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Que danos causou o Irão às bases dos EUA na região?

O Irão causou mais danos às bases militares dos EUA do que se diz publicamente, segundo a NBC News.

Embora tenham passado quase três semanas desde o início da trégua, os danos causados às bases militares dos Estados Unidos pelos ataques iranianos continuam a aumentar, enquanto surgem informações reveladoras nos meios de comunicação, apesar das tentativas de Washington de minimizar a destruição sofrida.

Poucas horas depois de os EUA terem lançado a operação «Fúria Épica» a 28 de fevereiro, o Irão iniciou uma série de ataques de retaliação contra instalações militares norte-americanas no Médio Oriente. Nos primeiros dias dos confrontos, autoridades norte-americanas confirmaram um aumento no número de locais atingidos, sendo a base Príncipe Sultão, na Arábia Saudita, um dos principais alvos da campanha.

A NBC News informou  a 25 de abril, numa investigação exclusiva, citando três funcionários norte-americanos, dois assistentes do Congresso e outra fonte, que os danos infligidos pelo Irão às bases militares dos EUA na região do Golfo Pérsico são muito mais graves do que se reconheceu publicamente e custarão milhares de milhões de dólares em reparações.

Os ataques, de acordo com os dados obtidos pelo canal, atingiram mais de uma centena de alvos em onze bases espalhadas por sete países  – Catar, Emirados Árabes Unidos, Barém, Jordânia, Kuwait, Iraque e Arábia Saudita –, destruindo hangares, armazéns, radares de alta tecnologia, pistas de aterragem e dezenas de aeronaves, incluindo um caça, mais de uma dúzia de drones MQ-9 Reaper e vários helicópteros.

Um dos episódios mais marcantes foi o bombardeamento da base Camp Buehring, no Kuwait, por um caça iraniano F-5, a primeira vez em muitos anos que um avião inimigo tripulado atingiu uma instalação militar norte-americana, apesar das suas defesas aéreas.

Censura na Internet

Ao que parece, a extensão dos danos levou Washington a envidar esforços para limitar a divulgação de imagens de satélite. Em meados de março, a Planet Labs, com sede na Califórnia, suspendeu por 14 dias a publicação de imagens para impedir a sua utilização por «actores adversários» dos Estados Unidos. A 5 de abril, a Bloomberg e a Reuters noticiaram que a Administração Trump solicitou a essa empresa e a outras do scetor que retivessem imagens de «áreas de interesse» devido ao conflito. Isto porque parte do material da Planet Labs divulgado na Internet revelou danos em instalações militares norte-americanas.

Relatórios sobre os danos causados a equipamentos de alto valor — como um avião de alerta antecipado E-3 Sentry (AWACS) e um caça F-35 — apontam para um padrão mais alargado de ataques iranianos dirigidos às capacidades aéreas e de vigilância. Assim, o E-3 teria sido danificado ou destruído num ataque a 27 de março contra a base Príncipe Sultão, enquanto o F-35 teria sido danificado  durante uma missão sobre o Irão e efectuou uma aterragem de emergência, enquanto o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) afirmou que três F-15E foram abatidos sobre o Kuwait num aparente incidente de fogo amigo a 2 de março.

  • Após mais de um mês de hostilidades, Estados Unidos  e o Irão acordaram, no passado dia 7 de abril, uma trégua de duas semanas, que foi prolongada a 21 de abril por Washington.
  • Apesar do cessar-fogo, a situação entre as partes continua tensa, num contexto marcado pelo fracasso das negociações de paz, pelas trocas de ataques verbais e pelo bloqueio naval mútuo imposto aos navios comerciais entre o Golfo Pérsico e o Mar Arábico.

Quando o conflito entrou no seu segundo mês, o número de baixas americanas continuou a aumentar. De acordo com funcionários norte-americanos citados pela Reuters no final de março, o Exército dos EUA confirmou 13 mortos devido a ataques iranianos na região e mais de 300 feridos.

