As universidades argentinas caíram no ranking mundial devido à redução do financiamento imposta por Milei
Sete instituições recuaram numa das classificações internacionais mais importantes devido ao impacto negativo dos cortes orçamentais na ciência e na tecnologia
As universidades públicas argentinas registaram uma nova queda no ranking global elaborado pelo Center for World University Rankings (CWUR), um dos rankings internacionais mais importantes no âmbito académico, devido aos cortes orçamentais impostos pelo governo neoliberal de Javier Milei.
Embora sete instituições do país tenham conseguido situar-se entre as 2 000 melhores do mundo, todas perderam posições em relação à edição anterior, um resultado que volta a chamar a atenção para o subfinanciamento do ensino superior devido à redução dos recursos destinados à ciência e à tecnologia.
O relatório da edição de 2026 atribui grande parte da queda ao desempenho na investigação, o indicador com maior peso na metodologia de avaliação, representando 40% da pontuação total.
Esta queda reflecte um cenário em que as universidades públicas argentinas enfrentam condições adversas, caracterizadas por um financiamento insuficiente que dificulta a manutenção de projetos, o investimento em equipamento, a modernização de laboratórios e a retenção de profissionais altamente qualificados.
A Universidade de Buenos Aires (UBA) voltou a ser a melhor classificada, ocupando a 423.ª posição a nível mundial, mas recuou várias posições em relação ao ano passado e ficou em sexto lugar na América Latina, região liderada pela Universidade de São Paulo.
Em segundo lugar a nível nacional surge a Universidade Nacional de La Plata (UNLP) na 768.ª posição, seguida pela Universidade Nacional de Córdoba (UNC) na 845.ª posição. Mais abaixo na classificação situaram-se as universidades nacionais de Rosário (1.681), do Litoral (1.739), de Cuyo (1.829) e de Mar del Plata (1.891).
Nadim Mahassen, presidente do CWUR, salientou que a deterioração do desempenho das instituições de ensino superior reflecte anos de financiamento insuficiente e a desvalorização da ciência e da educação enquanto bens públicos.
Alertou que a deterioração do sistema de ensino superior argentino compromete o desenvolvimento científico, a inovação e o futuro a longo prazo da nação, num contexto em que o orçamento nacional destinado à Educação e à Cultura registou uma forte queda em termos reais entre os anos de 2023 e 2025.
Nesse sentido, professores, pessoal não docente, técnicos e estudantes universitários convocaram uma greve nacional no final de maio para intensificar o seu plano de luta face à recusa do Governo do presidente Javier Milei em cumprir a Lei de Financiamento Universitário (Lei n.º 27.795).
O Sindicato dos Docentes da Universidade de Buenos Aires (FEDUBA) denunciou que, após as mobilizações em massa em defesa da educação pública, o Executivo nacional continua a ignorar a legislação em vigor e não convoca reuniões paritárias para discutir as condições laborais do sector.
A Lei n.º 27.795, destinada a garantir os recursos operacionais e salariais do sistema de ensino superior, foi aprovada por duas vezes pelo Congresso Nacional e vectada em ambas as ocasiões pelo presidente Milei.
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