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Manifestações no Brasil exigem o fim da jornada de trabalho 6×1

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência criticou o presidente do Senado por reter o projecto de lei que garante dois dias de descanso semanal.

Movimentos populares, sindicatos e organizações sociais realizaram esta terça-feira manifestações em 14 capitais do Brasil e em várias cidades do interior, por ocasião do Dia Nacional de Mobilização para a Redução da Jornada de Trabalho. Os protestos exigem o desbloqueio da proposta de emenda constitucional que elimina a jornada de trabalho de seis dias de trabalho por um de descanso (6×1).

A reforma, aprovada na Câmara dos Deputados há mais de um mês, enfrenta resistência no Senado, onde o seu presidente, Davi Alcolumbre, continua a impedir o envio do texto à Comissão de Constituição e Justiça.

A proposta estabelece uma jornada de 40 horas semanais sem redução salarial e garante dois dias de descanso obrigatório (regime 5×2). As mobilizações a nível nacional foram convocadas pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), pelo Fórum das Centrais Sindicais e pelo movimento Vida Além do Trabalho.

A CUT activou ainda a plataforma digital «Na Pressão» para incentivar os cidadãos a exigirem directamente aos deputados que votem a favor.

Durante as actividades da manhã registaram-se marchas em Porto Alegre, Recife, João Pessoa e Rio de Janeiro, que se estenderam ao resto dos locais ao longo da tarde. No Rio de Janeiro, milhares de manifestantes percorreram seis quilómetros durante duas horas por vias principais como a Avenida Brasil.

O vereador Rick Azevedo, criador do movimento IVA e coorganizador nacional dos protestos, afirmou que o fim do regime de turnos 6×1 constituirá uma conquista histórica para a classe trabalhadora, comparável à conquista das férias pagas e do subsídio de Natal.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, criticou a posição do líder do Senado e classificou os argumentos das entidades patronais contra a reforma como «terrorismo patronal».

Boulos salientou no programa televisivo «Bom Dia, Ministro», da Empresa Brasil de Comunicação, que deixar numa gaveta uma iniciativa apoiada por mais de 70 por cento da população atende a interesses mesquinhos e alertou que a oposição patronal está a brincar com o fogo.

Argumentou que existem estudos económicos que demonstram o impacto positivo da redução do número de postos de trabalho no comércio a retalho e nos serviços, semelhante aos benefícios históricos do aumento do salário mínimo real.

Um estudo do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas defende que a redução da jornada de trabalho de 44 para 36 horas semanais aumentaria os níveis de produtividade do país em 4 por cento e geraria 4,5 milhões de novos postos de trabalho.

Raimundo Suzart, presidente da CUT em São Paulo, explicou à Rádio Brasil de Fato que, embora tenham feito sondagens e dialogado com os senadores indecisos, a pressão nas ruas é o factor determinante para forçar a votação do projeto. Suzart salientou a necessidade de direcionar os protestos para os legisladores que se recandidatarão, a fim de garantir o avanço legislativo da emenda.

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