“Não só a Venezuela”: Trump sobre os planos de lançar ataques terrestres na América Latina
O presidente dos EUA manifestou a sua disposição de lançar uma ofensiva contra qualquer lugar de onde "as drogas estejam a chegar".
Em meio às agressões sem precedentes dos EUA contra a Venezuela, o presidente norte-americano, Donald Trump, declarou que planeia atacar por terra não apenas o país bolivariano, mas qualquer lugar de onde «as drogas estejam a chegar».
Durante um evento em que anunciou a construção de novos navios de guerra, o presidente respondeu a uma pergunta sobre os planos de lançar ataques terrestres na América Latina e se isso se refere apenas à Venezuela ou também a “outros países” da região.
“Qualquer lugar de onde estejam a chegar drogas. Qualquer lugar. Não apenas a Venezuela”, respondeu.
📷❗️ "NO SOLO VENEZUELA" — TRUMP SOBRE LOS PLANES DE LANZAR ATAQUES TERRESTRES EN AMÉRICA LATINA pic.twitter.com/uDfKKtRXTZ
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Ameaças a Maduro e Petro
Ao responder a uma pergunta sobre por que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, deveria levar a sério sua ameaça de ataques terrestres, Trump disse que o líder venezuelano “pode fazer o que quiser”. “Formou-se uma enorme armada, a maior que já tivemos e, de longe, a maior que já tivemos na América do Sul. Ele pode fazer o que quiser”, afirmou.
“Se ele quiser fazer alguma coisa, se quiser fazer o papel de durão, será a última vez que poderá fazer”, advertiu Trump.
🇺🇸 🇻🇪 TRUMP AMENAZA A MADURO: "Si se hace el duro, será la última vez que pueda hacerlo" pic.twitter.com/7r3ORfk5g9
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Ao referir-se ao seu homólogo colombiano, Gustavo Petro, Trump acusou-o novamente de fazer parte do narcotráfico internacional, sem apresentar qualquer prova. “Eles fabricam cocaína na Colômbia, ele não é amigo dos EUA, é muito mau, um tipo mau. É melhor ele ter cuidado, porque fabrica cocaína e a envia para os EUA a partir da Colômbia”, sublinhou.
Depois de ser questionado por um jornalista sobre Petro, a quem classificou como “criador de problemas”, afirmou que há “pelo menos três fábricas de cocaína” no país sul-americano. “É melhor que as feche rapidamente”, advertiu.
🇺🇸🇨🇴 TRUMP AMENAZA A PETRO: "Será mejor que tenga cuidado" pic.twitter.com/Ldh6Zy2UiG
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Maduro: “A Venezuela é irrevogavelmente livre e independente”
Em resposta à escalada de hostilidades desencadeada pelo governo norte-americano para pressionar Caracas, o presidente venezuelano salientou esta segunda-feira que o seu país é “irrevogavelmente livre e independente”. “Temos más notícias para aqueles que esperam que renunciemos aos nossos direitos históricos, à independência, à liberdade e à soberania. A integridade territorial é um direito inalienável, explícito na nossa Constituição sob a doutrina de [Simón] Bolívar”, afirmou.
🇻🇪Maduro: EE.UU. pretende "imponer un gobierno títere"
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Con sus más recientes acciones, EE.UU. estaría pretendiendo "imponer un Gobierno títere que no duraría ni 47 horas", aseguró este miércoles el presidente venezolano, Nicolás Maduro. pic.twitter.com/zKiTNyEc2Q
Venezuela sob o cerco dos EUA.
- Desde agosto passado, os EUA mantêm o maior destacamento militar das últimas décadas nas águas do Caribe, com presença sustentada de recursos navais e aéreos. Inicialmente, Washington justificou essa operação com o argumento do suposto combate ao narcotráfico, responsabilizando, sem apresentar provas, o governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro por contribuir para esse crime.
- Com o passar dos meses, a narrativa oficial de Washington sofreu uma reviravolta previsível. Tal como denunciado pelo governo venezuelano, o suposto foco no narcotráfico deu lugar a um discurso abertamente centrado no controlo e na apropriação ilegal dos recursos energéticos do país sul-americano, num contexto de crescente pressão económica e ameaças de uso da força. Nas últimas semanas, os EUA apreenderam pelo menos dois petroleiros, num ato considerado por Caracas como «roubo» e «pirataria».
- A operação militar norte-americana também teve consequências letais. Mais de 100 pessoas morreram em resultado de mais de uma vintena de bombardeamentos contra pequenas embarcações nas águas do Caribe e do Pacífico, sem que os EUA tenham demonstrado publicamente a ligação destas a atividades ilícitas.
- Perante estas ações, Caracas anunciou que irá recorrer este terça-feira ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para denunciar o que qualifica como agressões militares dos EUA e uma violação do direito internacional. A Rússia declarou na segunda-feira que «oferecerá toda a sua cooperação e apoio à Venezuela contra o bloqueio», enquanto a China repudiou qualquer ação que “violar a soberania e a segurança de outros países ou constituir atos unilaterais de intimidação”.
- Anteriormente, o presidente Nicolás Maduro enviou uma carta aos Estados-Membros das Nações Unidas, na qual alertou sobre “uma escalada de acções extremamente graves por parte do Governo dos EUA”. Na carta, ele advertiu que essas operações ameaçam desestabilizar toda a região do Caribe e o sistema internacional como um todo.
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