Artigos de OpiniãoHeloisa Toledo Machado

Como é triste ver a Europa ser contra a Rússia.

Eu que, desde a adolescência, aprendi a amar a cultura russa com Eugenio Kusnet (de quem fui aluna, desde muito cedo), um dos maiores atores e professores do Teatro Brasileiro.

Ele que, mesmo tendo sido criado em Kiev, declarava-se sempre russo e assim agia. Tinha uma importância grande dentro do mundo cultural russo no Brasil, sendo uma espécie de adido, conselheiro, colaborador da União Cultural Brasil-Rússia e próximo do consulado russo, onde era responsável pela seleção de alunos que receberiam bolsas para estudar artes nas Universidades de Moscou.
 
Retornou ao seu país como convidado do Ministério da Cultura da Rússia onde passou meses em residência artística.
 
Nunca disse ser ucraniano. Nasceu justamente em Kerson, na região do Donbass, russófona. Kusnet falava russo.
 
Aprendi com ele a amar a cultura desse país cuja identidade era assumida por ele com paixão, mesmo durante os cinquenta anos em que viveu no Brasil.
 
Hoje, a Europa se volta contra a Rússia como se esse país não fosse Europeu. Tornou-se obrigatório querer a derrota russa e aderir à prática do cancelamento.
Triste destino.
 
Essa dramática situação cultural deve-se ao sistema neoliberal que quer a todo custo, dentro da geopolítica atual, transgredir a soberania e o sistema ideológico russo, através da Ucrânia que, com seu atual Presidente, pretende aderir à teoria de mercado financeiro desejando fazer parte do epicentro do capitalismo neoliberal…todos sabem…
É preciso ter coragem e dizer…aquilo que foi calado…
Onde está o poeta Iessienen?
 
“Onde o mistério eternamente lá repousa Outras campinas nos esperam.
 
Nas amplas florestas e rústicas chousas
O bater de asas aéreas.
 
Mas o infortúnio deste século é muito
E nublou a visão das celestes esferas.
Só um hóspede eu sou, um hóspede fortuito
Em tuas montanhas, oh terra.
 
Com teu beijo não selaste minha mão,
Não está a ti atado o meu destino.
 
Tu me mandas numa outra direção
Do poente ao levante ser um peregrino.
Desde o berço está escrito que meu rumo
É voar para a noite infinita.
 
No momento do adeus coisa nenhuma
Deixarei para quem fica.
 
Do aposento onde a tormenta descansou
À estrelada tua paz, abismo enorme.
Duas luas vão brilhar sob o ardor
Dos olhos meus que nunca dormem.”
 
1917. (Trad. apresentada por A. Nogueira, in net.)

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"Para quem está cansado da narrativa única." 🕵️‍♂️

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