Venezuela

Presidente (E) Delcy Rodríguez: Os direitos históricos da Venezuela sobre a Guayana Esequiba ficaram bem claros

Delcy Rodríguez afirmou que a Venezuela comprovou os seus direitos sobre a Guayana Esequiba com mais de 3 000 páginas de provas. Caracas, disposta a negociar, reitera que o Acordo de Genebra de 1966 é o único instrumento válido para se chegar a uma solução.

A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, confirmou nesta quarta-feira que os direitos históricos da nação sobre a Guayana Esequiba ficaram plenamente demonstrados após a recente apresentação de provas perante o Tribunal Internacional de Justiça. A par da apresentação das provas que sustentam a sua reivindicação, o Governo venezuelano reiterou que não reconhece a jurisdição do tribunal para dirimir a controvérsia territorial.

«Os direitos históricos da Venezuela ficaram bem claros», afirmou Rodríguez ao dar a conhecer a aquisição de mais de 3 000 folhas, que incluem documentos coloniais de 1777, mapas e correspondência diplomática. O acervo documental certifica a nulidade do Laudo Arbitral de 1899 e ratifica a titularidade venezuelana sobre o território desde a sua fundação como república, em 1811.

Defesa da soberania e do Acordo de Genebra

Em declarações proferidas enquanto participava na quarta Expofeira de búfalos, cabras e ovelhas em Caracas, Rodríguez salientou que a Venezuela não se submeterá a mecanismos judiciais para resolver questões vitais, em conformidade com o disposto na sua Constituição. Neste sentido, afirmou que o Acordo de Genebra de 1966 é o único instrumento válido para alcançar uma solução prática e satisfatória para ambas as partes, e não a decisão fraudulenta de 1899.

«A Venezuela está pronta para um processo de negociação com a República Cooperativa da Guiana», salientou também a governante interina, considerando o diálogo direto como a única via possível. Ela esclareceu que a Venezuela não reconhecerá nenhuma decisão da CIJ, independentemente do seu teor, por considerar que esse órgão não tem competência sobre a disputa.

Liderança na pecuária: o maior rebanho do continente

No âmbito económico, durante a quarta Expoferia de búfalos, cabras e ovelhas, Rodríguez destacou que a Venezuela possui um rebanho de entre três e 3,5 milhões de búfalos. Este número consolida o país como detentor do maior rebanho de búfalos do continente e o quinto a nível mundial, posicionando a nação como potência pecuária no hemisfério.

A presidente encarregada ordenou que se avançasse na meta de transformar a Venezuela no principal exportador de produtos lácteos de búfala (incluindo mozzarella e leite em pó) para os mercados da América do Norte, das Caraíbas e da América do Sul. Informou ainda que o país já comercializa material genético e sémen certificado, superando a dependência histórica das importações neste setor.

Superação do bloqueio e potência económica

A mandatária encarregada reconheceu o esforço conjunto dos setores público e privado para impulsionar a economia num contexto de medidas coercivas unilaterais. «Imaginemos como será a Venezuela sem sanções, uma potência económica e produtora de alimentos», afirmou a mandatária ao referir-se ao potencial de crescimento nacional.

Reiterou que a cessação total dos bloqueios é a prioridade da agenda diplomática com os países ocidentais e europeus. O objetivo é garantir que os setores produtivos fiquem isentos de sanções, a fim de consolidar a Venezuela como um ator fundamental no abastecimento alimentar global.

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