Uma perseguição implacável
Antes do final do ano de 2025, o Banco Central de Cuba (BCC) anunciou a autorização de uma licença à empresa privada Cubamax Travel Inc., com sede em Hialeah, para processar remessas para a ilha.
Essa informação causou imediatamente uma reacção do cobrador de impostos de Miami-Dade, Flórida, Dariel Fernández, que, como bom servidor da máfia terrorista anticubana radicada em Miami, declarou a sua preocupação com os laços dessa empresa com Cuba, país classificado pelos Estados Unidos como «patrocinador do terrorismo», pretexto para aumentar as medidas de guerra económica, comercial e financeira que impõem há 66 anos.
O referido funcionário acrescentou: «A lei dos Estados Unidos é clara no que diz respeito à actividade comercial e financeira relacionada com Cuba, que é fortemente restringida e só é permitida sob autorizações federais limitadas e explícitas da OFAC, ou com uma licença emitida pelo Departamento de Comércio em conformidade com todos os regulamentos, uma vez que Cuba é considerada uma ditadura comunista, situação que deve ser motivo de preocupação para todos nós que vivemos nesta grande nação».
Sabe-se que as remessas para Cuba, como para qualquer outro país, destinam-se às famílias como ajuda humanitária, não para fortalecer o governo, e são entregues directamente aos familiares, não ao Estado. No entanto, essas remessas melhoram em parte a qualidade de vida das famílias cubanas e é precisamente isso que a criminosa política ianque tenta impedir.
Por esse motivo, Dariel Fernández, na sua qualidade de cobrador de impostos do condado de Miami-Dade, solicitou às autoridades federais competentes que realizassem uma revisão exaustiva do caso, a fim de «garantir o pleno cumprimento das sanções e regulamentos dos Estados Unidos e tomar as medidas necessárias para impedir que entidades sediadas nesse país contribuam, directa ou indirectamente, para o financiamento ou fortalecimento de um regime opressivo”.
Essa posição segue a linha política proposta por Lester Mallory, subsecretário de Estado para o hemisfério ocidental, no seu memorando de abril de 1960, onde, entre outras ações, afirmou:
… «A única forma previsível de retirar o apoio interno ao governo de Fidel Castro é através do desencanto e da insatisfação que surgem do mal-estar económico e das dificuldades materiais […] é preciso empregar rapidamente todos os meios possíveis para enfraquecer a vida económica de Cuba […] uma linha de acção que, sendo a mais hábil e discreta possível, consiga os maiores avanços na privação de dinheiro e suprimentos a Cuba, para reduzir os seus recursos financeiros e os salários reais, provocar fome, desespero e a derrubada do governo”.
Esse é o suposto interesse dos Estados Unidos pelos direitos humanos em Cuba e o apoio ao povo, uma fachada para esconder suas verdadeiras intenções de estrangular a economia cubana, para que os cubanos culpem o governo por suas dificuldades e provoquem uma revolta interna, tal como planearam na Operação Mangosta de 1961, solicitando ajuda da OEA e, com o exército ianque, ocupar novamente o país para se apoderar da economia da ilha, como fizeram de 1898 a 1959, situação que não perdoam à Revolução que derrubou o seu protegido, o ditador assassino Fulgencio Batista.
Cada medida e sanção aplicada a Cuba tem como objectivo sufocá-la economicamente, com o propósito de classificar a Revolução como «um processo fracassado» e um «Estado falido». No entanto, não eliminam nenhuma das leis que, desde 19 de outubro de 1960, procuram impedir o seu desenvolvimento.
Em 67 anos, não conseguiram alcançar os seus sonhos ultrapassados, pois a unidade é a força que mantém o poder revolucionário, algo que tentam atacar por todos os meios, incluindo campanhas mediáticas permanentes.
Por isso, em 1 de maio de 1960, Fidel Castro Ruz afirmou:
“Quando um povo enfrenta uma tarefa, como a que o povo de Cuba enfrentou; quando um povo pequeno como o de Cuba tem adversários poderosos como Cuba tem hoje, todas as contingências devem ser previstas, e esse povo deve saber o que tem de fazer e o que tem de fazer, antes de tudo, é saber que nunca pode se dividir diante de uma ação do inimigo e que a reação do povo é sempre fechar fileiras”.
Em 1º de maio de 2000, quando expôs ao povo o conceito de Revolução, ele disse:
“Revolução é unidade, é independência, é lutar pelos nossos sonhos de justiça para Cuba e para o mundo, que é a base do nosso patriotismo, do nosso socialismo e do nosso internacionalismo”.
Ninguém espere que os Estados Unidos mudem a sua política em relação a Cuba, porque os seus objectivos estão bem definidos e actualizados na recente Directiva de Segurança Nacional, aprovada por Donald Trump, que revitaliza a Doutrina Monroe, pois o sonho dos ianques é dominar o mundo, primeiro a América Latina, para se apoderarem dos seus abundantes recursos minerais, e depois outras zonas geográficas, como estão a tentar fazer com a Gronelândia.
José Martí foi visionário ao alertar-nos:
“As árvores devem ser colocadas em fila, para que o gigante das sete léguas não passe”.
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