Mijaín López: um ano de ouro eterno e a despedida do maior
Havana, 7 de agosto (Cuba) Há um ano, Mijaín López abalou os alicerces do Olimpo no coração de Paris, onde selou com o ouro a sua despedida definitiva dos colchões da luta greco-romana.
Por Boris Luis Cabrera.
Naquele dia, na Champ de Mars Arena e sob a Torre Eiffel, a história do desporto mundial foi reescrita por um cubano. O Gigante de Herradura, prestes a completar 42 anos e com uma determinação inabalável, conquistou o seu quinto título olímpico consecutivo, tornando-se o primeiro humano a alcançar tal feito na mesma prova individual. Ninguém, nem Karelin, nem Bolt, nem Phelps. Apenas Mijaín.
A épica daquela luta final, vencida por superioridade técnica (6-0) contra o seu compatriota Yasmani Acosta, foi apenas o prelúdio de um momento ainda mais solene: com a serenidade dos deuses, López tirou os ténis e colocou-os no centro do tapete. O silêncio foi imediato, reverencial. Era a sua despedida, a sua consagração.
De Pinar del Río a Maisí, milhões de cubanos acompanhavam o duelo pela televisão. O café parou, os fogões apagaram-se, as ruas ficaram em silêncio. O país inteiro prendeu a respiração diante dos golpes do titã. E quando a vitória chegou, surgiram os abraços, as lágrimas, os gritos: “Cinco ouros, cinco estrelas, um único campeão!”
A televisão mostrou-o de costas para o mundo, de frente para a glória. O rosto suado, os olhos a brilhar de emoção, os braços abertos para a eternidade. A bandeira cubana tremulando sobre os seus ombros. E no seu peito, aquelas quatro letras: CUBA.
O seu caminho até ao topo foi uma lição de resistência. Ele vinha de um longo silêncio competitivo após Tóquio 2020, carregando o cepticismo alheio e as previsões de declínio. Mas ele voltou como só os eleitos voltam. Derrubou um, neutralizou outro, dominou o penúltimo e venceu o outro finalista sem receber um único ponto. Uma caminhada imperial rumo à imortalidade.
Hoje, no primeiro aniversário daquele dia imenso, toda Cuba o lembra como o melhor lutador de todos os tempos e como o símbolo de uma nação que resiste, sonha e luta. Porque Mijaín, além de ganhar medalhas, forja carácter, inspira gerações e dá nome à honra.
Ele partiu, mas não completamente. Os seus ténis ficaram sobre o colchão e a sua lenda, por outro lado, ficou para sempre no coração do seu povo.
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