Presidente Maduro revela conversa “respeitosa e cordial” com Donald Trump
O presidente venezuelano deu detalhes nesta quarta-feira sobre a conversa telefónica «cordial e respeitosa» com Donald Trump, reiterando a sua rejeição a conflitos bélicos e a defesa da diplomacia como via prioritária.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, revelou nesta quarta-feira detalhes da conversa telefónica «respeitosa e cordial» com o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, ocorrida há aproximadamente dez dias. O presidente venezuelano defendeu o diálogo entre os dois países como caminho para a paz e a diplomacia, em meio às crescentes ameaças e ao envio de tropas norte-americanas para perto da costa venezuelana.
Maduro explicou que a chamada foi feita da Casa Branca para o Palácio de Miraflores. Destacou o seu apego à prudência diplomática, aprendida durante os seus anos como ministro das Relações Exteriores e sob a orientação do comandante Hugo Chávez, preferindo a discrição em assuntos de grande importância. “Quando há coisas importantes, em silêncio, elas têm que ser. Até que aconteça”, afirmou o chefe de Estado.
O presidente Maduro afirmou que, se esta chamada significar um avanço para um diálogo respeitoso entre a Venezuela e os Estados Unidos, a diplomacia será bem-vinda. “Os Estados Unidos, todo o seu povo, a sua juventude, estão cansados de guerras eternas”, enfatizou o mandatário, ressaltando que esses conflitos marcaram a psicologia coletiva do povo norte-americano, com exemplos como Vietname, Iraque, Afeganistão e Líbia.
Neste contexto, o presidente invocou o espírito do “Exército Unido Libertador do século XXI”, salientando que a luta pela soberania e independência continua actual. Dez um relato da histórica resistência venezuelana durante a emancipação, evocando uma carta do general espanhol Pablo Morillo ao rei de Espanha. Nela, Morillo expressava a sua preocupação com a tenacidade do povo venezuelano diante da colonização, referindo-se a eles como «feras decididas».
Maduro afirmou que “não só não conseguiram reduzir-nos, como os expulsamos de toda a América do Sul em união com os nossos irmãos colombianos, panamenhos, equatorianos, peruanos, argentinos, uruguaios, chilenos e bolivianos”. O chefe de Estado destacou a figura de Bolívar como “um génio da união, de vencer a intriga, o divisionismo, foi um génio para construir vários corpos do exército».
Dirigindo-se ao ministro do Poder Popular para a Defesa, general Vladimir Padrino López, o presidente explicou a proeza de Bolívar ao comandar «sete corpos de exército simultaneamente». Ele destacou que Bolívar fez isso “sem WhatsApp, sem telefone, sem satélite” e conseguiu «reduzir a pó milhares de homens melhor armados do que nós, que o rei da Espanha enviou em centenas de navios para nos subjugar”. Maduro afirmou que eles não conseguiram naquela época, “nem jamais conseguirão contra nós, venezuelanos”, em referência ao panorama internacional actual que assombra a Venezuela.
Essas reflexões foram feitas pelo presidente Maduro enquanto supervisionava os avanços na Rota de Consolidação do Sistema de Governo Comunal e Popular, no bairro San Blas de Petare, estado de Miranda.




