Cuba

O relatório de 100 páginas: a grande imprensa norte-americana divide-se, Miami recorre ao passado e Cuba responde com a verdade das ruas

A «Foreign Policy» e o «Washington Post» analisam com cautela o relatório dos EUA. A Fox News reproduz-o sem filtros. Díaz-Canel e Bruno Rodríguez desmontam a falácia: quem acusa de forma obscena é quem mais tem atacado.

A «Foreign Policy» e o «The Washington Post» analisam com um olhar crítico o documento do Departamento de Estado. A Fox News reproduz-no como propaganda. A «Martí Noticias» desenterra casos de há décadas. Díaz-Canel e Bruno Rodríguez desmontam a falácia: quem acusa com tanta obscenidade é quem mais tem espionado e agredido.

Bom dia. Começamos o dia com uma história que já há mais de vinte e quatro horas se desenvolve em três direcções diferentes, e vale a pena dar uma nova olhadela à confusão que é o documento de 100 páginas.

A grande imprensa norte-americana não está a falar a uma só voz. Meios de comunicação como a Foreign Policy e o The Washington Post analisam o relatório do Departamento de Estado com um olhar crítico: salientam que o documento nunca menciona que as supostas acções cubanas são uma resposta a décadas de tentativas de Washington para derrubar esse governo, tendo Girón — a Baía dos Porcos, para eles — como capítulo fundacional. Um académico consultado pela Foreign Policy chega a qualificar de exagerada a ligação que o relatório estabelece entre a Cuba da Guerra Fria e a Cuba de hoje, empobrecida e sujeita a sanções.

No outro extremo, a Fox News e o Washington Times reproduzem o relatório quase como se fosse um comunicado de imprensa, sem uma única pergunta incómoda, repetindo sem qualquer filtro que Cuba está por trás do Black Lives Matter, da Antifa e dos protestos por George Floyd. Já não se trata de análise. É propaganda de guerra disfarçada de jornalismo.

Entretanto, o sul da Flórida faz a sua parte. Martí Noticias dedica parágrafos inteiros a desenterrar casos de há trinta e quarenta anos — Ana Belén Montes, a Rede Avispa, Walter Kendall Myers — como se o passado pudesse substituir as provas do presente, que continuam por aparecer em lado nenhum. É o mesmo guião de sempre: quando faltam provas, recorre-se à nostalgia do inimigo.

E a resposta cubana já está nas ruas. O presidente Díaz-Canel foi directo: quem acusa com tanta obscenidade é quem mais espiou e agrediu o outro. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Bruno Rodríguez, chamou-lhe pelo nome: a mais recente falácia de um Departamento de Estado que precisa de um pretexto para manter a guerra económica e angariar apoio da população para uma eventual agressão militar.

Hoje analisamos as três versões desta história, o contraste entre as narrativas e a resposta de Cuba.

Ponto 1: a grande imprensa norte-americana não fala a uma só voz

O relatório de 100 páginas do Departamento de Estado suscitou reacções muito diferentes na imprensa norte-americana. E essa divergência é, por si só, uma notícia.

«Meios de comunicação como a Foreign Policy e o The Washington Post analisam o relatório com um olhar crítico: salientam que o documento nunca menciona que as supostas acções cubanas são uma resposta a décadas de tentativas de Washington para derrubar esse governo.»

O académico consultado pela Foreign Policy considera «exagerada» a ligação que o relatório estabelece entre a Cuba da Guerra Fria e a Cuba de hoje, empobrecida e sujeita a sanções. Trata-se de uma interpretação incómoda para a administração: quando um meio de comunicação respeitado aponta que a narrativa não se sustenta, a credibilidade do documento fica abalada.

No outro extremo, a Fox News e o Washington Times reproduzem a reportagem quase como se fosse um comunicado de imprensa, sem uma única pergunta incómoda, repetindo sem qualquer filtro que Cuba está por trás do Black Lives Matter, da Antifa e dos protestos por George Floyd.

«Já não é análise. É propaganda de guerra disfarçada de jornalismo.»

