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Primeiro-ministro canadiano adverte província rica em petróleo contra uma separação ao estilo do Brexit

Alberta planeia realizar um referendo este ano, num contexto de tensões crescentes com Ottawa em relação à energia e à política federal

Os apelos à secessão na província canadiana de Alberta, rica em petróleo, suscitaram comparações com o Brexit por parte do primeiro-ministro Mark Carney, que advertiu contra essa medida e a descreveu como um «bluf perigoso».

A província ocidental deverá realizar uma votação pública em outubro para decidir se permanece como parte do Canadá ou se avança para um referendo formal sobre a independência. A votação, anunciada pela primeira-ministra de Alberta, Danielle Smith, na semana passada, surge na sequência de uma campanha de recolha de assinaturas levada a cabo pelo grupo pró-independência Stay Free Alberta, que apresentou mais de 300 000 assinaturas a exigir um referendo sobre a secessão.

Ao comentar os acontecimentos, Carney disse aos jornalistas na segunda-feira que o Canadá estava «absolutamente mais forte unido.» Referindo-se ao plano de Smith, descreveu a medida como um «bluf muito perigoso», traçando paralelos com o referendo de 2016 no qual o Reino Unido votou a favor da saída da UE.

«Vi em primeira mão o que aconteceu no Reino Unido quando a ideia era: votem nisto, será suave, e depois negociaremos», disse Carney, que foi governador do Banco de Inglaterra durante a campanha do Brexit. « Passados 10 anos, continuam a tentar desfazer aquilo que as pessoas pensavam que não estavam a votar, mas que acabaram por ter”, acrescentou.

Embora Smith tenha afirmado que apoia um «Canadá unido», defendeu a votação como uma forma de os habitantes de Alberta expressarem as suas opiniões sobre o futuro da província.

Alberta é uma das regiões produtoras de energia mais importantes do Canadá e há muito que se encontra em desacordo com o governo federal no que diz respeito a regulamentações ambientais, tributação e acesso a oleodutos. O sentimento separatista tem sido alimentado por alegações de que Ottawa tem travado o desenvolvimento da economia baseada nos recursos naturais da província, embora as sondagens indiquem que a independência total continua a ser uma posição minoritária. 

Carney tem procurado melhorar as relações com Alberta, apoiando novos projectos de infraestructuras energéticas, incluindo um acordo assinado com o governo de Smith no início deste mês que poderá abrir caminho para um novo oleoduto que ligue a província à costa do Pacífico do Canadá.

O acordo tem suscitado críticas por parte de responsáveis da província vizinha da Colúmbia Britânica, bem como de grupos indígenas e ativistas ambientais, que acusaram Carney de abandonar os seus compromissos em matéria de clima.

O debate sobre Alberta surge num momento em que o Canadá continua envolvido numa disputa comercial com os EUA, na sequência do regresso de Donald Trump ao cargo em janeiro. O Canadá tem enfrentado tarifas aduaneiras generalizadas impostas pelos EUA sobre os seus produtos, enquanto Trump se tem referido repetidamente ao país como “o 51.º estado.” Carney já havia alertado Washington contra a interferência nos assuntos do Canadá, incluindo as discussões sobre o futuro de Alberta.

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