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Peru: presidente interino altera agenda devido a protestos em defesa do voto popular

Grupos, sindicatos e cidadãos exigiram transparência eleitoral nas últimas horas em Lima e nas regiões de Chiclayo, Arequipa, Puno e Ayacucho

No meio de mobilizações em defesa do voto popular e da transparência eleitoral, o presidente interino do Peru, José María Balcázar, comunicou este domingo aos cidadãos a sua decisão de encurtar uma viagem oficial à Europa para permanecer em Lima e coordenar acções que garantam a paz social, face à possibilidade de ocorrerem novos protestos enquanto decorre a contagem dos votos do segundo turno.

Embora o Congresso tenha autorizado a viagem de Estado entre segunda-feira, 15, e sexta-feira, 19 de junho, para que o presidente interino se encontre com o Papa Leão XIV no Vaticano e mantenha reuniões com autoridades em Roma e Paris, Balcázar anunciou que viajará no dia 18 para se reunir com o pontífice e regressar à capital peruana.

Considerou prioritária a sua presença no país, à medida que se aproxima o fim da contagem dos votos do segundo turno, no qual se enfrentaram a candidata da extrema-direita, Keiko Fujimori (partido Força Popular) e o candidato da esquerda, Roberto Sánchez (Juntos pelo Peru). À data desta notícia, a contagem estava em 98,593 por cento e o Gabinete Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) informava que não restavam actas por contabilizar, embora seja necessário aguardar 1.305 que serão enviadas ao Júri Eleitoral Especial (JEE).

Nessa fase da contagem, Fujimori tinha 9 milhões 075 mil 116 votos, enquanto Sánchez contava com 9 milhões 056 mil 638 votos. Ela estava à frente na contagem por 18 478 votos, um resultado muito renhido.

Balcázar explicou que, devido à responsabilidade institucional que lhe cabe por liderar o Executivo, deve permanecer em Lima para que não haja interferências nas eleições. Acrescentou que realizará reuniões com a Polícia e as Forças Armadas para avaliar a situação e antecipar cenários que possam exigir a intervenção das autoridades competentes. Salientou a importância de respeitar as marchas dos sectores populares e de que as mobilizações sejam pacíficas.

Foi o que aconteceu neste sábado, quando grupos sociais, sindicatos e cidadãos marcharam pelo centro de Lima. Reivindicações semelhantes de transparência eleitoral e de revisão das irregularidades atribuídas à direita durante a segunda volta foram expressas na região de Chiclayo (norte), bem como em Arequipa, Puno e Ayacucho, estas três no sul do país andino. Alguns manifestantes exigiram aos EUA que respeitem as eleições.

Em consonância com a exigência de transparência, o Juntos por el Perú apresentou, na noite de sábado, um recurso de anulação relactivo a 294 mesas de votação na Argentina. Nesse mesmo dia, anunciou também que irá solicitar a anulação de 1.657 mesas de votação em Lima e de 652 nos EUA. No total, a organização de esquerda referiu que detectou votações com comportamentos completamente anómalos em cerca de 2.400 mesas, cujas actas pretende submeter a escrutínio.

Este domingo, durante uma visita ao sul do Peru, onde conta com mais apoiantes, Roberto Sánchez exigiu às autoridades eleitorais uma recontagem dos votos do segundo turno.

«Reafirmamo-nos na exigência de transparência, respeito pela democracia e pelo voto do nosso povo», afirmou Sánchez, acrescentando que «ninguém tem motivos para se opor a essa recontagem, para que todo o povo saiba, mesmo que seja por um único voto, quem obterá a vitória eleitoral».

Na sexta-feira, Sánchez propôs a Fujimori que apresentassem em conjunto um pedido de revisão da contagem dos votos, mas ela recusou.

Sánchez salientou a importância de se esclarecerem os indícios de irregularidades detetados pelos representantes eleitorais da coligação «Juntos pelo Peru», para que o país tenha estabilidade e se resolva qualquer controvérsia. Paralelamente, exortou os seus apoiantes a defenderem o voto popular através de mobilizações pacíficas e dentro do quadro democrático.

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