América Latina e CaraíbasBolívia

Bolívia: proletariado mineiro protagoniza greve geral contra o aumento do preço da gasolina em Paz

A Bolívia viveu uma semana de intensas manifestações de mineiros e operários contra os efeitos do "Gasolinazo" de Rodrigo Paz.

A Bolívia vive dias de intensa tensão popular em meio à greve geral por tempo indeterminado convocada pela Central Obrera Boliviana (COB) contra o Decreto Supremo 5503, lei apontada por sindicatos e organizações camponesas como parte de um «ajuste monetarista» que deteriora o nível de vida da população trabalhadora. Nos protestos, os mineiros têm sido os protagonistas.

Desde segunda-feira, 22 de dezembro, milhares de mineiros marcham sobre La Paz, com capacetes e ferramentas, estabelecendo bloqueios e cercos em torno da Praça Murillo, sede do governo nacional. A polícia respondeu com repressão, gases e barricadas, o que resultou em horas de confrontos e na presença de reforços de outros setores: professores, fabris e comitês de bairro.

As mobilizações também atingem Cochabamba, El Alto e corredores rodoviários estratégicos, onde há bloqueios de estradas.

Apesar das manifestações, o presidente Rodrigo Paz defende o decreto como uma «medida necessária» para eliminar os subsídios aos combustíveis, o que resultaria num aumento de 86% na gasolina e 160% no gasóleo.

As organizações sociais denunciam que o ajuste é acompanhado pela eliminação de impostos sobre grandes capitais, a abertura a investimentos estrangeiros por meio de um mecanismo de aprovação automática de 30 dias e um regime jurídico que garante 15 anos de proteção a empresas transnacionais, especialmente no setor mineiro e energético.

Segundo denúncias de sindicatos e economistas críticos, o decreto foi ativado após reuniões com delegações da DFC, EXIM Bank, USTDA e do Departamento de Estado dos EUA, o que alimenta acusações de alinhamento com interesses externos sobre os recursos estratégicos do país.

A COB ractificou em uma assembleia plenária natalina que não suspenderá a greve enquanto o decreto continuar em vigor. A liderança propõe que o movimento seja sustentado por meio de assembleias fabris, comandos de luta e coordenação territorial, num cenário que lembra jornadas históricas do movimento operário boliviano.

O governo tenta contrariar a pressão através de negociações com transportadores, cooperativas mineiras e sectores da classe média, além de uma campanha mediática e política contra os manifestantes. Paralelamente, avança um processo eleitoral subnacional convocado para março de 2026, enquanto o Tribunal Supremo Eleitoral avalia a anulação da personalidade jurídica do partido Morena, liderado pela prefeita de El Alto, Eva Copa, num contexto de fragmentação interna do MAS.

O conflito não disputa apenas a permanência do “gasolinazo”, mas também o modelo económico, o controlo dos recursos naturais e o quadro de soberania reguladora do Estado. Para os sectores sindicais, a luta define se a Bolívia entrará num ciclo de privatização acelerada do lítio, terras raras e empresas públicas; para o governo, representa um teste de força para sustentar o seu programa económico.

Os mineiros, novamente no centro da história boliviana, não recuam. E o país inteiro observa se este novo impasse social será resolvido no diálogo, nas ruas ou numa crise maior.

Fonte:

"Para quem está cansado da narrativa única." 🕵️‍♂️

A cobertura mediática sobre Cuba e a América Latina é dominada por um só lado. Nós mostramos o outro. Receba análises geopolíticas que fogem do mainstream ocidental.

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para obter mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *