Argentina: o ministro Caputo admite que algo “correu mal” na actividade económica
O ministro Luis Caputo salientou que o processo de concessões e privatizações irá prosseguir até ao final do ano, antecipando novos ataques contra os trabalhadores dos sectores afectados e o esvaziamento das empresas.
No meio de uma grave crise social e económica na Argentina provocada pelo governo de extrema-direita de Javier Milei, o ministro da Economia, Luis Caputo, reconheceu esta terça-feira que a actividade económica «caiu» em fevereiro, num contexto de inflação em março de 3,4 por cento.
Embora tenha admitido um «atraso» em sectores como a indústria e a construção, dois dos mais afectados pelas políticas do governo nacional, Caputo referiu que «não negamos que os dados de catividade de fevereiro tenham sido maus».
O INDEC divulgou que, nesse mês, a economia registou uma queda de 2,1% em termos homólogos; no entanto, o ministro afirmou que «vinha de números recorde. Temos de ter em conta de onde vínhamos», numa tentativa de atenuar a situação.
📌La empresa de neumáticos (FATE) en Argentina, despidió a 920 empleados, profundizando la crisis laboral en el país. Los manifestantes demandan un fallo judicial que asegure 3.000 millones de pesos en indemnizaciones y salarios pendientes. pic.twitter.com/qHVzAiSGYM
— teleSUR TV (@teleSURtv) April 15, 2026
Entretanto, nos últimos 12 meses, a taxa de inflação situou-se nos 32,6 por cento. Desta forma, confirma-se a tendência para um aumento da inflação.
Sem reconhecer os aumentos tarifários que ordena, Caputo atribuiu a culpa à guerra no Médio Oriente. «Durante o mês, registou-se um impacto significativo da guerra no Médio Oriente, em linha com os efeitos observados noutros países. Além disso, a economia continua a atravessar um processo de correcção dos preços relativos, o que se verificou principalmente nos preços dos serviços regulados e nos produtos da carne e derivados», afirmou.
O ministro Caputo salientou que o processo de concessões e privatizações irá prosseguir até ao final do ano e irá gerar receitas de cerca de 2 mil milhões de dólares. A medida antecipa novos ataques contra os trabalhadores dos sectores afectados e o esvaziamento das empresas.
Entre as empresas a privatizar encontram-se a Transener, as centrais térmicas Manuel Belgrano e San Martín, concessões hidroeléctricas, a Belgrano Cargas e Logística, a Intercargo, a Aysa e a Tandanor. Várias destas empresas estão ligadas ao sector energético
6 em cada 10 crianças vivem na pobreza
Neste contexto, no passado dia 14 de abril, Javier Milei encerrou o evento anual da Câmara de Comércio dos Estados Unidos na Argentina (AmCham), no qual também participou grande parte do seu gabinete, e afirmou que não vai «fingir ignorância em relação aos números da inflação».
O presidente reconheceu o seu descontentamento com o índice; no entanto, atribuiu esta situação, não à ineficácia do programa económico, mas sim à situação de guerra a nível mundial.
«A teoria económica e os dados empíricos indicam que o que temos de fazer é manter o equilíbrio orçamental, continuar com a motosserra. Vamos continuar a cortar nas despesas públicas para continuar a baixar os impostos, porque os impostos são um roubo. Vamos retirar todo o dinheiro das ruas até que o índice de inflação entre em colapso», afirmou o líder de extrema-direita.
📹🇦🇷| En Argentina, la deuda externa con el FMI toca los 37.000 millones de dólares, y se sabe que es imparable, mientras el ministro de Economía, Luis Caputo, pide a los ministerios reducir un 20% los presupuestos.
— teleSUR TV (@teleSURtv) April 13, 2026
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Numa realidade em que 6 em cada 10 crianças vivem em situação de pobreza na Argentina, afetando 53,6% das crianças em 2025, Milei referiu que «não vamos desviar-nos do manual de como fazer as coisas bem. Depois, as pessoas podem decidir seguir outro caminho, isso será da responsabilidade dos argentinos, mas quando virem que a economia se recupera e tiramos pessoas da pobreza, possivelmente irão acompanhar-nos para tornar a Argentina grande novamente”.
Outro dado que reflecte a queda acentuada da actividade económica industrial foi apresentado pelo observatório da associação Industriales Pymes Argentinos (IPA), com dados da Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT) publicados este mês. Entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, o país registou a perda de 7.593 postos de trabalho, dos quais 7.336 eram no setor industrial.
O Índice de Confiança no Governo (ICG) de abril situou-se em 2,02 pontos, um valor que representa uma diminuição de 12,1% em relação ao mês anterior. Em março, tinha sido de 2,30 pontos e vinha a registar uma descida mensal desde novembro, quando atingiu 2,47 pontos. Em termos interanuais, o índice diminuiu 13,2%.
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