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Rutte e Von der Leyen anunciam o “fim” de uma era nas relações com os EUA

Segundo ambos os políticos, «a mentalidade mudou».

A Europa não pode «externalizar» a defesa e a segurança do continente para os EUA através da OTAN, como fez durante décadas, afirmaram este domingo a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o secretário-geral da Aliança Atlântica, Mark Rutte, num artigo publicado na revista The Economist.

«Com o passar do tempo, muitos na Europa se habituaram a esta situação e à externalização de grande parte das capacidades de defesa e segurança do continente. A dura realidade e os perigos do mundo actual puseram fim a esta forma de pensar», sublinharam.

Segundo ambos os políticos, «a época em que a Europa delegava grande parte da sua defesa chegou ao fim». Os membros da OTAN no continente estão a rearmar-se, enquanto as despesas com a defesa e a produção aumentam. Estão a abrir-se novas fábricas e as já existentes estão a alargar os seus turnos e linhas de produção, referiram.

«Drones, veículos terrestres não tripulados, sistemas de guerra electrónica… Todos eles são necessários», afirmaram, explicando o aumento do armamento por motivos de defesa.

«A mentalidade mudou. Até mesmo os fabricantes de automóveis civis estão a reconverter as suas instalações para produzir componentes para o sector da defesa, entre os quais sistemas de defesa aérea e drones de longo alcance», acrescentaram, referindo-se à abordagem tecnológica no desenvolvimento de armas «que a guerra moderna exige» para os países europeus que fazem parte da aliança.

Além disso, referiram que os membros da UE e os seus aliados na OTAN precisam de mais aviões de combate, aviões de reabastecimento em voo, navios e submarinos, defesa aérea e antimísseis, drones e sistemas antidrones. A escassez, mais acentuada no que diz respeito a interceptores e sistemas de defesa contra drones, deve-se aos fornecimentos de armas à Ucrânia e aos países envolvidos na guerra no Médio Oriente contra o Irão.

«A nossa capacidade de produção atual não é suficiente para satisfazer a procura», concluíram. 

Funcionários do Pentágono

De acordo com um relatório do Instituto de Kiel, com sede na Alemanha, os países da Europa continuam a ser estrategicamente dependentes dos EUA em toda a cadeia de operações militares”. Acrescenta que não dispõem de uma base logística própria para sustentar um conflito, pelo que dependem do «sistema operacional» do Pentágono, que inclui serviços de informações, satélites de vigilância e defesa antiaérea.

Segundo o artigo, os planos actuais de Washington inscrevem-se num esquema denominado «OTAN 3.0». No âmbito desta estratégia, exige-se que as nações europeias aumentem as despesas militares e assumam a liderança da sua própria defesa face a um conflito convencional, enquanto os EUA se limitariam a fornecer apenas um «guarda-chuva» nuclear.

Crítica severa de Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insiste para que os países da OTAN aumentem as suas despesas militares, argumentando que  Washington investe «milhares e milhares de milhões de dólares a mais» do que as nações europeias, apesar de o Oceano Atlântico separar os EUA daquilo que o bloco considera serem as suas ameaças imediatas. Por isso, exige que todos os aliados aumentem a sua contribuição para 5 % do PIB até 2035.

Assim, Trump lançou na quinta-feira uma crítica ao investimento militar alemão e de outros aliados, como o Reino Unido, a França e a Itália, argumentando que Washington gasta «muito» mais do que qualquer outro Estado-membro da OTAN. «É ridículo que os EUA continuem por este caminho unilateral quando a relação não é recíproca! Eles não estiveram lá para nos apoiar!», afirmou.

  • Moscovo tem insistido repetidamente que o fluxo de armamento ocidental para a Ucrânia não alterará o equilíbrio estratégico no campo de batalha.  Além disso, a Rússia tem sido clara nas suas advertências: qualquer arma de origem ocidental fornecida ao regime de Kiev será considerada um alvo legítimo para as suas forças militares. O país euro-asiático tem denunciado repetidamente que muitas armas fornecidas pelo Ocidente à Ucrânia chegam a grupos criminosos no estrangeiro.

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