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Lula no BRICS: “O Sul Global liderará um novo paradigma de desenvolvimento sustentável”

O presidente brasileiro destacou a importância da justiça climática e da transição justa na luta contra as alterações climáticas globais.

O presidente anfitrião, Luiz Inácio Lula da Silva, foi o responsável por abrir a terceira sessão do BRICS, dedicada ao Meio Ambiente, COP-30 e Saúde Global, com um discurso focado na crise climática que afecta os países do mundo, a qual, segundo ele, está em desenvolvimento devido à acção do homem. Lula da Silva destacou que os efeitos devastadores do aumento da temperatura estão a tornar-se cada vez mais evidentes nas nações do Sul Global, que foram as mais afetadas.

A este respeito, o presidente enfatizou a urgência de analisar estes problemas com uma abordagem que ultrapasse os limites do colonialismo e promova os direitos humanos, defendendo a aspiração de milhões de pessoas de viver em condições de igualdade, sem pobreza e sem o assédio da fome e das doenças.

Lula lembrou que as três convenções das Nações Unidas adotadas no Rio de Janeiro em 1992 estabeleceram as bases para o desenvolvimento sustentável, destacando o princípio de “responsabilidades comuns, mas diferenciadas”.

«Embora os países do Sul não tenham as mesmas responsabilidades históricas que os países desenvolvidos, os membros do BRICS assumiram a sua parte na luta contra as alterações climáticas e na promoção da saúde global», afirmou.

O presidente brasileiro destacou os avanços alcançados na área da saúde, especialmente no acesso a medicamentos e vacinas essenciais para combater doenças como o VIH/SIDA, a malária e a tuberculose, que afectam principalmente os países mais vulneráveis. Ele também destacou as conquistas em matéria de direitos humanos, como as alcançadas nas Conferências do Cairo e de Pequim, que reafirmaram os direitos das mulheres e das meninas, incluindo a saúde sexual e reprodutiva.

No entanto, Lula alertou sobre os retrocessos actuais. “O negacionismo e o unilateralismo estão a corroer os avanços do passado e a sabotar o nosso futuro. O aquecimento global avança mais rápido do que o esperado, as florestas tropicais estão à beira do colapso e os oceanos mostram sinais de deterioração”.

Nesse sentido, o presidente brasileiro fez um apelo à justiça climática, que implica investir em ações contra a fome e as desigualdades socioambientais. “Ao proteger, conservar e restaurar os nossos territórios, criamos oportunidades para as comunidades locais e os povos indígenas. A criação de empregos decentes, a igualdade de género e o fim do racismo são imperativos”, afirmou.

Lula também abordou a necessidade de uma transição justa e planeada para abandonar o uso de combustíveis fósseis e eliminar a desflorestação. “É urgente triplicar as energias renováveis e duplicar a eficiência energética. Os meios necessários para essa transição são estimados em 1,3 biliões de dólares”, destacou.

O presidente brasileiro sublinhou que o Sul Global pode liderar um novo paradigma de desenvolvimento, sem repetir os erros do passado. “Não seremos simples fornecedores de matérias-primas. Precisamos de aceder e desenvolver tecnologias que nos permitam participar em todas as etapas das cadeias de valor”, afirmou.

Por fim, Lula criticou o papel das grandes corporações e dos bancos na perpectuação dos combustíveis fósseis. “80% das emissões de carbono são produzidas por menos de 60 empresas, a maioria em setores como petróleo, gás e cimento. Os incentivos do mercado vão contra a sustentabilidade”, denunciou.

A Declaração-Quadro dos BRICS sobre Financiamento Climático, adoptada durante o evento, busca apresentar alternativas para atrair investimentos verdes e justos, promovendo taxonomias sustentáveis e unidades de contabilidade de carbono inclusivas.

Com seu discurso, Lula reafirmou o compromisso do Sul Global de liderar a luta contra as alterações climáticas e construir um futuro mais equitativo e sustentável para todos.

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