Trump ameaça o Irão com uma “armada” maior do que a que está na Venezuela
Teerão advertiu que está pronta, com o "dedo no gatilho", para repelir qualquer agressão dos EUA ou de Israel.
O Departamento de Guerra dos EUA destacou uma “grande armada” de navios de guerra e outros recursos militares para perto do Irão, afirmou o presidente dos EUA, Donald Trump, insistindo, no entanto, que a diplomacia continua a ser uma opção.
No início deste mês, Trump teria estado prestes a ordenar ataques contra alvos iranianos em resposta a uma violenta repressão a protestos anti governamentais que deixou milhares de mortos, segundo vários grupos de direitos humanos. Embora tenha adiado essa decisão, recursos militares continuaram a ser enviados para a região.
Numa entrevista à Axios na segunda-feira, Trump afirmou que a situação com o Irão continua «em fluxo».
“Temos uma grande armada ao lado do Irão. Maior do que a da Venezuela”, afirmou, referindo-se ao reforço naval dos EUA perto da nação sul-americana, que levou à captura do líder venezuelano Nicolás Maduro.
Ao mesmo tempo, Trump sugeriu que Teerão deseja genuinamente negociar um acordo, afirmando: “Eles ligaram várias vezes. Eles querem conversar.”
O elemento central do reforço é o grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln, que o Comando Central dos EUA (CENTCOM) confirmou estar agora a operar no Médio Oriente. Também foram destacados caças F-15 e F-35 adicionais, aviões-tanque de reabastecimento e sistemas de defesa aérea. O comandante do CENTCOM, almirante Brad Cooper, visitou Israel no sábado para discutir planos militares conjuntos.
Em resposta, o general Mohammad Pakpour, do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão (IRGC), emitiu uma advertência severa no fim de semana. Ele afirmou que o IRGC está “mais pronto do que nunca, com o dedo no gatilho” para defender o país e prometeu consequências “dolorosas” para qualquer agressão dos EUA ou de Israel.
Teerão advertiu Washington contra “quaisquer erros de cálculo”, culpando os EUA e Israel por instigarem a grave agitação interna no Irão. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou recentemente que mais de 3.000 pessoas foram mortas durante os violentos protestos que começaram no final de dezembro.
A administração Trump parece dividida quanto à forma de proceder. Alguns funcionários teriam defendido a aplicação da “linha vermelha” do presidente para punir Teerão, enquanto outros questionaram qual seria o objetivo estratégico alcançado com os bombardeamentos.
Washington há muito tempo pressiona por um acordo que exigiria que o Irão se livrasse de todo o seu urânio enriquecido, limitasse o seu arsenal de mísseis, cessasse o apoio a representantes regionais e abandonasse o enriquecimento independente de urânio — termos que o Irão não demonstrou disposição para aceitar.
Fonte:

