Cuba

O que deve saber sobre o debate da ONU desta terça-feira contra o bloqueio?

A delegação cubana, presidida por Bruno Rodríguez Parrilla, membro do Bureau Político e ministro dos Negócios Estrangeiros, apresentará à Assembleia Geral um relatório sobre a gravidade da situação que o país enfrenta com o agravamento do bloqueio e do cerco energético impostos pela administração Trump à ilha

Pela primeira vez, Cuba solicitou que fosse submetido a debate urgente na ONU o ponto 38 da ordem de trabalhos dessa organização multilateral, intitulado: Necessidade de pôr fim ao bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba.

A delegação cubana, presidida por Bruno Rodríguez Parrilla, membro do Bureau Político e ministro dos Negócios Estrangeiros, apresentará à Assembleia Geral um relatório sobre a gravidade da situação que o país enfrenta com o agravamento do bloqueio e do cerco energético impostos pela administração Trump à ilha. 

PRINCIPAIS IDEIAS DO MINISTRO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS CUBANO SOBRE A URGÊNCIA DESTE DEBATE

  1. As acções agressivas do Governo dos EUA contra Cuba incluem a ameaça de agressão militar direta, em violação do direito internacional e da paz e segurança internacionais e regionais.
  2. O actual cerco energético, juntamente com outras medidas de intensificação extrema do bloqueio, constitui um acto de genocídio, também caracterizado como uma punição coletiva e uma violação dos direitos humanos dos cubanos e do direito internacional humanitário.
  3. Estes actos causam danos, privações e sofrimentos cada vez maiores ao povo cubano.
  4. Os prejuízos acumulados decorrentes desta política ascendem a cerca de 170 000 milhões de dólares, sem contar com os danos humanitários.
  5. O sofrimento, as privações, a angústia, os cortes de energia, as dificuldades em obter alimentos e medicamentos não podem ser quantificados em números. O dano humano é incalculável.
  6. Trata-se de uma ameaça à existência e ao bem-estar do povo cubano e ao exercício dos seus direitos humanos, bem como à paz, à segurança e à estabilidade regionais.
  7. Trata-se de uma ameaça para qualquer Estado soberano que possa vir a ser alvo de medidas de natureza igualmente agressiva e extraterritorial.
  8. A agressão multidimensional contra Cuba já está em curso e intensifica-se. Trata-se de um crime contra a humanidade em plena execução.
  9. Esta agressão sistémica é reforçada pelo uso do poder comunicacional, digital e mediático monopolista, com o objetivo de isolar e desacreditar Cuba e de tentar justificar o crime que o imperialismo comete contra o nosso povo.
  10. O aparelho diplomático do Departamento de Estado tem tentado impedir que a ONU possa abordar esta questão de interesse global e de enorme urgência, recorrendo a pressões, chantagens e ameaças.

MEDIDAS DOS EUA PARA SILENCIAR O DEBATE INTERNACIONAL SOBRE O BLOQUEIO

Publicações e documentos desmascararam a narrativa do Departamento de Estado, articulada com os meios de comunicação social, para impedir que se realizasse o debate deste dia 7 de julho, complementada por uma intensa mobilização diplomática destinada a pressionar governos e ministérios dos Negócios Estrangeiros, numa tentativa de censurar a sua voz e o seu direito de se pronunciarem a favor do bem-estar do povo cubano.   

  1- A revista The Nation publicou um artigo revelador que expõe que o Departamento de Estado dos Estados Unidos, sob instruções do secretário de Estado, Marco Rubio, enviou um telegrama diplomático às suas embaixadas para pressionar governos e impedir o debate na ONU sobre as agressões contra Cuba.

O telegrama ordena às embaixadas norte-americanas que pressionem os seus países anfitriões a oporem-se ao debate. Caso o debate avance, os EUA pedem aos seus aliados que ataquem Cuba nos seus discursos, que a acusem de incompetência, corrupção e fracasso económico, e que evitem atribuir a culpa da crise ao bloqueio.

«Os Estados Unidos exigem aos Estados não alinhados que «se abstenham de fazer qualquer declaração» na ONU. E para os países que tradicionalmente têm apoiado Cuba, há uma advertência clara: «Os Estados Unidos ouvirão com muita atenção as suas declarações no debate e

«desencorajará o recurso a questões que possam gerar atritos nas nossas relações bilaterais»».

   2- Documentos secretos que estão na origem das pressões:

  • «It’s time for change  in Cuba». («É hora de mudar em Cuba»). Afirma que Cuba constitui uma ameaça direta à Segurança Nacional dos EUA devido ao seu apoio a atores hostis, ao terrorismo e à instabilidade regional, e complementa o decreto presidencial n.º 14404.
  • Na primeira linha diz-se: «The regime must reform. Don’t vote for his propaganda». («O regime tem de se reformar, tem de mudar, não votem na sua propaganda»). Da mesma forma, refere-se à próxima votação da resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre o bloqueio a Cuba, que sempre recebeu o apoio esmagador da maioria dos Estados-Membros.
  • «Totalmente calunioso, dedicado a tentar apresentar Cuba como parte beligerante na guerra que decorre na Ucrânia. Cheio de mentiras, sem uma única prova, sem um único dado».

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Fonte:

"Para quem está cansado da narrativa única." 🕵️‍♂️

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