Venezuela

Cientistas avaliam a Falha de São Sebastião em La Guaira após a dupla sísmica de 24 de julho

Um dos especialistas que estuda a falha sísmica em La Guaira afirmou que é de esperar a ocorrência de réplicas após um evento como o de 24 de junho e que o terreno continuará em processo de estabilização durante semanas ou meses.

Uma equipa de especialistas em geologia do Ministério do Poder Popular para a Ciência e a Tecnologia (Mincyt) e da Universidade dos Andes (ULA) realizou uma inspecção técnica no estado de La Guaira para avaliar os indícios físicos deixados pela Falha de San Sebastián, responsável pela dupla sísmica registada no passado dia 24 de junho.

O professor Francisco Bongiorno, membro da Comissão Geocientífica da Fundação para o Desenvolvimento da Ciência e da Tecnologia (Fundacite) no estado de Mérida, explicou que as medições visam estabelecer uma correlação entre os danos estruturais e o movimento da falha durante o evento sísmico.

«Foram registadas entre 40 e 50 medições num troço de cinco quilómetros, as quais permitirão modelar a interacção destas fracturas com a falha principal e determinar por que razão certas estruturas apresentaram níveis de danos mais elevados do que outras», precisou o especialista.

No que diz respeito ao panorama sismológico actual, comentou que a ocorrência de réplicas — foram registadas 1 222 desde 24 de junho até este domingo — é de esperar após um evento de magnitude 7,5. O terreno continuará em processo de estabilização durante semanas, meses ou mesmo até ao próximo ano.

Bongiorno salientou que as observações iniciais indicam que o comportamento de alguns solos e aterros não correspondeu aos parâmetros esperados face a um sismo com estas características, o que justifica a necessidade de ensaios técnicos adicionais nos próximos dias.

Ao abordar a suscetibilidade à liquefação dos solos, especialmente devido à proximidade da costa, afirmou que esta ocorre «quando o solo saturado perde a sua capacidade de suporte durante um movimento brusco, expelindo água para a superfície e criando instabilidade. É um fenómeno que devemos monitorizar com precisão neste ambiente costeiro».

O director técnico da Fundação Instituto de Engenharia para Investigação e Desenvolvimento Tecnológico (FIIIDT), Víctor Cano, referiu, numa entrevista à teleSUR, a existência de quatro sistemas de falhas principais na Venezuela: Boconó, San Sebastián, El Pilar e Oca-Ancón.

Cano tranquilizou a população, ao considerar pouco provável a repetição imediata de um evento de magnitude 7,5 na Falha de San Sebastián, prevendo, em vez disso, sismos secundários de menor magnitude, entre 2 e 5, muitos dos quais só são detectados por equipamentos tecnológicos especializados e não são perceptíveis pela população.

Esclareceu que os termos «sismo», «tremor» e «terramoto» são sinónimos técnicos e salientou que a ciência mundial ainda não dispõe de ferramentas para prever o momento exato de um movimento telúrico com antecedência de dias, meses ou, até mesmo, anos, pelo que recomendou não acreditar em rumores sobre supostas previsões.

Ao explicar como estes fenómenos são medidos a nível mundial, afirmou que a ferramenta padrão actual é a magnitude de momento (Mw), que quantifica com precisão a energia total libertada pelo evento sísmico com base em parâmetros modernos, superando a antiga escala de Richter, que dependia de instrumentos já obsoletos.

Essa medição é diferente da escala de intensidade (de 1 a 12), que avalia o nível de perceção humana e os danos materiais causados nas estruturas e infraestruturas da população.

Cano referiu que este evento constitui uma oportunidade de aprendizagem científica e que, com base na análise rigorosa de todos os sismogramas e acelerogramas gerados a 24 de junho, juntamente com as avaliações pós-sísmicas das infraestruturas afetadas, será promovida a revisão e actualização das normas nacionais de construção, determinando as melhores soluções de engenharia e a conceção de edifícios resistentes a sismos.

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