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A COB denuncia uma “caça ao homem” na Bolívia após a detenção de dirigentes

A oposição dos sindicatos intensificou-se esta sexta-feira, depois de o tribunal ter confirmado a prisão preventiva de Justino Apaza por 180 dias.

A Central Obrera Boliviana (COB) divulgou um comunicado nas suas redes sociais, no qual denunciou a existência de uma «caça humana» contra os seus dirigentes e acusou formalmente o Poder Executivo de realizar «operações clandestinas» para desmantelar as mobilizações populares.

​A denúncia da central sindical foi divulgada no 37.º dia desde que a instituição convocou marchas e bloqueios de estradas para exigir a demissão do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz. 

Os protestos, que tiveram início no passado dia 1 de maio com a reivindicação de um aumento salarial de 20 por cento rejeitado pelo Governo, passaram posteriormente a contar com o apoio de várias organizações sociais, que hoje exigem a demissão do presidente.

A reacção dos sindicatos intensificou-se nesta sexta-feira, depois de a Justiça ter confirmado a detenção preventiva por 180 dias na prisão de San Pedro para o líder comunitário de La Paz, Justino Apaza, que, segundo os seus familiares, foi detido à porta da sua casa «à força e sem que fosse apresentado um mandado judicial».

O Ministério Público está a investigar Apaza por suspeitas de crimes de incitação pública à prática de atos criminosos, associação criminosa, terrorismo, financiamento do terrorismo e atentados contra a segurança dos serviços públicos e dos meios de transporte, identificando-o como um dos principais promotores dos bloqueios às cidades. 

A esta detenção juntou-se a captura temporária da ex-senadora ligada a Evo Morales, Simona Quispe, que foi interceptada por indivíduos encapuzados e levada para as instalações da Força Especial de Luta Contra o Crime (Felcc) num miniautocarro sem matrícula; Quispe foi libertada no dia seguinte por falta de provas.

​Num procedimento semelhante, as autoridades detiveram a secretária da Federação dos Produtores de Coca de Carrasco, Yesenia Vargas, originária da região do Trópico de Cochabamba. Pouco antes da sua detenção em El Alto, Vargas declarou à Rádio Kawasachun Coca: “Estamos aqui, estamos firmes, porque este Governo tem de sair. Não vou permitir que este Governo fique mais cinco anos a saquear o nosso país”.

A lei sobre o estado de excepção avança no Parlamento

Paralelamente às operações policiais, o Senado aprovou, em primeira e segunda leituras, o ProjeCto de Lei de Regulamentação do Estado de Exceção, encaminhando o texto para a Câmara dos Deputados. 

Sectores da oposição e movimentos sociais alertam que esta legislação visa abrir caminho para um maior grau de repressão estatal contra os manifestantes e os bloqueadores nas estradas.

Escassez e perdas económicas na ordem dos milhões

Este sábado, a Administradora Boliviana de Carreteras (ABC) registou um total de 80 pontos de bloqueio activos distribuídos por seis departamentos, sendo Cochabamba o mais afetado, com 22 bloqueios de estradas, seguido por La Paz (19), Potosí (15), Oruro (12), Chuquisaca (9) e Santa Cruz (3).

​O encerramento prolongado das estradas, há mais de um mês, provocou uma situação crítica de escassez, impedindo o transporte de combustíveis, alimentos, material médico e oxigénio para os hospitais, afetando principalmente as cidades de La Paz e El Alto. 

Devido à escassez, os preços dos produtos de primeira necessidade duplicaram ou triplicaram.

Por seu lado, a Câmara Nacional de Indústrias (CNI) alertou para a gravidade da crise, informando que o conflito já causou prejuízos ao setor industrial no valor de dois mil milhões de dólares.

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