Venezuela

Venezuela anuncia o início da campanha “Caribe Soberano 200” em La Orchila

Um aspecto fundamental das manobras é a integração da Milícia Bolivariana e da Polícia Nacional nas operações, com o objectivo de complementar a FANB e concretizar a estratégia do "povo armado e preparado".

A partir do Posto de Comando da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), o ministro da Defesa da Venezuela, G/J Vladimir Padrino López, anunciou o início, nesta quarta-feira, 17 de setembro, da operação Manobra de Campanha “Caribe Soberano 200”, uma série de exercícios estratégicos na ilha de La Orchila. De acordo com Padrino López, essas manobras visam fortalecer a capacidade defensiva e a soberania do país nos mares e costas, num contexto de crescentes ameaças por parte dos Estados Unidos.

As manobras, que se desenvolverão durante três dias, implicam um destacamento maciço de mais de 2.500 efectivos na Base Naval Antonio Díaz, a cerca de 97 milhas náuticas da costa continental do país. Entre os meios mobilizados estão 12 navios da Marinha, 22 aeronaves, 20 barcos da milícia naval e peças de artilharia de campanha, entre outros.

Vários grupos de trabalho conjuntos foram estabelecidos para simular um cenário de conflito e testar a preparação militar do país. O também vice-presidente sectorial de Soberania Política, Segurança e Paz, destacou que a iniciativa foi concebida para reforçar a união entre o povo, as forças armadas e a liderança política.

O exercício inclui uma ampla gama de operações, como o envio de drones armados e de vigilância, bem como submarinos e aeronaves para a vigilância do sector. O grupo de forças especiais será responsável pela infiltração aérea, marítima e terrestre para a obtenção de informações, além do reconhecimento de áreas subaquáticas. No âmbito da inteligência e da guerra electrónica, serão realizadas, entre outras acções, interceptação de chamadas, bloqueios e neutralização de sistemas de comunicação.

Por sua vez, a componente marítima da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) efectuará disparos costeiros, desembarques anfíbios com veículos de combate e manobras de defesa aérea. Em terra, serão realizadas operações de para-quedismo, lançamento de cargas e apoio aéreo táctico, entre outras.

A estratégia civil-militar

Um aspecto fundamental das manobras é a integração da Milícia Bolivariana e da Polícia Nacional nas operações, de forma a complementar as Forças Armadas. A milícia desempenhará papéis cruciais, como a operação de veículos blindados e a coordenação electrónica de navios, enquanto a polícia apoiará o reconhecimento e outras actividades.

Esta participação maciça de civis e militares procura materializar a estratégia do “povo armado e preparado”, um conceito promovido pelo governo bolivariano para transformar a população numa força defensiva contra qualquer agressão externa. As autoridades insistem que, embora sejam um país que procura a paz, estão totalmente preparados para defender a sua soberania.

Anteriormente, Diosdado Cabello, Ministro do Poder Popular para as Relações Interiores, Justiça e Paz, apelou à “defesa implacável” da nação durante um dia de treino militar organizado em resposta à presença de navios de guerra americanos nas Caraíbas.

O ministro afirmou que, em caso de agressão, o país está preparado para uma “guerra de 100 anos”. Cabello sublinhou que, se as forças norte-americanas tentarem “pôr os pés na Venezuela”, serão objecto de uma resposta enérgica e que os venezuelanos sairão vitoriosos.

Dia de treino em massa

O apelo de Cabello coincidiu com a denúncia do ataque de um destróier de mísseis da Marinha dos EUA a um barco de pesca venezuelano em águas venezuelanas. Na sequência deste incidente, milhares de milicianos recém-alistados deslocaram-se a 340 quartéis em todo o país para participar em cursos de formação militar, no âmbito do Plano “O Povo vai ao Quartel”, anunciado pelo presidente constitucional da Venezuela, Nicolás Maduro, com o objectivo de formar os milhões de cidadãos que se juntaram à Milícia Nacional Bolivariana.

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