Os pedidos de extradição entre o México e os EUA devem ser resolvidos «no respeito pelas leis»: Sheinbaum
Cidade do México. A presidente Claudia Sheinbaum Pardo afirmou nesta quarta-feira que os pedidos de extradição e cooperação judicial entre o México e os Estados Unidos devem ser resolvidos «no âmbito do respeito e das leis» de ambos os países, ao mesmo tempo que negou a existência de um conflito bilateral devido a casos pendentes, como o do pedido de detenção para efeitos de extradição contra o governador em licença de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, e outros funcionários e ex-funcionários estaduais, além de um senador.
Na sua conferência de imprensa diária no Palácio Nacional, Sheinbaum Pardo referiu que o México também enfrenta recusas ou atrasos por parte das autoridades norte-americanas em diversos processos judiciais. «Há imensos casos em que solicitámos a detenção de pessoas nos Estados Unidos que são alvo de investigações em curso no México, e os Estados Unidos responderam-nos: “no âmbito da nossa legislação, precisamos de provas”», explicou.
A título de exemplo, referiu pedidos relacionados com o caso Ayotzinapa e com empresários alegadamente ligados ao huachicol fiscal.
«Ainda não temos resposta. Então, poderíamos dizer: “Ah, bem, isto já é um conflito”. Não. Queremos sempre manter boas relações com o governo dos Estados Unidos», afirmou.
Sheinbaum acrescentou que a relação bilateral deve assentar «no respeito pela nossa soberania, no respeito pelas nossas leis, no respeito pela nossa Constituição e na defesa da integridade do nosso território e da dignidade do povo do México. Como iguais, nunca subordinados, nunca baixando a cabeça».
Quando questionada sobre se, durante o seu mandato, Rubén Rocha Moya foi alvo de alguma investigação, respondeu: «Não, tanto quanto sei.»
A Presidente defendeu a legalidade das eleições de 2021 em Sinaloa, nas quais Rocha Moya foi eleito, depois de ter sido questionada sobre denúncias de supostas pressões por parte do crime organizado e de violência durante esse processo eleitoral. Ela indicou que tanto as autoridades eleitorais locais como as federais validaram a vitória do então candidato do partido Morena e salientou que não existiam provas suficientes para anular as eleições.
«O tribunal decidiu que o vencedor era Rubén Rocha e não houve qualquer prova apresentada ao Tribunal Eleitoral que garantisse que tivesse havido algum problema», afirmou.
Salientou ainda que, naquela altura, o Instituto Nacional Eleitoral era presidido por Lorenzo Córdova e questionou o facto de nunca terem sido assinaladas irregularidades graves. «Se a eleição tivesse sido manchada por algum problema de violência, isso teria sido referido», afirmou.
Quando questionada sobre a possibilidade de as autoridades terem iniciado investigações de ofício, Sheinbaum respondeu que não houve denúncias formais. «Ou seja, cinco anos depois, dizem que houve problemas nas eleições de 2021, quando todas as autoridades já afirmaram: “as eleições foram válidas”. Não há nada que possa pôr em causa essas eleições», afirmou.
Sobre as versões que surgiram após a captura e transferência para os Estados Unidos de Ismael El Mayo Zambada, líder do cartel de Sinaloa, e a carta em que ele mencionava uma reunião na qual Rocha Moya teria supostamente participado, a Presidente recordou que a Procuradoria-Geral da República abriu inquéritos sobre esses factos e sobre as circunstâncias da transferência do traficante de droga.
«O Ministério Público da República conduziu a sua investigação. O governador apresentou a sua versão sobre onde se encontrava e o que estava a fazer, e não existe qualquer investigação nesse âmbito contra o governador em licença», afirmou.
Acrescentou que cabe exclusivamente à FGR informar se existem novos inquéritos. «Há assuntos que são da competência do Ministério Público e que ela não divulga, porque o Ministério Público é autónomo», afirmou.
Sheinbaum também se distanciou das opiniões anteriormente expressas por Rocha Moya, quando este era candidato ao cargo de governador, relativamente a possíveis acordos com grupos criminosos para manter a paz. «Não concordo com a posição que o candidato a governador assumiu na altura», afirmou, embora tenha matizado que, embora Rocha Moya tenha expressado isso na altura, «daí a dizer que isso significa que ele tinha acordos, bem, é muito diferente».
A presidente aproveitou para recordar antecedentes de supostas ligações entre figuras políticas e grupos criminosos em governos anteriores e voltou a mencionar o caso de Genaro García Luna. «Se algum outro governo pensa de outra forma, terá sido essa a sua decisão na altura. No nosso caso, não é assim», afirmou.
Sheinbaum Pardo confirmou que Rocha Moya solicitou protecção de segurança após deixar o cargo. «Protege-se a vida da mesma forma que se protege a vida de qualquer pessoa que possa estar em risco», afirmou.
Afirmou ainda que o seu governo não tem informações sobre possíveis acordos entre os filhos de Joaquín El Chapo Guzmán e as autoridades norte-americanas. «Não, nada», respondeu.
Fonte:



