Povos indígenas do Equador mantêm greve nacional contra o governo
Os Conaie alertaram que o crime contra o líder Kichwa não pode ficar impune. A greve nacional busca a revogação do decreto que aumenta o preço do diesel e uma solução para a crise na saúde e na educação.
O assassinato do líder Kichwa, Efraín Fuerez, evidencia a violência exercida pelo Governo de Daniel Noboa contra as mobilizações populares, denunciou nesta segunda-feira em coletiva de imprensa a Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE).
O encontro começou com um minuto de silêncio em memória do membro da comunidade Inguinzala, que perdeu a vida devido à repressão estatal em Cotacachi, província de Imbabura.
Os dirigentes das comunidades indígenas responsabilizaram diretamente o Estado pelas violações de direitos humanos que ocorreram durante os dias de protesto e exigiram que a morte do membro da comunidade fosse investigada.
Em seu discurso Alberto Ainaguano, presidente da Confederação dos Povos da Nacionalidade Kichwa (Ecuarunari), rejeitou as tentativas de criminalizar o movimento indígena e repudiou as políticas do Executivo.
“Não somos terroristas, somos povos indígenas”, disse o líder da Ecuarunari, que disse que as decisões de luta são construídas coletivamente. Ele ressaltou que “nunca na estrutura do movimento indígena decidir duas, três, quatro pessoas. Para tomar todas as decisões, povos, organizações, nacionalidades são ouvidos.
Por sua vez, a vice-presidente da CONAIE, Ercilia Castañeda, pediu ao presidente Noboa que abandone sua “postura de guerra” e atenda às demandas sociais.
Pediu à comunidade internacional que observe a situação no país sul-americano. “Actualmente, no Equador, vivemos uma ditadura que pretende que um povo trabalhador se posicione com linhas discursivas ligadas ao terrorismo, ao contrabando”, denunciou.
Castañeda criticou a aprovação de regulamentos sem apoio constitucional e negou a narrativa oficial sobre um suposto subsídio de mais de 1,1 bilião de dólares para o diesel.
Assegurou que os relatórios técnicos do Petroecuador demonstram o contrário, e que o Decreto 126, longe de eliminar os subsídios, o que faz é aumentar o preço do combustível para favorecer setores econômicos próximos ao Executivo “à custa do povo”
⭕ #ParoNacional | En #Ambato, el pueblo Salasaka se moviliza.
— CONAIE (@CONAIE_Ecuador) September 29, 2025
La protesta es un derecho, no un delito. Octavo día de resistencia.#EnUnidad #CONAIE #Ecuador #ParoNacional2025 pic.twitter.com/YyN9uPohcD
O presidente da CONAIE, Marlon Vargas, falou sobre o assassinato do membro da comunidade Efraín Fuerez e advertiu que esse fato “não pode permanecer impunemente”.
Ele também enfatizou que o movimento indígena culpa diretamente o governo de Daniel Noboa, os ministros do Interior e da Defesa e o próprio Estado equatoriano por esse crime.
Vargas exigiu que as organizações internacionais de direitos humanos interviessem imediatamente com uma investigação independente que esclarecesse o que aconteceu e punisse os perpetradores materiais e os líderes políticos do ataque.
O líder também exigiu ao Executivo a cessação imediata da repressão e da violência contra os povos indígenas e os cidadãos em geral, observando que a greve nacional não busca o confronto, mas respostas concretas às demandas históricas.
Nesse sentido, ele lembrou que as demandas do movimento são claras e legítimas: a revogação do Decreto 126 que aumenta o preço do diesel; uma solução urgente para a crise nos sistemas de saúde e educação; o espeto completo ao direito de protesto e organização social; o fim da mineração e da expansão extractiva que ameaça os territórios da comunidade; e a proibição de novas expansões da fronteira do petróleo na Amazónia.
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