Após a primeira onda, o Irão alargou o alcance das suas acções e, nos dias seguintes, comunicados militares iranianos divulgados pelos meios de comunicação locais referiram como alvos o Campo Arifjan (Kuwait), Príncipe Sultão (perto de Al Kharj, Arábia Saudita) e a base aérea Sheikh Isa (Bahrain), além de se referirem de forma geral a ataques contra posições norte-americanas no Iraque, nos Emirados Árabes Unidos e no Golfo Pérsico. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irão (CGRI) também afirmou ter atacado a Quinta Frota dos Estados Unidos e destruído equipamento militar de “alto valor”.

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A Reuters citou um funcionário norte-americano que afirmou que um ataque iraniano com mísseis e drones, ocorrido a 27 de março contra a base Príncipe Sultão, deixou 12 militares norte-americanos feridos, dois deles em estado grave, e danificou várias aeronaves; algumas notícias indicaram que entre as aeronaves atingidas havia aviões de reabastecimento. Funcionários norte-americanos e árabes citados pelo The Wall Street Journal assinalaram que o mesmo ataque atingiu um Boeing E-3 Sentry (AWACS), uma plataforma-chave de vigilância no valor de 270 milhões de dólares. O CGRI afirmou que o avião ficou «100 % destruído», enquanto dados de rasteamento de voos de fontes abertas indicaram que várias aeronaves desse tipo tinham estado estacionadas na base nas semanas anteriores. O CENTCOM não confirmou publicamente a magnitude dos danos.

Os meios de comunicação iranianos também noticiaram ataques com drones e mísseis contra instalações ligadas aos Estados Unidos no Iraque, com alvos na zona de Bagdade e no complexo Victory Base. A Reuters informou sobre um ataque com drones contra uma instalação diplomática norte-americana perto do aeroporto de Bagdade a 10 de março, seguido de novos ataques com mísseis e drones a 17 de março.

Bases dos EUA no Médio Oriente

Os Estados Unidos mantêm uma rede de cerca de 20 bases militares permanentes e temporárias no Médio Oriente. A maior delas, Al Udeid (Catar), acolhe 10 000 militares e funciona como quartel-general avançado do CENTCOM.

Em meados de 2025, entre 40 000 e 50 000 militares norte-americanos encontravam-se na região, com uma presença significativa no Barém, no Egito, no Iraque, na Jordânia, no Kuwait, no Catar, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos.

RT

Essas bases rodeiam o Irão a oeste e a sul e contam com o apoio naval dos Estados Unidos. A 24 de abril, o CENTCOM anunciou que «pela primeira vez em décadas, três porta-aviões operam simultaneamente no Médio Oriente».

“Acompanhados pelas respectivas alas aéreas, o USS Abraham Lincoln (CVN 72), o USS Gerald R. Ford (CVN 78) e o USS George H.W. Bush (CVN 77) contam com mais de 200 aeronaves e 15 000 marinheiros e fuzileiros navais“, reza a mensagem do CENTCOM publicada no X.

O Irão descreveu todas as bases norte-americanas na região como «alvos legítimos». Até ao final de março, entre os alvos atacados — muitas vezes mais do que uma vez — encontravam-se:

  • a base Naval Support Activity (Bahrain);
  • o aeroporto internacional de Erbil (Iraque);
  • a base de Al Asad (Iraque);
  • o complexo Victory Base (Iraque);
  • a base aérea Muwaffaq Salti (Jordânia);
  • a base aérea Ali Al Salem (Kuwait);
  • Camp Buehring (Kuwait);
  • Campo de Arifjan (Kuwait);
  • a base naval Mohammed Al Ahmad (Kuwait);
  • Al Udeid (Catar);
  • a base aérea de Al Dhafra (EAU);
  • o porto de Jebel Ali (EAU);
  • a Base Aérea Príncipe Sultão.

Parte dos ataques foi confirmada por autoridades norte-americanas ou noticiada pela imprensa internacional, enquanto outros se baseiam principalmente em declarações iranianas.

Os ataques contra bases aéreas norte-americanas visam reduzir a capacidade dos Estados Unidos de realizar operações contra o Irão e obrigar as suas forças a operar a partir de locais mais distantes. As represálias iranianas também se centraram em radares e sistemas de defesa antimísseis, incluindo instalações ligadas ao THAAD e radares de alerta precoce na região.

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