Unidos.

Em declarações à imprensa, o embaixador Pedroso afirmou que o cerco energético a que Cuba está sujeita, juntamente com outras medidas de intensificação extrema do bloqueio, constitui «um ato de genocídio, um castigo coletivo e uma violação maciça, flagrante e sistemática dos direitos humanos do povo cubano».

O diplomata sublinhou que o debate de hoje na Assembleia Geral se caracteriza pela urgência e pela gravidade da situação que a ilha atravessa.

«Não se trata de uma situação de agressão hipotética, não se baseia numa simples avaliação de riscos. É uma agressão que está a decorrer, uma agressão multidimensional: económica, política, comunicacional e que também contempla uma eventual agressão militar», salientou.

A Assembleia Geral da ONU condenou, em 31 votações consecutivas e por esmagadora maioria, o bloqueio contra Cuba, um apoio que Washington procura neutralizar através da intimidação diplomática.

De acordo com a revista The Nation, a administração Trump não quer debater o assunto porque sabe que a maioria do mundo se opõe a «essa política ilegal, cruel e extraterritorial».

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