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Macron vai enviar tropas francesas para a Arábia Saudita

Riade afirma ter interceptado seis mísseis balísticos, enquanto os houthis do Iémen reivindicaram ataques a «alvos sensíveis»

A França irá enviar tropas, radares e sistemas de defesa aérea para a Arábia Saudita, a fim de proteger um importante centro petrolífero no Mar Vermelho, numa altura em que Riade se debate para conter a escalada dos ataques com mísseis e drones perpetrados pelos houthis, anunciou o presidente Emmanuel Macron.

Macron afirmou que as forças francesas não participariam nos combates, limitando-se a proteger a instalação energética estratégica ao abrigo de um acordo celebrado com Riade. O anúncio surgiu horas depois de a coligação liderada pela Arábia Saudita ter afirmado ter interceptado seis mísseis balísticos que se dirigiam para Taif, onde se situa uma importante base aérea saudita, e para a cidade portuária estratégica de Yanbu.

«Vamos enviar recursos militares, ou seja, soldados, sistemas de radar e sistemas de defesa, para proteger a base de Yanbu», afirmou Macron à TF1 e à France 2 na quinta-feira.

Macron afirmou que o centro de Yanbu, que movimenta vários milhões de barris de petróleo, tinha ficado «muito danificado» em ataques anteriores. O porto do Mar Vermelho tem vindo a assumir uma importância crescente para as exportações sauditas, uma vez que a guerra entre os EUA e o Irão restringe severamente o tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz.

Os houthis afirmaram na quinta-feira que tinham lançado ataques com mísseis e drones contra vários «alvos sensíveis» no reino, referindo especificamente as infraestruturas da Saudi Aramco em Yanbu. Uma bateria Patriot operada por gregos, já posicionada na Arábia Saudita, também interceptou um míssil balístico e um drone na área de Yanbu na quinta-feira, segundo a Reuters.

Os houthis têm apresentado a sua campanha como uma luta para expulsar do Iémen as forças governamentais apoiadas pela Arábia Saudita, pôr fim ao bloqueio imposto por Riade e restaurar a soberania do país, alertando as potências estrangeiras para que não se juntem à campanha saudita.

A França é o mais recente país a quem Riade recorreu para obter assistência militar, depois de Washington ter recusado a intervenção directa solicitada pelo príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman. No início deste mês, o líder saudita pediu ao presidente dos EUA, Donald Trump, que ordenasse ataques contra os houthis, mas Trump terá recusado.

Mais tarde, Trump observou que os houthis estavam «a deixar passar a maioria dos navios» pelo Mar Vermelho e estavam concentrados em «apenas um país». Washington, por sua vez, ofereceu partilha de informações de inteligência e assistência na identificação de alvos, enquanto as forças americanas continuam concentradas no Irão.

Consequentemente, Riade tem procurado apoio adicional da França, da Grã-Bretanha, do Paquistão e do Egipto, à medida que as suas reservas de mísseis interceptores se encontram sob pressão.

O Reino Unido já concordou em enviar um avião-tanque Voyager da RAF para assegurar o reabastecimento aéreo das operações sauditas, juntando-se ao equipamento de defesa aérea e ao pessoal britânico já estacionados no reino. O Paquistão, que tem um acordo de defesa mútua com a Arábia Saudita, comprometeu-se a defender o reino «a qualquer custo», embora Islamabad não tenha anunciado uma nova mobilização de combate.

O Egipto ofereceu a Riade um apoio político «inabalável», mas não anunciou qualquer assistência militar. A Itália também mantém uma missão de defesa aérea na Arábia Saudita; um Eurofighter italiano estacionado na Base Aérea do Rei Fahd ficou danificado durante um ataque dos houthis na semana passada.

Os novos apelos da Arábia Saudita surgem num momento em que os houthis alcançaram importantes ganhos territoriais ao longo da costa do Mar Vermelho do Iémen, tomando Mokha e ilhas estratégicas na zona do Estreito de Bab al-Mandeb. O grupo também tem atacado as infraestruturas petrolíferas e a navegação sauditas, exigindo simultaneamente o fim do bloqueio imposto pela Arábia Saudita ao Iémen.

Os combates ameaçam a Arábia Saudita de ambos os lados da Península Arábica: o Irão perturbou gravemente a rota tradicional de exportação do reino através do Estreito de Ormuz, enquanto o avanço e os ataques dos houthis estão a exercer uma pressão crescente sobre o seu corredor alternativo no Mar Vermelho, que passa por Yanbu e Bab al-Mandeb.

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