A Colômbia suspendeu esta quinta-feira o fornecimento de energia eléctrica ao Equador.
Horas antes da suspensão do fornecimento de energia eléctrica, a ministra do Comércio, Diana Marcela Morales, anunciou também a aplicação de uma taxa de 30% sobre 20 produtos equatorianos.
O Governo da Colômbia anunciou nesta quinta-feira a suspensão do fornecimento de energia elétrica ao Equador, como medida de reciprocidade face à decisão unilateral do presidente equatoriano Daniel Noboa de impor uma tarifa de 30% às importações colombianas a partir de 1 de fevereiro, após alegar supostos incumprimentos de Bogotá na cooperação contra o narcotráfico e em matéria de segurança.
O ministro de Minas e Energia, Edwin Palma, informou que a medida entrou em vigor a partir das 18h00, hora local, e destacou que a Colômbia tem sido historicamente solidária com o povo equatoriano, inclusive durante a crise energética que o país sofreu entre 2023 e 2024, quando Bogotá duplicou seus envios de eletricidade para mitigar os apagões diários.
“As recentes decisões do Governo de Noboa ignoram acordos em vigor e afectam directamente os interesses do povo colombiano, o que obrigou o Estado a agir em defesa da sua soberania energética”, afirmou Palma, classificando a medida equatoriana como uma “agressão económica”.
— Edwin Palma Egea (@PalmaEdwin) January 22, 2026
O Ministério de Minas e Energia explicou que a suspensão das Transações Internacionais de Eletricidade (TIE) visa garantir o abastecimento interno num contexto marcado pela variabilidade climática e pelos alertas sobre um possível fenómeno de El Niño.
“O dever do Estado é garantir que as residências, a indústria e os serviços essenciais da Colômbia tenham energia segura e confiável. Esta é uma decisão responsável, preventiva e soberana”, acrescentou o ministro.
#Economía | El ministro de Minas y Energía, Edwin Palma, anunció que el Gobierno colombiano suspenderá desde las seis de la tarde de hoy, jueves, las exportaciones de energía a Ecuador, tras la suspensión del transporte de crudo y aranceles a productos colombianos por parte del… pic.twitter.com/nkkfXFpqvd
— La FM (@lafm) January 22, 2026
A interconexão elétrica entre os dois países tem uma capacidade de 400 quilowatts, e a sua interrupção reflecte a deterioração das relações bilaterais após o anúncio de Noboa, que justificou a tarifa alegando uma suposta falta de cooperação colombiana na luta contra o narcotráfico.
“Fizemos esforços reais de cooperação com a Colômbia, mesmo com um défice comercial que ultrapassa os 1 bilião de dólares anuais. Mas, enquanto insistimos no diálogo, os nossos militares continuam enfrentando grupos criminosos ligados ao narcotráfico na fronteira, sem qualquer cooperação”, escreveu Noboa na sua conta do X.
No entanto, os números oficiais da Colômbia contradizem essa narrativa: entre 2023 e 2025, as apreensões de cocaína em municípios fronteiriços com o Equador aumentaram 36,7%, e Bogotá treinou 3.891 policiais equatorianos no combate às drogas, além de realizar operações conjuntas contra organizações criminosas transnacionais.
Horas antes da suspensão eléctrica, a ministra do Comércio, Diana Marcela Morales, anunciou também a aplicação de uma taxa de 30% sobre 20 produtos equatorianos, como resposta proporcional e transitória à medida de Quito.
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