Greve no Equador: CONAIE afirma que “permanecerá firme nas ruas”.
O movimento indígena continuará a mobilizar-se até que o governo de Noboa deixe de criminalizar os protestos e se abra a um diálogo político para resolver os problemas do país.
O Equador enfrenta uma nova onda de agitação social em meio à greve nacional convocada pela Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), que exige a libertação de detidos durante os protestos das últimas semanas e a restituição de subsídios ao diesel, além de rejeitar outras medidas neoliberais do Governo de Daniel Noboa.
O presidente da CONAIE, Marlon Vargas, reafirmou que o movimento indígena “permanecerá firme nas ruas” até que o governo de Noboa deixe de criminalizar as manifestações e, entre outras acções, reduza o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), enfrente a crise do sistema de saúde pública e implemente políticas sociais para travar os crescentes níveis de violência, o elevado custo de vida e a precariedade do emprego, o que implica resolver as causas estruturais, ligadas à pobreza e à exclusão histórica da maioria.
“Fomos acusados de terroristas e sabotadores, mas nossa luta está avançando”, disse Vargas, que denunciou a repressão em províncias como Imbabura, Otavalo e Cotacachi, onde foram registrados os principais bloqueios de estradas.
⭕️ #ATENCIÓN | Marlon Vargas, presidente de la @CONAIE_Ecuador, junto a las estructuras de la FICI y la Ecuarunari, exigen la libertad inmediata de los detenidos en el contexto del #ParoNacional2025. “Para poder dar salida a esta lucha, tendrán que liberar inmediatamente a… pic.twitter.com/pmbWyvXRXf
— Radio Pichincha (@radio_pichincha) October 8, 2025
De acordo com o sistema ECU 911, na manhã de 8 de outubro, foram resportadas oito estradas fechadas no norte do país, principalmente nos eixos que ligam Imbabura com Pichincha e Carchi, embora as rotas entre Quito e Machachi, Guayllabamba, Tabacundo ou Santo Domingo permanecessem habilitadas.
Governo ignorou alertas sobre possíveis incidentes em Cañar
O conflito chegou a um ponto crítico em 7 de outubro, quando uma caravana presidencial foi apedrejada na província de Cañar, enquanto Noboa estava indo para uma comunidade indígena.caravana presidencial fue apedreada en la provincia de Cañar O governo chamou o incidente de “uma tentativa de assassinato e um ato de terrorismo”.
O presidente da Câmara Municipal de Cañar, Segundo Yugsi, alertou com antecedência para a Governadoria e a segurança da Presidência sobre possíveis incidentes durante a visita do presidente à província.alcalde de Cañar, Segundo Yugsi, alertó con anticipación a la Gobernación y a la seguridad de la Presidencia sobre posibles incidentes Os avisos foram ignorados. Apesar de sua falta de resposta e coordenação, o governo chama o que aconteceu de um “ataque”, demonstrando uma grave negligência institucional e falhas na gestão da segurança presidencial.grave negligencia institucional y fallas en la gestión de seguridad presidencial
Por sua vez, o Conaie rejeitou as acusações de assassinato e garantiu que as cinco pessoas presas em Cañar por supostas ligações com a pedra não são manifestantes e serão injustamente processadas.Conaie rechazó las acusaciones de magnicidio Ele também acusou Noboa de orquestrar uma provocação ao entrar em uma área onde havia moradores em legítima resistência e questionou a falta de previsão da equipe de segurança presidencial.
⭕ Las demandas del #ParoNacionalEcuador.@DanielNoboaOk es el responsable de esta crisis:
— CONAIE (@CONAIE_Ecuador) October 4, 2025
- IVA al 15 % y eliminación de subsidios: todo más caro.
- Hospitales sin medicinas ni atención adecuada.
- Despidos masivos y empleos precarios.
- Violencia en aumento, sin seguridad real.… pic.twitter.com/eZAYNApTJZ
Seguindo o padrão de criminalização do protesto, o ministro da Defesa, Gian Carlo Loffredo, disse que o apedrejamento da caravana “denota um nível de agressão sem precedentes”. Ele advertiu que o Executivo “não permitirá que ninguém ameace tomar Quito”.
O ministro do Interior, John Reimberg, anunciou o envio de forças especiais para proteger as estradas e proteger a capital. Até agora, cinco pessoas foram presas pelo ataque.
🛑#Atención | La @CONAIE_Ecuador manifiesta su preocupación por los hechos registrados en la provincia de Cañar, donde la caravana presidencial, incluido el vehículo oficial del Presidente, ingresó en una zona de resistencia y fue apedreado. Según la organización, el suceso… pic.twitter.com/fxutIKSt6S
— Radio Pichincha (@radio_pichincha) October 8, 2025
A greve, que dura há mais de duas semanas, ocorre na véspera do feriado nacional de 9 de outubro, data histórica para o país, e ameaça continuar se o governo não concordar em abrir um diálogo político. Até agora, 117 pessoas foram detidas, incluindo 11 menores e 10 mulheres, além de dezenas de feridos.
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