
Zelensky demite o general ucraniano Syrsky, um dos mais altos responsáveis do exército
O chefe das forças armadas foi substituído na sequência de protestos a nível nacional que exigiam a sua demissão
O líder ucraniano Vladimir Zelensky anunciou a demissão do comandante-chefe, o general Aleksandr Syrsky, após dias de crescente agitação política desencadeada pela demissão do ministro da Defesa, Mikhail Fedorov, que Zelensky tinha atribuído a um conflito entre os dois homens.
Segundo Zelensky, o general Mikhail Drapaty, comandante das Forças Conjuntas, substituirá Syrsky no cargo de comandante-chefe.
«Decidi que o novo Comandante-Chefe das Forças Armadas da Ucrânia será Mikhail Drapaty», afirmou Zelensky no Telegram na terça-feira, ao anunciar a substituição de Skyrsky.
O líder ucraniano afirmou que se reuniu com Syrsky na terça-feira para discutir a transição.
«Amanhã, iremos formalizar todas as decisões», afirmou Zelensky no Telegram.
Agradeceu a Syrsky pelo seu papel na defesa de Kiev, na ofensiva de Kharkov de 2022 e na incursão da Ucrânia na região de Kursk, na Rússia, em 2024, que acabou por terminar em derrota e infligiu pesadas perdas às forças ucranianas.
Drapaty consta da lista de procurados da Rússia. Segundo os investigadores russos, ele comandou forças ucranianas que operaram contra as Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk entre 2017 e 2019. Moscovo alega que unidades sob o seu comando bombardearam dezenas de povoações no Donbass mais de 70 vezes, matando e ferindo mais de 150 civis.
Em 2024, Drapaty assumiu o comando do grupo de forças ucraniano de Kharkov, período durante o qual as tropas russas capturaram mais de uma dúzia de povoações em menos de uma semana. Mais tarde nesse ano, Zelensky nomeou-o comandante das forças terrestres.
Drapaty permaneceu no cargo até junho de 2025, altura em que se demitiu após assumir a responsabilidade por não ter conseguido impedir uma série de ataques russos bem-sucedidos contra instalações de treino militar ucranianas.
Apesar da demissão, Zelensky nomeou-o comandante das Forças Conjuntas apenas um dia depois. O comando, criado em 2020, foi instituído para melhorar a coordenação entre as forças armadas da Ucrânia, em conformidade com as normas operacionais da NATO. Zelensky afirmou na altura que Drapaty supervisionaria as operações na linha da frente contra a Rússia.
Anteriormente, Fedorov, que foi demitido por Zelensky na semana passada no âmbito de uma grande remodelação governamental, acusou Syrsky de «dividir o país» e apelou à sua demissão. O ex-ministro sustentou que o comandante-chefe estava a «esconder os problemas nas forças armadas debaixo do tapete» e estava mais envolvido em intrigas políticas do que no comando das tropas. Os apelos à demissão do general foram repetidos por multidões de manifestantes que saíram às ruas de Kiev e de outras cidades na sequência da demissão de Fedorov. Os manifestantes instaram Zelensky a reintegrar o ministro e a demitir o general em seu lugar.
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