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Colômbia: investigação revela estratégia da direita para influenciar as eleições através do medo

De acordo com o relatório, a iniciativa denominada «Plano Júpiter» seria liderada pelo ex-diplomata Jaime Bermúdez, identificado como próximo do ex-presidente Álvaro Uribe.

Uma investigação divulgada pelo Canal de Investigação do Sistema de Meios de Comunicação Públicos da Colômbia revelou a existência de uma estratégia promovida por sectores da direita colombiana para influenciar as eleições presidenciais através da geração de medo e incerteza na população.

De acordo com o relatório, a iniciativa —denominada «Plano Júpiter»seria liderada pelo ex-diplomata Jaime Bermúdez, identificado como próximo do ex-presidente Álvaro Uribe. O esquema teria como objectivo influenciar a intenção de voto através de campanhas nas redes sociais e da pressão exercida por empresas privadas.

A publicação revelou que a iniciativa está em curso há vários meses e teria como objectivo favorecer a candidatura do Centro Democrático, liderada por Paloma Valencia, com vista às eleições previstas para 31 de maio. A estratégia visaria suscitar sentimentos de medo, indignação e desconfiança entre os eleitores.

No âmbito digital, o relatório indica que estão a ser criados conteúdos destinados a desacreditar outros candidatos, entre os quais Iván Cepeda e Abelardo De la Espriell, com o objectivo de posicionar Valencia como uma opção do centro político.

Por outro lado, a reportagem alerta que o plano também incluiria actividades no ambiente de trabalho, dirigidas a funcionários de nível médio e operários, que teriam sido convocados para supostos “workshops democráticos” em diferentes regiões do país.

A este respeito, a vice-ministra das Relações Laborais e Inspeção, Sandra Muñoz, indicou que foram recebidas denúncias sobre estas formações, as quais poderão constituir casos de pressão indevida sobre o eleitorado.

A investigação estima que a estratégia tenha mobilizado mais de sete mil milhões de pesos até março, o que equivale a 1 942 000 dólares destinados à execução destas ações.

Paralelamente, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, reiterou as suas preocupações quanto às falhas do sistema eleitoral e apelou ao reforço da vigilância cidadã durante o processo. Nesse sentido, instou as campanhas a organizarem redes de controlo do voto e a contarem com um grande número de testemunhas nas mesas de voto.

Através de uma mensagem divulgada na rede social X, o presidente também solicitou a participação de especialistas em tecnologia e de profissionais do direito para supervisionar o processo e intervir em caso de eventuais irregularidades.

Petro afirmou que há antecedentes de problemas no sistema de apuramento dos votos e recordou que o Conselho de Estado ordenou, na altura, a modificação do software eleitoral, por considerar que este apresentava vulnerabilidades tanto internas como externas.

Fonte:

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