Artigos de OpiniãoCarlos Aznáres

A Liga Árabe e o genocídio palestiniano

A Liga Árabe tornou-se, com as suas ações permanentes, juntamente com os seus amigos dos Estados Unidos e de «Israel», inimigos declarados do Eixo da Resistência.

Os palestinianos têm toda a razão quando dizem que bater às portas da grande maioria dos líderes árabes, em busca de ajuda, é totalmente em vão, já que, desde a derrota do projetco pan-arabista do egípcio Gamal Abdel Nasser, eles foram, são e continuarão sendo colaboradores do sionismo israelita. 

Nesse contexto, não têm qualquer reparo em desviar o olhar e não intervir perante as atrocidades cometidas pelos nazis de “Tel Aviv”. Mais ainda, tanto Mahmud Abás, o autoproclamado “presidente” da Autoridade Nacional Palestina (ANP) — apoderado da sua cadeira em Ramala —, como a Liga Árabe, da qual ele também faz parte, preparam-se para se infiltrar na partilha dos escombros que o exército criminoso sionista está a deixar para trás. Escombros onde, por cima e por baixo, jazem centenas de milhares de cadáveres de homens e mulheres assassinados por “Israel”.

Mostrando ao mundo que o único que lhes interessa é a “distribuição” e não salvar vidas palestinianas, o chefe da Liga Árabe, Ahmedo Aboul Gheit, tem a hipocrisia de dizer que “há vontade” entre os membros da organização de fazer parte de uma operação internacional em Gaza «quando a guerra terminar». E acrescenta, segundo a imprensa da região: “Ouvimos o presidente palestino, Mahmud Abás, que confirmou a sua disposição para aprovar este assunto”. Refere-se à presença de forças árabes dentro das forças internacionais destacadas no território palestino devastado.

Este comportamento de Aboul Gheit não é estranho, muito menos o de Abbas. Enquanto os palestinianos de Gaza e da Cisjordânia ocupada reclamavam, nestes quase dois anos de crimes atrozes por parte de “Israel”, que o mundo árabe estivesse à altura das circunstâncias e viesse em apoio à luta contra o ocupante, estes viraram-lhes as costas e nem sequer lhes passou pela cabeça enviar tropas. 

Pelo contrário, cada um deles continuou as suas relações comerciais
– incluindo a venda ou compra de armas – com o ocupante. Além disso, quando a Resistência palestiniana, a nação iemenita ou a República Islâmica do Irão lançaram mísseis ou foguetes contra “Tel Aviv”, vários desses governos lacaios de “Israel” e dos Estados Unidos, como é o caso da Jordânia, gabaram-se de os terem interceptado para que não chegassem ao seu destino. Ou Marrocos, permitindo que navios que transportavam armas para o inimigo dos palestinianos se reabastecessem no seu porto. Ou Bahrein, ou os Emirados, reprimindo com tiros os protestos pró-palestinianos. Ou os Emirados, fazendo negócios com Netanyahu. Ou o próprio Egipto, que além de fechar sua fronteira em Rafah, impedindo que feridos graves fossem transferidos para hospitais no Cairo, também assinou o maior acordo da história com Netanyahu, no valor de 33 bilhões de dólares, em troca da exportação de gás. 

E, para piorar, o genocida de “Tel Aviv” acaba de anunciar que vai recuar. Assim são estes governos, essa e nenhuma outra é a Liga dos Estados Árabes, a mesma que se uniu em punho único para apoiar a Arábia Saudita na tentativa de destruir o governo revolucionário iemenita de Sanaa. E fizeram-no de comum acordo com os Estados Unidos e «Israel». 

Não só são colaboracionistas, como também se tornaram, com as suas ações permanentes, inimigos declarados do Eixo da Resistência.

Sem falar do papel que desempenhou e continua a desempenhar a ANP e as suas forças de segurança (as mesmas que coordenam com «Israel» essas questões específicas), apostaram em tentar aniquilar a Resistência no campo de refugiados de Jenin, “limpando” o terreno para que depois as tropas israelitas destruíssem completamente esse enclave de luta, assassinando vários dos seus combatentes. 

Outros já tinham sido presos pela segurança da ANP. Essa entidade desempenhou um papel idêntico ao apressar-se em desarmar os palestinianos dos campos no Líbano, cumprindo assim o pedido de uma parte do governo libanês patrocinado pelos EUA e por «Israel». Os mesmos que exigem que o Hezbollah e o Amal se desarmem. 

Agora, com a desculpa de que a “guerra” terminou (a Liga parece não perceber que não se trata de guerra, mas de genocídio), eles vão tentar evitar “o deslocamento forçado e a anexação da Cisjordânia”, falando em intervenção com tropas árabes. 

O que eles não dizem, mas está implícito, é que o farão sobre o cemitério de palestinianos assassinados, como preveem Netanyahu e o seu ministro militar Israel Katz. Ou seja, quando já for tarde demais para salvar vidas palestinas, esses países da OTAN árabe estarão presentes, desde que os seus senhores sionistas e ocidentais os autorizem, para partilhar um território pelo qual nunca levantaram um dedo para defender. 

Infelizmente para esses hierarcas árabes, a Resistência palestiniana não está disposta a deixá-los levar a melhor e se prepara para defender a Palestina e seu povo, como vem fazendo desde 1948. 

Além disso, caso os traidores ainda não tenham percebido, nas ruas da Palestina ocupada e em todo o mundo onde se mobiliza a solidariedade com esse povo, proclama-se: “Do rio ao mar, a Palestina será livre”. E isso, claro, vai contra os interesses daqueles que estão no poder há décadas.

Fonte:

Autor:

Carlos Aznárez

Carlos Aznárez, Especialista em política internacional e diretor do jornal Resumen Latinoamericano

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