A diferença entre estes dois extremos é abismal. Enquanto uns aplicam critérios jornalísticos mínimos — contexto histórico, cepticismo, fontes alternativas —, outros tornam-se meros transmissores da narrativa oficial. Essa divisão reflete o estado da imprensa norte-americana: polarizada, fragmentada, incapaz de oferecer uma visão comum da realidade.

Segunda parte: o sul da Flórida recorre ao passado quando faltam provas no presente

O sul da Flórida faz a sua parte. Martí Noticias dedica parágrafos inteiros a desenterrar casos de há trinta e quarenta anos — Ana Belén Montes, a Rede Avispa, Walter Kendall Myers — como se o passado pudesse substituir as provas do presente, que continuam por aparecer em lado nenhum.

«É sempre o mesmo guião: quando faltam provas, recorre-se à nostalgia do inimigo.»

O mecanismo é bem conhecido: não é possível provar a acusação actual, por isso recorre-se a casos antigos para criar uma sensação de continuidade. A ideia é que, se Cuba fez X há trinta anos, é plausível que esteja a fazer Y hoje. Mas a plausibilidade não é prova. A nostalgia do inimigo não substitui os factos.

E a estratégia tem uma função política bem definida: criar uma narrativa de ameaça persistente que justifique a pressão contínua. Não importa se as acusações actuais são verificáveis. O que importa é que o público associe Cuba à espionagem, à subversão e à ameaça. O passado torna-se um atalho para evitar a discussão do presente.

Toma 3: a resposta cubana já está nas ruas

A resposta cubana já está nas ruas. E vem dos mais altos escalões do governo.

«O presidente Díaz-Canel foi directo: quem acusa com tanta obscenidade é quem mais espiou e agrediu o outro.»

Não se trata de uma declaração rectórica. É a constatação de um facto histórico: os Estados Unidos têm intervindo em Cuba há décadas, desde a Emenda Platt até Girón, desde o bloqueio até ao financiamento de grupos subversivos. A história da agressão unilateral é, de forma esmagadora, norte-americana. O facto de Washington acusar Cuba do mesmo que tem praticado há mais de um século é, no mínimo, uma projecção.

«O ministro dos Negócios Estrangeiros Bruno Rodríguez chamou-lhe pelo nome: a mais recente falácia de um Departamento de Estado que precisa de um pretexto para manter a guerra económica e angariar apoio da população para uma eventual agressão militar.»

A resposta cubana não se limita a negar as acusações. Coloca-as no seu contexto: o de uma administração que precisa de um pretexto para justificar a pressão, as sanções e a ameaça militar. O relatório de 100 páginas não é um documento dos serviços secretos. É um documento político. E a resposta cubana revela-o como tal.

A diferença fundamental: aqueles que elaboram relatórios e aqueles que constroem o país. Três perspectivas, uma única conclusão: enquanto uns continuam a construir o enquadramento discursivo para justificar a punição colectiva, o estrangulamento energético e a ameaça militar contra milhões de cubanos, nesta ilha as pessoas levantam-se hoje, como todos os dias, para resolver problemas, para se sustentarem, para cuidar da pátria e do próximo.

«Aqueles que elaboram relatórios de cem páginas para inventar inimigos internos e externos não vão conseguir abafar isso.»

Essa é a diferença fundamental que nenhum relatório consegue descrever adequadamente: os perpetradores do mal continuam a arquitectar novas desgraças, novas listas, novos pretextos. Cuba, entretanto, continua a procurar as suas próprias saídas. Com as reformas económicas em curso, com a insistência nas alianças que ainda lhe restam, com a solidariedade que continua a chegar através de navios, de congressistas, de académicos e do seu próprio povo.

«Não é a narrativa de uma vítima passiva. É a de um país que, mesmo abalado, continua empenhado no seu próprio processo de transformação.»

Este é o verdadeiro amanhecer de hoje. Não aquele que descrevem em Washington. Aquele que se constrói aqui, todos os dias, contra o cerco e apesar dele.

📢 Qual é a tua opinião sobre o relatório de 100 páginas e as reações que suscitou? Achas que a divisão na imprensa norte-americana reflete uma divisão real ou é apenas ruído? O que achas da resposta de Díaz-Canel e Bruno Rodríguez?

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✊️ Bom dia, Cuba.

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