Venezuela

A Venezuela continua as operações de busca e salvamento das vítimas, 12 dias após o duplo sismo

Os trabalhos são realizados através de um esforço coordenado de brigadistas nacionais e internacionais que mantêm a mobilização, apesar do desgaste físico inerente à situação de emergência.

Doze dias após o registo do duplo sismo que abalou a Venezuela na quarta-feira, 24 de junho, este país sul-americano continua a realizar, sem interrupção, os trabalhos de busca, salvamento e localização das vítimas.

Ao prolongar as operações de salvamento para além dos prazos habituais previstos no protocolo internacional, o Estado reafirma a sua determinação em manter as operações enquanto existir a mínima possibilidade de encontrar sobreviventes sob as estruturas desmoronadas.

Os parâmetros previstos nos manuais internacionais sugerem, geralmente, a suspensão das operações de resgate num período que oscila entre 5 e 7 dias após um sinistro. Esse intervalo corresponde ao encerramento estimado da chamada «janela biológica», que avalia cientificamente as probabilidades de sobrevivência de pessoas presas que não dispõem de água nem alimentos.

A nível internacional, o quadro normativo público das Nações Unidas, regulado pelas Orientações do Grupo Consultivo Internacional para Operações de Busca e Salvamento (INSARAG, na sigla em inglês) e apoiado pela Resolução 57/150 da Assembleia Geral, esclarece que o organismo multilateral não é responsável por decretar o fim das operações de busca, mas sim por fornecer os critérios técnicos, médicos e logísticos para que o governo local tome essa decisão.

No passado dia 2 de julho, a presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que o Estado ainda não concluiu os trabalhos de busca e salvamento porque «há uma mãe que chora, há um pai que chora, uma irmã, uma avó, um avô ou um tio que sofre pela perda desse familiar, e nós não vamos descansar», salientou.

Nessa mesma linha, Rodríguez acrescentou que existe «uma equipa especializada para determinar se há pessoas com vida num determinado local ou se há cadáveres que devamos recuperar antes de iniciar qualquer outro processo de infraestruturas».

Fotos: @mippci_ven

Os trabalhos são realizados através de um esforço coordenado de brigadistas nacionais e internacionais que mantêm a mobilização, apesar do desgaste físico inerente à situação de emergência. Para além das forças esgotadas e do peso dos dias, é o amor ao próximo e a solidariedade que orientam cada passo desses homens e mulheres que trabalham nas zonas afetadas.

Cada pedra removida com cuidado e cada recanto examinado em silêncio representam uma esperança para as famílias, demonstrando que nos momentos mais sombrios, a união e o calor humano sustentam o país perante a adversidade.

À mobilização do Governo nacional e ao apoio internacional junta-se a solidariedade dos voluntários e de cada cidadão que presta apoio no terreno. São aqueles que enviam ou se deslocam diretamente para oferecer às equipas de resgate uma arepa, um pão ou uma refeição quente para lhes dar forças, um gesto característico da irmandade do povo venezuelano.

De acordo com o comunicado oficial divulgado nesta segunda-feira, 6 de julho, o balanço dos terramotos regista um total de 3 535 mortos, 16 740 feridos e 6 462 cidadãos resgatados. Além disso, o Governo venezuelano informa ter prestado assistência integral a 86 794 famílias, 17 854 pessoas desabrigadas e um impacto estrutural de 856 edifícios afectados e 190 desmoronados, resultante de um fenómeno sísmico que totalizou 1 048 réplicas.

A resposta institucional mantém em funcionamento 82 acampamentos temporários para acolher as pessoas afetadas, enquanto o Executivo avança nas coordenações internacionais com vários países e empresas para aumentar a disponibilidade de abrigos temporários de melhor qualidade.

Até à data, o apoio logístico permitiu distribuir 9 603 toneladas de alimentos, 8 130 036 litros de água e prestar assistência médica directa a 25 016 doentes, sustentando a operação através do destacamento de 29 567 efetivos, 27 930 voluntários e 4 338 socorristas internacionais.

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