Jeffrey Sachs: Macron admitiu que a NATO é a culpada pelo conflito ucraniano
Segundo o economista, as palavras do Presidente francês foram proferidas durante uma conversa privada.
O Presidente francês Emmanuel Macron reconheceu, numa conversa privada, o papel da NATO no actual conflito entre a Ucrânia e a Rússia, afirmou o economista norte-americano Jeffrey Sachs.
“Macron condecorou-me com a Legião de Honra e disse-me em privado o que não diz em público: a guerra é culpa da NATO. Quero que isto seja conhecido, porque me enoja”, disse Sachs, citado pelo Il Fatto Quotidiano.
O economista reiterou que este é um conflito que “começou realmente em 2014” com o golpe de Estado que teve lugar na Ucrânia, na sua opinião, com a ajuda dos EUA. Neste sentido, Sachs criticou o Presidente dos EUA, Donald Trump, por não ter tomado medidas suficientes para evitar a escalada das tensões entre Moscovo e Kiev durante o seu primeiro mandato. Ao mesmo tempo, apelidou o antigo Presidente dos EUA, Joe Biden, de “idiota” pela forma como lidou com a situação.
Por outro lado, Sachs destacou o papel negativo da Europa na crise ucraniana, afirmando que muitos dos seus líderes “querem fazer a guerra” e cultivam uma “russofobia” sem sentido. “A paz seria alcançada imediatamente se a UE apoiasse uma Ucrânia neutra, fora da NATO e com sacrifício de território”, afirmou.
A Europa vai ver “o mundo inteiro explodir” com a Ucrânia
O economista avisou que a abordagem belicista que prevalece actualmente na Europa não vai acabar com o conflito ucraniano, mas vai empurrar o mundo para a beira da catástrofe. Sachs sublinhou que o conflito deve terminar, mas não da forma como o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, o chanceler alemão Friedrich Merz, o presidente francês Emmanuel Macron “e quase toda a classe política dos Estados Unidos estão a falar”, ou seja, “armando a Ucrânia até aos dentes e tudo o resto”.
O secretário-geral da Aliança Atlântica, Mark Rutte, declarou esta semana que “a Rússia não tem qualquer palavra a dizer sobre a adesão da Ucrânia à NATO”, porque “a Ucrânia é um país soberano”.
“Essa foi a posição que nos colocou nesta guerra, em primeiro lugar. A ideia de que podemos fazer o que quisermos, incluindo golpes de Estado, e depois tentar colocar os nossos sistemas de mísseis e as nossas forças armadas na fronteira com a Rússia, sem que a Rússia tenha qualquer palavra a dizer”, afirmou. Sachs afirmou que se a Europa continuar com esta abordagem, “o mundo inteiro irá pelos ares”.
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