
Os funcionários públicos argentinos convocam uma greve nacional contra os despedimentos no sector nuclear
O sindicato denuncia o despedimento intempestivo de quase 100 profissionais de áreas-chave, um corte orçamental de 55 por cento no sector e a recusa das autoridades da instituição em estabelecer canais de diálogo.
A Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE) da Argentina convocou uma greve nacional e uma caravana para esta quarta-feira, a partir das 09h30, com destino ao Centro Atómico Constituyentes, na província de Buenos Aires. Esta acção de protesto surge em resposta à demissão injustificada de quase 100 profissionais e ao esvaziamento da Comissão Nacional de Energia Atómica, levados a cabo pelo Governo de Javier Miliei. As manifestações sindicais terão eco em todas as sedes do organismo a nível nacional.
O sindicato denunciou a falta de respostas por parte das autoridades da CNEA, presidida por Martín Porro. Representantes sindicais afirmaram que o responsável saiu do seu gabinete escoltado pela Gendarmeria Nacional em várias ocasiões para evitar estabelecer canais de diálogo com os trabalhadores.
«O que se passa na Argentina não acontece em nenhum outro país do mundo. Todos os países desenvolvidos investem em ciência e tecnologia, enquanto aqui cortaram 55 % do orçamento dos organismos específicos e despediram centenas de cientistas e técnicos altamente especializados», afirmou o secretário-geral da ATE Nacional, Rodolfo Aguiar.
O dirigente sindical afirmou que os despedimentos em massa promovidos pelo Poder Executivo paralisam áreas-chave da instituição, causando um prejuízo directo a toda a sociedade. Os trabalhadores despedidos tinham avaliações de desempenho positivas e desempenhavam as suas funções há anos na instituição.
A organização sindical afirmou que a CNEA não gera prejuízos económicos, mas sim que é um organismo que regista excedentes. A ATE considerou que não existe qualquer argumento válido que justifique o corte orçamental promovido pela administração central.
«Exigimos a reintegração imediata dos trabalhadores e responsabilizamos o Poder Executivo pelo agravamento do conflito. Se o Governo lançar mão de uma nova repressão, será o único culpado por qualquer acontecimento lamentável», concluiu Aguiar.
🚨 Ciencia argentina en crisis: presupuesto se desploma a mínimo histórico desde 1972
— teleSUR TV (@teleSURtv) July 7, 2026
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O papel estratégico da CNEA
A Comissão Nacional de Energia Atómica constitui um dos pilares fundamentais do desenvolvimento tecnológico do país. As suas actividades permitem que a Argentina seja um dos três países do hemisfério sul a dispor de energia elétrica de origem nuclear, juntamente com o Brasil e a África do Sul.
A entidade dispõe de capacidades próprias para controlar todo o ciclo nuclear nas suas diferentes fases, abrangendo a investigação, a exploração e a extracção de urânio no território nacional, a conversão do urânio em combustível nuclear em instalações localizadas no país, a concepção e construção de reactores nucleares equipados com tecnologia nacional, bem como a produção de energia elétrica nas centrais nucleares argentinas.
Entre as suas funções principais contam-se a produção de conhecimento, o desenvolvimento de tecnologia nuclear própria e a participação activa na concepção de reactores. A entidade fabrica radioisótopos destinados a aplicações médicas para o diagnóstico e tratamento de doenças, encarrega-se da formação de cientistas, engenheiros e técnicos altamente especializados e promove projectos estratégicos ligados à soberania e ao desenvolvimento nacional.
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