Cuba

O socialismo fracassou? A saúde em Cuba diz o contrário

Com uma arrogância presunçosa, o discurso de direita tenta convencer-nos de que o socialismo foi um fracasso. Enche a boca com as suas próprias dificuldades e exalta a suposta "bondade" do sistema capitalista. Mas que benefícios?

Na esfera da empresa privada, das chamadas “democracias de mercado”, tudo, absolutamente tudo é uma mercadoria, algo destinado não só a satisfazer necessidades (muitas vezes inventadas) mas, sobretudo, a gerar lucro para quem o produz. E, curiosamente – ou melhor, infelizmente – quem o produz: o trabalhador, em qualquer das suas manifestações (operário industrial, camponês, proletário rural, empregado de serviços, técnico especializado assalariado – mesmo que tenha mestrados e doutoramentos), mal recebe migalhas desse lucro. O empresário, também em qualquer das suas formas: industrial, banqueiro, latifundiário, fica praticamente com tudo. Não me parece muito justo. É esse um dos benefícios? Para a grande maioria das pessoas: não.

Como já disse: no capitalismo tudo é feito para vender, para que alguém – o mais pequeno – possa ganhar dinheiro. Mas e os mais? Nós, a grande maioria, somos obrigados a passar privações. A parafernália natalícia já começou… apesar de faltarem quatro meses para as férias! Os centros comerciais começam a encher-se de decorações e de um longo etc., tudo pronto a ser consumido. Somos obrigados a gastar o que não temos para celebrar uma festa que já não é religiosa e que, dizem-nos, cria um “espírito de amor e de paz”. Mas, no rescaldo, descobrimos a verdadeira face do capitalismo: exploração e miséria para a grande maioria da população mundial (que nunca vive em “amor e paz”). Este facto torna-se evidente quando surgem doenças graves.

Num qualquer país da América Latina (pode ser qualquer país, mesmo qualquer continente do Sul global) tenho uma pessoa muito próxima de mim – e, aliás, muito querida – que sofre de uma doença grave. O tratamento exige um grande investimento financeiro. O que é que se faz nesse caso? Se tiver recursos, pode efectuar o tratamento no âmbito de um consultório privado (mais uma mercadoria, como tudo o que se destina ao mercado: comida, casa, sapatos, metralhadora, universidade privada, cadeira de rodas, dose de crack, e um longo e interminável etc.). Se não tiveres esses recursos… vai para o hospital público, ou resigna-te!

Mas ir ao sistema público de saúde, sabemos, é praticamente uma condenação. Os planos neoliberais que nos esmagaram nos últimos anos – e continuam a esmagar-nos, sem dúvida – privatizaram tudo o que podia ser privatizado, vendo a saúde pública como uma “despesa” social, e não como um investimento necessário e indispensável para a população. A palavra de ordem passou a ser “se puderes pagar, paga e provavelmente ficarás curado”; se não, “confia-te ao Altíssimo”, e o Supremo Criador, na sua eminente sabedoria, decidirá se vives ou não, para cujo filho teremos de comprar muitos presentinhos evocando o seu nascimento milagroso, neste dezembro ainda distante.

Haverá aí alguma bondade? Não me parece. A saúde, de acordo com as declarações dos direitos do Homem, é um desses direitos inalienáveis. Mas o que é que acontece no capitalismo quando tudo está subordinado à carteira?

As Brigadas Médicas Cubanas são um exemplo claro de que é possível conceber a saúde de uma forma diferente, não apenas como uma mercadoria.

A saúde não pode ser apenas mais um bem de consumo. Por que razão os confinamentos forçados, com recolher obrigatório em alguns casos? Porque os sistemas públicos colapsados pela privatização não garantiam a eficiência. Cuba – embora a imprensa comercial não o mencione – com uma abordagem socialista da saúde pública, atravessou a pandemia em muito melhores condições do que as potências capitalistas.

Mostram-nos os enfeites, os centros comerciais a transbordar de mercadorias, o relógio de 42 milhões de dólares de Jeff Bezos, um superdesportivo Bugatti de oito milhões de euros ou a mansão Antilia do magnata Mukesh Ambani, em Bombaim, na Índia, que vale milhares de milhões de dólares (com três heliportos e uma garagem para 168 veículos), enquanto 20 000 pessoas morrem todos os dias no mundo por falta de alimentos, apesar de a humanidade produzir hoje o dobro dos nutrientes necessários para alimentar perfeitamente toda a população mundial.

Quando as doenças graves batem à porta e são necessárias despesas avultadas, para além do sofrimento que causam ao doente e a quem o rodeia, vemos o que significa socialismo: dignidade. Na Cuba socialista todos os cuidados de saúde são gratuitos. Porque é que insistem em dizer-nos que o socialismo falhou?

Fonte:

Autor:

Marcelo Colussi

Marcelo Colussi, Cientista político, professor universitário e investigador social. Nascido na Argentina, estudou psicologia e filosofia no seu país natal e vive actualmente na Guatemala. Escreve regularmente em meios electrónicos alternativos. É autor de vários textos na área das ciências sociais e da literatura.

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