
“Iniciámos um processo de transformação democrática”
«A democracia não se mede pela existência de eleições: mede-se pela qualidade da competição que antecede essas eleições», afirmou a dignitária.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, proferiu hoje o seu primeiro discurso como chefe de Estado perante a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), numa intervenção em que abordou diversos assuntos, incluindo a situação do país e a sua posição na cena internacional, a realização de eleições e a participação da Venezuela no mercado global da energia.
«Fala-se muito sobre a Venezuela. Muitos dão a sua opinião sobre a Venezuela. Alguns tentam interferir nos assuntos da Venezuela […]. Foram impostos interesses alheios ao bem comum dos venezuelanos», criticou. «Em 2026 – prosseguiu – a Venezuela passou por duas grandes e dolorosas provações na sua história como nação: uma resultante do estrangulamento da política interna e do agravamento do confronto com os EUA”; outra, proveniente da fúria da natureza: o duplo terramoto de 24 de junho», afirmou a dignitária.
#EnVideo📹| Presidenta de la República Bolivariana de Venezuela, Delcy Rodríguez, precisó: «Para los venezolanos, hoy Venezuela renace. Esto resume la actitud del pueblo venezolano, que ha asumido con firmeza los acontecimientos actuales y avanza hacia la transformación de una relación política fundamentada en el diálogo y la diplomacia».
— VTV CANAL 8 (@VTVcanal8) September 24, 2026
Nesse sentido, chamou a atenção para o facto de Caracas manter como orientação «o seu apego à paz e a rejeição da violência» e promover, em vez disso, o predomínio «do diálogo sobre o conflito».
“Acreditamos firmemente no poder da compreensão e do diálogo“, afirmou, salientando em seguida que a nação bolivariana “defende sem ambiguidades que a paz — uma paz justa, duradoura e com dignidade para todas as partes — não é uma aspiração ingénua, mas sim a única saída verdadeiramente humana”.
#EnVideo📹| Presidenta de la República Bolivariana de Venezuela, Delcy Rodríguez, durante su participación en la 81ª Asamblea General de la ONU, agradeció al presidente Donald Trump y a su gobierno por retomar el camino de la diplomacia y la cooperación con Venezuela Asimismo, destacó que actualmente se trabaja para dirimir las diferencias existentes mediante el diálogo, con el objetivo principal de impulsar el acercamiento en áreas como: ✔ El relacionamiento energético. ✔ La promoción de la seguridad y la lucha conjunta contra el crimen transnacional. ✔ El impulso de la cooperación económica en beneficio de ambos pueblos y del continente.
— VTV CANAL 8 (@VTVcanal8) September 24, 2026
«É por isso que hoje a Venezuela aspira — com os EUA, com os seus vizinhos, com todos os países do nosso continente e da comunidade internacional — a reconstruir e a manter relações de cooperação, respeito e igualdade», salientou. Em seguida, agradeceu ao presidente norte-americano, Donald Trump, e ao seu Governo «pela sua disponibilidade para enveredar pelo caminho das relações diplomáticas e de cooperação», após uma década e meia sem encontros diretos entre os chefes de Estado das duas nações.
Eleições
Rodríguez referiu-se ao «início de um processo de profunda transformação democrática» orientado para a ampliação da democracia no país e à superação das diferenças políticas e de outras fraturas sociais, o que passa pela eliminação de todas as «restrições económicas», de modo a que o país sul-americano tenha garantido «o seu direito ao desenvolvimento», após o que serão realizadas eleições para legitimar as mudanças.
“Na Venezuela vão realizar-se eleições e, nesse sentido, iniciámos um diálogo político com sectores da oposição, que conduza a um processo em que todos tenham igualdade de condições”, afirmou.
