América Latina e Caraíbas

Intelectuais rejeitam Prémio Nobel da Paz para a promotora da guerra

Em carta aberta assinada por mais de 200 intelectuais de todo o mundo, a RedH denuncia que o Prémio Nobel da Paz concedido a María Corina Machado está «manchado de sangue».

A Rede de Intelectuais e Artistas em Defesa da Humanidade (RedH) rejeitou a decisão do Comité do Prémio Nobel da Paz de conceder o prémio a María Corina Machado, principal promotora da guerra e da desestabilização na Venezuela.

Numa carta dirigida ao Comité, a organização afirmou que a decisão contradiz a busca pela paz na região.

Igualmente, salientou que a concessão do prémio coincide com um cenário regional marcado pela presença militar dos Estados Unidos no mar das Caraíbas, onde operam porta-aviões, navios de guerra, aviões de combate, helicópteros, mísseis de longo alcance e submarinos nucleares, juntamente com milhares de soldados norte-americanos.

Esta situação — salientou — representa uma ameaça para a estabilidade continental.

Questionamentos sobre o papel dos Estados Unidos na região

A RedH destacou que o governo dos Estados Unidos manifestou a sua intenção de derrubar o governo legítimo da Venezuela e apropriar-se das suas reservas petrolíferas, estratégia que viola a Carta das Nações Unidas e o Direito Internacional.

O documento, assinado por mais de 250 intelectuais de todo o mundo, também criticou o facto de o Prémio Nobel ter sido atribuído a alguém que, segundo eles, apoia este tipo de acções que causaram mortes na América Latina através de operações executadas sob as ordens do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A RedH afirmou que essas operações foram aplaudidas pela premiada.

Na carta, os intelectuais também mencionam as ligações políticas de Machado com o primeiro-ministro sionista, Benjamin Netanyahu, e o seu apoio às ofensivas impulsionadas por «Israel».

Tais posições são incompatíveis com os princípios do Prémio Nobel da Paz e contradizem os compromissos regionais assumidos pela Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que declarou a América Latina como zona de paz em 2014, afirmou a RedH.

Por essas razões, o prémio "chega manchado de sangue" e apresentará como promotora da paz, numa cerimónia solene, uma figura que incentiva ações militares e políticas que aprofundam os conflitos.

Nesse sentido, alertou sobre o uso simbólico do Nobel como um «Cavalo de Troia» para justificar intervenções semelhantes às registadas na Líbia, no Afeganistão, no Iraque e na Síria.

No final do documento, a RedH afirmou que, após a cerimónia de 10 de dezembro, o Comité perderá autoridade moral para falar de justiça ou paz, termos que — salientou — pertencem aos povos que defendem a sua soberania.

A representante da extrema direita venezuelana chegou na segunda-feira a Oslo, na Noruega, para receber amanhã, 10 de dezembro, o Prémio Nobel da Paz.

Na nação europeia, uma aliança de organizações dedicadas à paz e à solidariedade anunciou uma manifestação para esta terça-feira, em repúdio à decisão do Comité Nobel.

Os colectivos apontaram que a premiada apoia publicamente uma intervenção militar contra a Venezuela, apoia as mais de mil medidas coercivas unilaterais impostas ao país e está ligada a ações violentas e desestabilizadoras.

Fonte:

"Para quem está cansado da narrativa única." 🕵️‍♂️

A cobertura mediática sobre Cuba e a América Latina é dominada por um só lado. Nós mostramos o outro. Receba análises geopolíticas que fogem do mainstream ocidental.

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para obter mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *