
Cuba não é uma nação em disputa nem uma colónia, afirma Díaz-Canel
O presidente Miguel Díaz-Canel afirmou que Cuba está disposta ao diálogo com os Estados Unidos, mas reiterou, numa entrevista divulgada pelo Brasil de Fato, que a soberania, a autodeterminação e o sistema político não são negociáveis.
Na entrevista, que faz parte de um documentário que esse meio de comunicação brasileiro está a preparar sobre o país das Antilhas, o chefe de Estado salientou que a Revolução sempre defendeu a possibilidade de manter uma relação civilizada com os Estados Unidos e de resolver as divergências bilaterais através do diálogo.
«Dialogar, conversar é uma coisa; outra coisa é negociar. Sempre defendemos isso, esta é a história da Revolução», afirmou o chefe de Estado.
Díaz-Canel salientou que, na Revolução, sempre se defendeu a possibilidade de manter uma relação civilizada com os Estados Unidos e de existir capacidade para resolver as divergências bilaterais, sabendo que haverá diferenças ideológicas.
«Partindo do princípio de que o nosso sistema político, a nossa soberania e a nossa autodeterminação não são negociáveis, nem mesmo na mesa das negociações. E tem de ser em condições de igualdade», afirmou.
Não se pode conversar, dialogar ou negociar sob pressão. Não somos uma nação em disputa, não somos uma colónia, nem somos um território que alguém possa apropriar-se de nós, sublinhou o chefe de Estado.
Díaz-Canel afirmou que Cuba é um país soberano, independente e livre, que, por decisão da maioria, optou por «um processo de construção socialista no meio destas condições tão adversas».
O dignitário referiu-se também à situação que a ilha atravessa e assegurou que o povo cubano mantém a sua capacidade de resistência perante as dificuldades.
«O senhor percebe como reage o povo cubano. Não há apagão que apague a nossa vontade, nem escassez que destrua a nossa esperança», afirmou.
Acrescentou que, a nível comunitário, a população se organiza para garantir o funcionamento dos serviços essenciais. «Não há transportes, mas todos os dias os médicos, as enfermeiras e os restantes profissionais de saúde chegam aos seus locais de trabalho e, mesmo sem luz, atendem os seus doentes», exemplificou.
«Os professores dão aulas mesmo sem luz e os camponeses semeiam e produzem alimentos mesmo sem combustível. Essa é a imagem dessa resistência heróica e criativa do povo cubano», afirmou.
Além disso, afirmou que o apoio popular à Revolução está relacionado com as transformações sociais promovidas ao longo de décadas, que abriram novos horizontes para as pessoas.
No final do diálogo, Díaz-Canel manifestou o seu desejo de paz com os Estados Unidos e apelou ao fim das ameaças militares.
«O que devemos procurar é um mundo melhor. Um mundo em que prevaleça o multilateralismo, em que sejam eliminadas a filosofia da pilhagem, a filosofia da guerra, as ameaças, as sanções e os bloqueios unilaterais e coercivos», concluiu.
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