🇻🇪🗣️La presidenta encargada de Venezuela, Delcy Rodríguez, aseguró ante la Asamblea General de las Naciones Unidas que en su país se celebrarán elecciones cuando estén dadas las condiciones institucionales para ello. https://t.co/IGlxRw8NGG
— Errete en Español (@erreteespanol) September 23, 2026
Nesse sentido, Rodríguez comprometeu-se a que as instituições venezuelanas garantam «condições de participação para todas as forças políticas do país» e, a esse respeito, salientou que «a democracia não se mede pela existência de eleições: é medida pela qualidade da competição que antecede essas eleições», porque «uma eleição deve ser uma solução, não uma fonte de conflitos irreconciliáveis».
Comércio e energia no centro da equação
No que diz respeito aos desafios económicos, para além de defender modelos de crescimento com justiça social, Rodríguez voltou a questionar os regimes de sanções unilaterais, considerando que «minam as liberdades económicas e financeiras e atrasam o desenvolvimento humano».
A isto acrescentou o que classificou como «o fracasso institucional do comércio global», tendo em conta que «nenhuma nação pode prosperar sob esquemas supranacionais que não promovam a indústria nacional e recompensem a deslocalização».
Embora tenha salientado que o seu país está firmemente empenhado na defesa dos direitos da natureza, considerou que a energia de origem fóssil representa um fator incontornável para alcançar a «estabilidade internacional».
#EnVideo📹| Presidenta de la República Bolivariana de Venezuela, Delcy Rodríguez, puntualizó que la estabilidad internacional exige garantizar la seguridad en el suministro de energía, con precios asequibles que generen sostenibilidad ambiental. "Debemos evitar colapsos industriales, quiebres productivos y costos energéticos insoportables", señaló la Jefa de Estado.
— VTV CANAL 8 (@VTVcanal8) September 23, 2026
Nesse contexto, criticou o que designou por «programas de descarbonização forçada», considerando que representam «uma ameaça» a aspetos fundamentais da vida humana, como a segurança alimentar, o emprego e a produção. Em vez disso, defendeu uma abordagem que permita «garantir simultaneamente a segurança do abastecimento, preços acessíveis e sustentabilidade ambiental».
«Temos de evitar colapsos industriais, quebras na produção e custos energéticos insuportáveis para as populações. A segurança energética torna-se, assim, indispensável para a sustentabilidade da economia internacional e o desenvolvimento», argumentou.
Em seguida, destacou o papel da Venezuela no panorama energético internacional, que ganhou um novo fôlego com o acordo petrolífero assinado com os EUA.
“Destaco, assim, o recém-[assinado] acordo binacional EUA-Venezuela como um dos maiores já assinados e que contribuirá para o equilíbrio energético do hemisfério e da economia internacional”, afirmou a este respeito.
Agenda multilateral
Há uma década, Rodríguez representou o seu país na 71.ª Assembleia Geral da ONU, na qualidade de ministra dos Negócios Estrangeiros do Governo de Nicolás Maduro.
Um dia antes de voltar a subir ao pódio da ONU, teve um encontro presencial –que classificou como «histórico»– com o presidente dos EUA, Donald Trump, quase nove meses após a incursão armada norte-americana que culminou no sequestro de Maduro e da sua esposa, a deputada Cilia Flores.
A dignitária chegou a Nova Iorque na madrugada da passada segunda-feira. Ao aterrar na cidade norte-americana, declarou que chegava «com a determinação e a esperança de um povo que acredita no encontro e na união entre as nações».
No âmbito da sua visita à cidade norte-americana, teve também um encontro com o secretário-geral da ONU, António Guterres, com quem falou sobre «aprofundar a evolução estratégica da cooperação entre o Governo Bolivariano e o sistema multilateral», informou Miraflores.
Além disso, reuniu-se com a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, bem como com os líderes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Banco Mundial (BM) «para impulsionar novas etapas de relacionamento com o sistema financeiro internacional e garantir um trabalho conjunto em benefício do povo venezuelano».
A participação da presidente interina na Assembleia Geral ocorre após oito anos de ausência de chefes de Estado venezuelanos no pódio central do organismo internacional, num contexto em que um grupo de países não reconhece as instituições da Venezuela e em que se intensificaram as sanções impostas pelos EUA. Maduro participou pela última vez no debate geral na sede da ONU, a 26 de setembro de 2018.
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