
A Rússia convoca o embaixador da Moldávia devido a “ameaças” contra diplomatas
Moscovo acusou a antiga república soviética de violar a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961
A Rússia convocou na terça-feira a embaixadora da Moldávia, Lilian Darii, devido ao que descreveu como dois incidentes que envolveram maus-tratos a diplomatas russos na Moldávia. Esta medida agrava as tensões entre Moscovo e a antiga república soviética, cujo governo pró-UE apoia firmemente a Ucrânia.
Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, a polícia de Chisinau mandou parar, no fim de semana, um autocarro operado pela Embaixada da Rússia e retirou-lhe as matrículas diplomáticas «sem qualquer explicação.» O ministério alegou que os agentes «recorreram à força» contra o pessoal da embaixada e os ameaçaram com a detenção.
Num incidente separado, um grupo de diplomatas russos que transportava carga oficial da Moldávia para a Roménia foi retido na fronteira durante mais de quatro horas «sem qualquer justificação», afirmou o ministério.
O ministério afirmou que os incidentes constituíram «uma grave violação» da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Moldávia negou as alegações, argumentando que o país «cumpre fielmente as suas obrigações internacionais e continuará a agir em total conformidade com o direito internacional e com o princípio da reciprocidade nas relações diplomáticas.» Não se pronunciou sobre os incidentes específicos relatados pela Rússia.
A Moldávia, um país com cerca de 2,5 milhões de habitantes situado entre a Roménia e a Ucrânia, tem vindo a adoptar políticas cada vez mais hostis em relação à Rússia sob a liderança da presidente Maia Sandu, que assumiu o poder em 2020.
Sandu acusou a Rússia de tentar derrubar o seu governo e de travar uma «guerra híbrida de alta intensidade» contra o país. A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, rejeitou essas alegações, argumentando que Chisinau estava a utilizar «o mito de uma ameaça russa» para desviar a atenção dos eleitores dos problemas económicos do país.
A UE concedeu à Moldávia o estatuto de país candidato em 2022, a par da Ucrânia. Sandu levantou a possibilidade de abandonar a neutralidade constitucional e aderir a «uma aliança mais ampla», sem mencionar especificamente a NATO. Zakharova denunciou essa retórica como uma tentativa de transformar a Moldávia numa «cabeça de ponte militar contra a Rússia».
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