A Marcha do Silêncio no Brasil exige justiça 60 anos após o golpe militar
Inspirada na Marcha do Silêncio do Uruguai, a versão brasileira foi incluída no calendário oficial da cidade de São Paulo.
Este domingo, 29 de março, as ruas de São Paulo foram palco da sexta edição da Marcha do Silêncio, uma manifestação que clama por justiça pelos crimes cometidos durante a ditadura cívico-militar (1964-1985) no Brasil.
A marcha do Passeio do Silêncio partiu do antigo centro de tortura DOI-Codi e terminou no Monumento aos Mortos e Desaparecidos Políticos em Ibirapuera. Sob o lema “Aprendendo com o passado para construir o futuro”, a coligação Movimento Vozes do Silêncio, que reúne mais de 100 entidades, reafirma o seu compromisso com o lema «ditadura nunca mais» num contexto em que as feridas da violência estatal permanecem abertas no Brasil.
El analista internacional Ignacio Ramonet, en un nuevo episodio de su pódcast "El Mundo según Ramonet”, comenta cómo la película brasileña “El Agente Secreto” muestra cómo operaban los cuerpos represivos de la dictadura del general Ernesto Geisel contra la población y los… pic.twitter.com/UjsIwyjc6W
— teleSUR TV (@teleSURtv) March 23, 2026
A iniciativa surgiu em 2019 como uma resposta popular às intenções do então governo de Jair Bolsonaro de comemorar o golpe militar de 1964.
Inspirada na Marcha do Silêncio do Uruguai, a versão brasileira foi integrada no calendário oficial da cidade, unindo as denúncias de violações dos direitos humanos do passado com a violência institucional do presente.
Vera Paiva, filha do deputado Rubens Paiva — assassinado pelo regime militar —, destacou que a procissão acolhe agora também as mães de jovens da periferia assassinados pela polícia, sublinhando que, para os sectores mais desfavorecidos, a estrutura repressiva da ditadura não desapareceu totalmente.
Os dados da Comissão Nacional da Verdade documentam o balanço da barbárie do período ditatorial no Brasil: 434 mortos e desaparecidos reconhecidos, 8 300 indígenas assassinados durante o regime e 144 pessoas cujo paradeiro continua desconhecido.
El relator especial de las Naciones Unidas (ONU), Bernard Duhaime, evaluó las disposiciones acogidas por el Estado brasileño para afrontar las violaciones cometidas durante la dictadura militar (1964-1985) en la nación sudamericana.https://t.co/EOXlZ6p9fb
— teleSUR TV (@teleSURtv) April 10, 2025
Os organizadores denunciam que a impunidade do passado alimenta a violência actual, que regista uma média de cinco mortes por intervenção policial por dia no país.
Com velas e rosas, os manifestantes percorrem trajetos carregados de simbolismo histórico, superando tentativas anteriores de bloqueio de estradas. Esta acção visa garantir que o Estado não repita os horrores do fascismo e que se avance finalmente para a verdade e a reparação integral das vítimas da ditadura cívico-militar.
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